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Salmo 11: no Senhor me refugio, explicação

Leia Salmo 11 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

O rei Davi toca a harpa cercado de anjos
Hendrick ter Brugghen, O rei Davi tocando harpa entre anjos, 1628. Domínio público, via Wikimedia Commons.

O Salmo 11 é uma oração de confiança em tempos de crise. Alguém aconselha o salmista a fugir como um pássaro para os montes, porque os ímpios já armaram o arco e os fundamentos estão ruindo. Ele responde com firmeza: no Senhor me refugio. Deus está no seu santo templo, vê tudo e ama a justiça.

Contexto do Salmo 11

O Salmo 11 é o Salmo 10 na numeração litúrgica, que segue a tradução grega e a Vulgata. O título diz apenas: ao mestre de canto, de Davi. A atribuição a Davi é tradição, e o título não indica situação histórica. Neste salmo, o título e as primeiras palavras estão no mesmo versículo 1.

O gênero é o de salmo de confiança. Não há um pedido direto; há um diálogo. De um lado, vozes que aconselham a fuga, talvez amigos bem-intencionados; de outro, a resposta do orante, que prefere ficar porque confia em Deus. Muitos estudiosos pensam que o salmista se encontrava no Templo, lugar de refúgio, num momento de perseguição ou de desordem social.

Explicação do Salmo 11

Versículos 1 a 3: foge como um pássaro

A primeira frase, em que o orante diz que se refugia no Senhor (Sl 11,1), é a chave de todo o salmo. Logo depois, o orante cita o que lhe dizem: como podeis dizer-me que fuja como um pássaro para os montes? A imagem é de um passarinho assustado que voa para longe ao menor perigo.

Os conselheiros explicam por quê: os ímpios já esticaram o arco, ajustaram a flecha na corda para atirar, na escuridão, contra os retos de coração. O perigo é real e escondido. E vem a pergunta mais grave: quando os fundamentos são destruídos, que pode fazer o justo?

Os fundamentos são as bases que sustentam a vida em sociedade: a justiça, a verdade, as leis, a confiança mútua. Quando eles estão abalados, parece que não adianta nada ser honesto. A tentação é desistir e fugir, isto é, abandonar a fidelidade ou se isolar.

Versículo 4: o Senhor está no seu santo templo

A resposta do salmista não é um argumento, é uma visão de fé. O Senhor está no seu santo templo; o trono do Senhor está nos céus. Os seus olhos observam, as suas pálpebras examinam os filhos dos homens.

Há aqui dois planos: o templo em Jerusalém, onde o orante se encontra, e o céu, onde Deus reina. A terra pode estar em desordem, mas o trono de Deus não balança. E Deus não está distante: ele olha e examina com atenção cada pessoa, como alguém que aperta os olhos para ver melhor.

Versículos 5 e 6: o justo e o violento

O Senhor examina o justo e o ímpio. O verbo usado para examinar sugere provar, como se prova o metal no fogo. Deus permite que o justo passe pela prova, mas não o abandona. Quanto ao que ama a violência, a alma de Deus o detesta.

O versículo 6 usa imagens tiradas da destruição de Sodoma e Gomorra (Gn 19,24): Deus fará chover sobre os ímpios brasas, fogo e enxofre, e um vento abrasador será a porção do seu cálice. O cálice, na Bíblia, representa o destino que cabe a cada um. É uma linguagem forte para dizer que a violência não ficará impune.

Versículo 7: os retos verão a sua face

O salmo termina com uma frase luminosa: o Senhor é justo e ama a justiça; os retos contemplarão a sua face. Ver a face de Deus era, no Antigo Testamento, o desejo mais profundo do fiel. Podia indicar ser recebido no Templo, na presença do Senhor. Mas a frase aponta para algo maior: a comunhão plena com Deus.

O que o Salmo 11 ensina para a fé católica?

O Salmo 11 ensina que a confiança em Deus não depende de as circunstâncias estarem boas. Quando tudo parece desabar, o trono de Deus permanece. A fé não é fuga da realidade, mas a capacidade de permanecer nela sem desespero.

O último versículo ganha, no Novo Testamento, o seu sentido pleno. Jesus promete: felizes os puros de coração, porque verão a Deus (Mt 5,8). São João fala de ver a Deus tal como ele é (1Jo 3,2). A Igreja chama de visão beatífica essa contemplação face a face, que é a felicidade eterna dos santos no céu. Os retos de coração do Salmo 11 são chamados a essa esperança.

Na leitura cristã, este salmo também lembra a firmeza de Jesus, que não fugiu de Jerusalém quando o aconselharam a se afastar por causa de Herodes (Lc 13,31-33). Os salmos, diz o Catecismo, mostram traços constantes da oração, como a simplicidade e a confiança (CIC n. 2589). O Salmo 11 é um belo exemplo dessa confiança simples.

Reflexão para hoje

A pergunta sobre o que pode fazer o justo quando os fundamentos são destruídos parece escrita para hoje. Vemos corrupção, violência, mentira na política, famílias desfeitas, valores perdidos. É comum ouvir: não adianta ser honesto; quem é correto só se dá mal. Essa é a voz que diz: foge como um pássaro.

O salmista não nega que os fundamentos estão abalados. Ele apenas olha mais alto. Deus continua no seu trono e examina o coração de cada um. Por isso vale a pena continuar sendo honesto no trabalho, fiel no casamento, justo nos negócios, mesmo quando a maioria parece fazer o contrário. O que o justo pode fazer é justamente isso: continuar justo, confiando em Deus.

Há também uma fuga mais sutil: a do isolamento. Diante de um mundo difícil, alguns cristãos se fecham, desistem de participar, de votar com consciência, de ajudar na comunidade. O Salmo 11 nos lembra que o refúgio do crente não é um esconderijo, mas Deus. E de Deus voltamos ao mundo com coragem.

Para rezar com o Salmo 11

  • Em que situação eu sinto vontade de fugir ou desistir, achando que não adianta fazer o bem?
  • Meu refúgio está em Deus ou em outras seguranças?
  • Como alimento em mim o desejo de ver a face de Deus?

Sugestão de oração:

Senhor, em ti me refugio. Quando tudo parece desabar e a vontade é fugir, lembra-me de que estás no teu trono e vês o meu coração. Dá-me firmeza para continuar fazendo o bem, mesmo quando é difícil. E que um dia eu possa contemplar a tua face. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 2589.

Perguntas sobre Salmo 11

Qual é a mensagem do Salmo 11?

O Salmo 11 é uma oração de confiança. Diante do conselho de fugir porque tudo está desmoronando, o salmista responde que se refugia no Senhor, que reina no céu, vê tudo e ama a justiça.

O que significa quando os fundamentos são destruídos?

É a imagem de uma sociedade em que as bases da justiça e da ordem estão abaladas. Os conselheiros do salmista acham que, nessa situação, o justo nada pode fazer; ele responde que Deus continua no seu trono.

Qual é o número do Salmo 11 na liturgia?

Na numeração litúrgica, que segue a tradução grega e a Vulgata, o Salmo 11 corresponde ao Salmo 10.

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