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Salmo 5: oração da manhã, explicação e reflexão

Leia Salmo 5 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

O rei Davi toca a harpa cercado de anjos
Hendrick ter Brugghen, O rei Davi tocando harpa entre anjos, 1628. Domínio público, via Wikimedia Commons.

O Salmo 5 é uma oração da manhã. Logo cedo, o salmista apresenta a Deus o seu pedido e fica à espera, confiante. Ele contrapõe a mentira e a violência dos ímpios à bondade do Senhor, que acolhe em sua casa quem nele se refugia. A Igreja reza este salmo nas Laudes.

Contexto do Salmo 5

O Salmo 5 tem a mesma numeração na Bíblia hebraica e na liturgia. O título diz: ao mestre de canto, para flautas, salmo de Davi. A palavra traduzida por flautas é incerta, e a atribuição a Davi é tradição; o título não indica uma situação histórica. Na Bíblia da CNBB, o título conta como versículo 1.

O gênero é o de súplica individual. O orante é alguém fiel, ameaçado por pessoas mentirosas e violentas, que vai ao Templo pedir que Deus o defenda e o conduza. A menção à manhã sugere que ele reza na hora do sacrifício matinal, quando o dia começa. Na Liturgia das Horas, a Igreja o reza nas Laudes da segunda-feira da primeira semana.

Explicação do Salmo 5

Versículos 2 a 4: de manhã ouves a minha voz

O salmista pede que Deus escute as suas palavras, perceba o seu gemido e atenda ao seu grito. Ele chama a Deus de meu Rei e meu Deus. São três modos de falar (palavra, gemido, grito), mostrando que a oração envolve a pessoa inteira.

Depois vem a frase que dá o tom do salmo: desde a manhã o Senhor ouve a voz de quem reza (Sl 5,4). De manhã ele prepara o seu pedido e fica de vigia. O verbo sugere a atitude de uma sentinela que espera o sinal. Rezar é também esperar a resposta de Deus, com atenção.

Versículos 5 a 7: o Senhor não ama o mal

O orante lembra quem é Deus: tu não és um Deus que se compraz com o mal. O mau não pode morar perto dele, e os arrogantes não ficam de pé diante dos seus olhos. A linguagem é forte: Deus detesta os que praticam o mal, destrói os que dizem mentira e abomina o homem violento e traiçoeiro.

Esse modo de falar é típico do Antigo Testamento, que nem sempre separa o pecado da pessoa que o comete. O ponto principal é a santidade de Deus: ele é totalmente bom e não faz acordo com o mal. À luz do Evangelho, sabemos que Deus não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva (Ez 33,11). O salmo não ensina o ódio às pessoas; ensina que diante de Deus a mentira e a violência não têm lugar.

Versículos 8 e 9: entrarei na tua casa

O contraste vem logo: eu, porém, pela grandeza do teu amor, entro na tua casa e me prostro diante do teu santo templo, cheio de temor. O salmista não entra porque é perfeito, mas porque Deus é fiel. A palavra traduzida por amor, em hebraico hesed, indica o amor leal de Deus à aliança, a sua misericórdia que não falha.

E ele pede: guia-me, Senhor, na tua justiça, por causa dos meus inimigos; aplaina diante de mim o teu caminho. Quando há quem espere a nossa queda, precisamos ainda mais que Deus nos mostre o caminho certo.

Versículos 10 e 11: a boca dos ímpios

O salmista descreve os inimigos pela palavra: na boca deles não há sinceridade, o coração é cheio de maldade, a garganta é um sepulcro aberto e a língua é lisonjeira. A imagem do sepulcro é impressionante: a boca que deveria comunicar vida espalha morte. São Paulo cita esse versículo em Romanos 3,13, ao mostrar que todos, sem a graça, estão sob o domínio do pecado.

O orante pede que Deus os declare culpados e que caiam nos próprios planos. É um pedido de justiça, dirigido a Deus, e não um projeto de vingança feito pelas próprias mãos. A raiz da culpa deles é clara: rebelaram-se contra Deus.

