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Salmo 23: o Senhor é meu pastor, explicação

Leia Salmo 23 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

O rei Davi toca a harpa cercado de anjos
Hendrick ter Brugghen, O rei Davi tocando harpa entre anjos, 1628. Domínio público, via Wikimedia Commons.

O Salmo 23 é talvez o salmo mais conhecido da Bíblia. Começa com “O Senhor é meu pastor, nada me falta” e descreve Deus como o pastor que conduz, alimenta e protege, mesmo no vale escuro. Depois, Deus aparece como anfitrião que prepara a mesa e acolhe o fiel na sua casa para sempre.

Contexto do Salmo 23

Na numeração litúrgica e da Vulgata, ele é o Salmo 22. É um salmo de confiança, curto e muito pessoal. O título hebraico, “Salmo de Davi”, o atribui ao rei que foi pastor na juventude (1Sm 16,11; 17,34-35), como recebe a tradição.

Na antiga Palestina, o pastor vivia com as ovelhas. Ia à frente do rebanho, procurava pastagens e água em terras secas, defendia as ovelhas dos animais selvagens e as conhecia uma a uma. Também os reis eram chamados de pastores do povo. Mas os profetas denunciaram os maus pastores e anunciaram que o próprio Deus apascentaria o seu rebanho (Ez 34,11-16).

Explicação do Salmo 23

Versículo 1: o Senhor é meu pastor

“O Senhor é meu pastor, nada me falta” (Sl 23,1). Tudo está nessa primeira frase. O salmista não diz que é rico ou que nunca terá problemas. Diz que, tendo Deus como pastor, tem o necessário. O pronome “meu” mostra uma relação pessoal, de confiança.

Versículos 2 e 3: pastagens, águas e caminhos

Deus faz o salmista descansar em verdes pastagens e o conduz a águas tranquilas. Numa região semiárida, encontrar pasto verde e água calma era questão de sobrevivência. As ovelhas não bebem em água agitada; o bom pastor procura águas mansas.

Deus restaura as forças da alma. A expressão hebraica pode significar “faz voltar a minha vida”, como quem traz de volta a ovelha que se perdeu. E guia pelos caminhos da justiça, isto é, pelos caminhos certos, por causa do seu nome. Deus conduz bem porque é fiel a si mesmo.

Versículo 4: o vale escuro

Aqui está o centro do salmo. Mesmo que eu ande por um vale tenebroso, não temerei mal algum, porque tu estás comigo. A expressão hebraica tem o sentido de “vale de sombra profunda”, e algumas traduções antigas a entenderam como “sombra da morte”. Pode ser qualquer situação de perigo, inclusive a própria morte.

Repare que neste versículo o salmista deixa de falar de Deus (“ele me conduz”) e passa a falar com Deus (“tu estás comigo”). No escuro, a fé se torna diálogo. A vara e o cajado eram os instrumentos do pastor: um para defender o rebanho das feras, outro para guiar e amparar as ovelhas. Eles dão segurança.

Versículo 5: a mesa e o cálice

A imagem muda: Deus agora é o anfitrião. Prepara uma mesa diante dos inimigos, isto é, oferece um banquete de proteção e honra, à vista de quem queria o mal do salmista. No antigo Oriente, quem recebia um hóspede assumia o dever de protegê-lo.

Deus unge a sua cabeça com óleo, gesto de acolhida e de festa, e o seu cálice transborda. Tudo é abundância e alegria.

Versículo 6: na casa do Senhor para sempre

O salmo termina dizendo que a bondade e a misericórdia acompanharão o salmista todos os dias. O verbo hebraico é forte: elas o “perseguem”, como se corressem atrás dele. E ele habitará na casa do Senhor por longos dias. A casa é o Templo, lugar da presença de Deus, e para o cristão também a morada eterna.

O que o Salmo 23 ensina para a fé católica?

Jesus se apresenta como o Bom Pastor que conhece as ovelhas e dá a vida por elas (Jo 10,11-15). Ele cumpre a promessa de Ezequiel: Deus mesmo veio apascentar o seu povo. O Catecismo apresenta a Igreja como o rebanho do qual Deus anunciou que seria o pastor, guiado e alimentado sem cessar por Cristo, o Bom Pastor (CIC n. 754).

Desde os primeiros séculos, a Tradição leu este salmo à luz dos sacramentos da iniciação cristã: as águas tranquilas lembram o Batismo, o óleo na cabeça lembra a Crisma, e a mesa preparada com o cálice que transborda lembra a Eucaristia. Por isso ele é muito usado na catequese e na liturgia. Veja o significado dos símbolos do Batismo.

O Salmo 23 é cantado em vários domingos, como no 4º Domingo da Páscoa do Ano A, o domingo do Bom Pastor, e é muito usado nas Missas de exéquias, porque fala da presença de Deus no vale escuro e da casa do Senhor para sempre.

Reflexão para hoje

“Nada me falta” é uma frase difícil de dizer com sinceridade. Sempre parece faltar alguma coisa: dinheiro, saúde, tempo, reconhecimento. O salmo não nega as necessidades, mas muda o olhar: com Deus, o essencial não falta. É um convite a confiar mais e a se angustiar menos.

Todos passamos por vales escuros. A notícia de uma doença, o desemprego, um filho que se afasta, a perda de alguém querido. O Salmo 23 não promete que o vale será evitado. Promete companhia: tu estás comigo. Muitas vezes, é isso que precisamos ouvir. Para os momentos de aflição, há também uma oração para ansiedade e paz interior.

E há a imagem da mesa. Toda Missa é essa mesa preparada por Deus, mesmo quando a vida está cercada de problemas. Ir à Missa no domingo é aceitar o convite do anfitrião que nos alimenta e nos dá força para a semana.

Para rezar com o Salmo 23

  • Consigo dizer com sinceridade “nada me falta”? O que me impede?
  • Em que vale escuro eu preciso ouvir hoje que o Senhor está comigo?
  • Como recebo a mesa que Deus me prepara na Eucaristia?

Sugestão de oração:

Senhor Jesus, Bom Pastor, conduz-me às águas tranquilas e restaura as minhas forças. Quando eu passar pelo vale escuro, que eu não tenha medo, porque tu estás comigo. Alimenta-me na tua mesa e faz que a tua bondade me acompanhe todos os dias, até que eu habite na tua casa para sempre. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica; Lecionário da Missa.

Perguntas sobre Salmo 23

O que significa “o Senhor é meu pastor, nada me falta”?

Significa confiar que Deus cuida de nós como o pastor cuida das ovelhas: guia, alimenta e protege. Com ele, o essencial não falta.

O que é o “vale escuro” do Salmo 23?

É qualquer situação de perigo, sofrimento ou medo, inclusive a morte. O salmista não promete evitá-lo, mas afirma que Deus está presente ali.

Como os cristãos leem o Salmo 23?

Jesus é o Bom Pastor (Jo 10,11). A Tradição viu nas águas, no óleo e na mesa do salmo sinais do Batismo, da Crisma e da Eucaristia.

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