O Salmo 21 é uma ação de graças pela vitória do rei. O povo celebra que Deus atendeu o desejo do coração do seu ungido, deu-lhe coroa, vida longa e alegria na sua presença. Depois, anuncia que a mão do rei alcançará os inimigos e termina com um louvor à força do Senhor.
Contexto do Salmo 21
Na numeração litúrgica e da Vulgata, ele é o Salmo 20. O título hebraico, que na Bíblia da CNBB ocupa o versículo 1, o atribui a Davi, conforme a tradição. É um salmo real, que forma um par com o Salmo 20: lá o povo pedia a vitória do rei, aqui agradece por ela.
Alguns estudiosos pensam que pode ter sido usado em festas ligadas à coroação ou ao aniversário do reinado. Não há certeza. O texto mostra uma assembleia que fala primeiro a Deus sobre o rei e depois fala ao rei sobre o futuro.
Explicação do Salmo 21
Versículos 2 a 7: tudo o que o rei recebeu
O salmo começa celebrando a alegria do rei na força de Deus e na sua salvação. Deus concedeu o desejo do seu coração e não recusou o pedido dos seus lábios. Os versículos parecem responder ao Salmo 20, que desejava exatamente isso.
Depois, uma lista de dons: Deus veio ao encontro do rei com bênçãos, colocou na sua cabeça uma coroa de ouro puro. O rei pediu vida, e Deus lhe deu dias longos, para sempre. A sua glória é grande por causa da salvação divina; Deus o reveste de esplendor e majestade e o enche de alegria diante da sua face.
Repare que todos os verbos têm Deus como sujeito: concedeste, puseste, deste, revestiste. O rei não conquistou nada sozinho. A expressão “dias longos para sempre” é linguagem de corte, comum no antigo Oriente para desejar ao rei vida longa. Mas, na Bíblia, ela também se liga à promessa de que a dinastia de Davi duraria para sempre (2Sm 7,16).
Versículo 8: o segredo da força do rei
No centro do salmo está a chave de tudo: “O rei confia no Senhor; pelo amor do Altíssimo, não vacilará” (cf. Sl 21,8). A palavra traduzida por “amor” é hesed, a fidelidade amorosa de Deus à aliança. O rei é firme não por ser forte, mas por estar apoiado na bondade fiel de Deus.
Versículos 9 a 13: a mão do rei sobre os inimigos
Agora o povo fala ao rei. A sua mão alcançará todos os inimigos. Eles serão como num forno aceso no dia em que ele aparecer; o Senhor os consumirá na sua ira, e o fogo os devorará. Até a descendência deles desaparecerá da terra. Eles tramaram o mal, mas não conseguirão; o rei os fará fugir, apontando o arco contra eles.
São versos duros, que não devem ser suavizados nem lidos fora do contexto. Eles usam a linguagem guerreira do mundo antigo, em que o rei era o defensor do povo contra invasores. Os inimigos aqui são os que “tramaram o mal” contra Deus e o seu ungido. O salmo exprime o desejo de que a injustiça não prevaleça. A leitura cristã, como veremos, transforma esse desejo: o verdadeiro inimigo a ser vencido é o mal, e não as pessoas.
Versículo 14: levanta-te, Senhor
O salmo termina com uma aclamação dirigida a Deus: levanta-te, Senhor, com a tua força, e nós cantaremos e louvaremos o teu poder. A última palavra não é do rei, mas de Deus. O povo começa e termina celebrando a força do Senhor.
O que o Salmo 21 ensina para a fé católica?
O salmo ensina que todo bem vem de Deus. Até o maior dos homens, o rei, recebe tudo como dom. Essa é a raiz da ação de graças cristã: reconhecer que as vitórias da vida, grandes ou pequenas, são graças recebidas.
A Tradição cristã leu este salmo à luz de Cristo. O rei que pede vida e recebe dias que não terminam faz pensar em Jesus ressuscitado, que vive para sempre. A coroa de ouro contrasta com a coroa de espinhos da Paixão, e a Igreja vê em Cristo o Rei que foi glorificado depois de passar pela cruz (Hb 2,9).
Sobre os versos duros contra os inimigos, o Catecismo ensina que nos salmos aparece sempre a luta contra os inimigos e a tentação, unida à confiança em Deus (CIC n. 2589). O cristão reza esses versos à luz do Evangelho, que manda amar os inimigos (Mt 5,44). O fogo de que fala o salmo passa a ser lido como o juízo de Deus sobre o mal, que um dia será vencido de vez. Leia também sobre a solenidade de Cristo Rei.
Reflexão para hoje
Quando algo dá certo, é fácil esquecer de agradecer. Pedimos muito antes da prova, da cirurgia, da entrevista. Depois, a vida segue e o agradecimento fica para trás. O Salmo 21 é o salmo do “depois”: Deus atendeu, então vamos voltar a ele com alegria.
Uma prática simples ajuda: ao fim do dia ou da semana, lembrar de pelo menos uma coisa concreta que Deus concedeu e dizer obrigado. Pode ser em família, à mesa. Isso educa o coração a perceber que tudo é dom. Para isso, pode ajudar uma oração de gratidão a Deus.
E o centro do salmo vale para cada um de nós: quem confia no Senhor, apoiado no seu amor fiel, não vacila. Não porque os problemas desaparecem, mas porque há um chão firme debaixo dos pés.
Para rezar com o Salmo 21
- Quais pedidos Deus já me atendeu e eu ainda não agradeci?
- Reconheço que as minhas conquistas são também dons recebidos?
- Como rezar contra o mal sem desejar o mal a ninguém?
Sugestão de oração:
Senhor, tudo o que tenho recebi de ti. Obrigado pelos pedidos que atendeste e pelas vitórias que me deste, mesmo as que eu nem percebi. Firma-me no teu amor fiel para que eu não vacile. Vence em mim e no mundo todo o mal, e faz-me cantar sempre a tua força. Amém.
Fontes
Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica.
Perguntas sobre Salmo 21
Qual é o tema do Salmo 21?
Como entender os versos duros contra os inimigos no Salmo 21?
O Salmo 21 fala de Jesus?
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