Versículos 12 e 13: alegria dos que confiam

O salmo termina em festa. Alegrem-se todos os que em ti se refugiam, exultem para sempre. Tu os proteges, e os que amam o teu nome se rejubilam em ti. Deus abençoa o justo e o cerca com o seu favor como um escudo. A imagem final é a de um grande escudo que cobre todo o corpo: o amor de Deus envolve o fiel de todos os lados.

O que o Salmo 5 ensina para a fé católica?

O Salmo 5 ensina o valor de consagrar a Deus o início do dia. A Igreja, ao rezá-lo nas Laudes, faz da manhã um tempo de oferta e de escuta. Começar o dia com Deus é reconhecer que ele é o nosso Rei. Uma forma simples de fazer isso em casa é a oração da manhã e oferecimento do dia.

O salmo também mostra que entrar na presença de Deus é graça. O orante entra na casa de Deus pela grandeza do seu amor, não por mérito próprio. Os cristãos reconhecem aqui uma atitude que vale para a Missa: entramos na igreja confiando na misericórdia de Deus e com reverência diante da sua santidade.

Por fim, ensina a seriedade dos pecados da palavra. A mentira, a calúnia e a bajulação ferem as pessoas e a comunidade. A tradição cristã sempre levou isso a sério. O Catecismo lembra que nos salmos se exprimem ao mesmo tempo a oração de cada um e a de todo o povo (CIC n. 2586): quem reza contra a mentira reza também pela saúde da comunidade inteira.

Reflexão para hoje

Qual é a primeira coisa que fazemos ao acordar? Para muitos, é olhar o celular. O Salmo 5 propõe que a primeira palavra do dia seja dirigida a Deus. Pode ser breve: um sinal da cruz, uma frase do salmo, um pedido pelo dia que começa. Quem começa assim encara o trabalho, o trânsito e as preocupações com outro espírito.

O salmo também fala de esperar. Apresentamos o pedido e ficamos de vigia. Isso pede paciência. Nem sempre a resposta vem do jeito ou no tempo que imaginamos, mas quem reza de manhã aprende a perceber, ao longo do dia, os sinais da presença de Deus.

E há um exame de consciência no meio do salmo. Ele descreve uma boca que espalha morte: mentiras, fofocas, elogios falsos. Antes de pedir que Deus nos defenda dos mentirosos, vale perguntar como andam as nossas palavras em casa, no grupo de mensagens, no trabalho. Elas constroem ou destroem?

Para rezar com o Salmo 5

  • Como começo o meu dia? Há um momento, ainda que curto, para Deus?
  • Minhas palavras de ontem foram sinceras e construtivas, ou feriram alguém?
  • Em que situação preciso pedir que Deus aplaine o caminho diante de mim?

Sugestão de oração:

Senhor, meu Rei e meu Deus, desde a manhã ouves a minha voz. Ofereço-te este dia e espero em ti. Guia-me na tua justiça e aplaina o teu caminho diante de mim. Guarda a minha boca da mentira e cerca-me com o teu amor, como um escudo. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 2586; Liturgia das Horas.

Perguntas sobre Salmo 5

Por que o Salmo 5 é chamado de oração da manhã?

Porque o salmista diz que, de manhã, apresenta a Deus o seu pedido e fica à espera da resposta. Por isso a Igreja o reza nas Laudes, a oração da manhã da Liturgia das Horas.

Deus odeia os malfeitores, como diz o Salmo 5?

A linguagem do salmo expressa que Deus é totalmente contrário ao mal e não pode conviver com ele. À luz do Evangelho, entendemos que Deus rejeita o pecado, mas quer a conversão e a salvação do pecador.

Onde o Salmo 5 é citado no Novo Testamento?

São Paulo cita o versículo que fala da garganta dos ímpios como sepulcro aberto em Romanos 3,13, ao mostrar que todos precisam da graça de Deus.

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