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Números 7: as ofertas dos chefes na dedicação do altar

Leia Números 7 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

O profeta Balaão, sua jumenta e o anjo do Senhor no caminho
Rembrandt, Balaão e a jumenta, 1626. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Números 7 narra a festa de dedicação da Morada e do altar. Os chefes das doze tribos trazem carros e bois para o transporte do santuário e, durante doze dias, cada um apresenta, em nome da sua tribo, uma oferta exatamente igual à dos outros. O capítulo, um dos mais longos do Pentateuco, termina com Moisés entrando na Tenda e ouvindo a voz de Deus que lhe fala de cima do propiciatório.

Contexto de Números 7

O texto volta um pouco no tempo: tudo acontece no dia em que Moisés terminou de erguer a Morada e a ungiu e consagrou, com o altar e todos os seus utensílios, como narra o fim do Êxodo. Depois das leis dos capítulos 5 e 6, a narrativa retoma o momento da inauguração do santuário. Os chefes que aparecem são os mesmos do recenseamento de Números 1, e a ordem das tribos é a mesma da marcha descrita em Números 2, começando por Judá.

Explicação de Números 7

Versículos 1 a 9: os carros para os levitas

Os chefes das tribos trazem seis carros cobertos e doze bois, um carro para cada dois chefes e um boi para cada um. Deus manda Moisés aceitar a oferta e entregá-la aos levitas, conforme o serviço de cada clã. Os gersonitas, que carregam as cortinas, recebem dois carros e quatro bois; os meraritas, que carregam a estrutura pesada, recebem quatro carros e oito bois. Os caatitas não recebem nada, porque os objetos santos devem ser levados aos ombros (Nm 7,9).

O detalhe mostra que a oferta do povo serve a uma necessidade concreta e é distribuída com critério. Também reforça o que se disse em Números 4: o que é mais santo não vai sobre rodas, mas nos ombros dos que servem.

Versículos 10 e 11: um chefe por dia

Para a dedicação do altar, os chefes trazem suas ofertas. Deus determina que cada um as apresente num dia diferente. Assim a festa dura doze dias, e cada tribo tem o seu dia diante do Senhor.

Versículos 12 a 83: doze ofertas idênticas

Esta é a parte mais longa e repetitiva do capítulo. No primeiro dia, Naasson, chefe de Judá, apresenta sua oferta. O texto a descreve em detalhe: um prato de prata e uma bacia de prata, cheios de flor de farinha amassada com azeite, para a oferta de cereais; uma taça de ouro cheia de incenso; animais para o holocausto, um bode para o sacrifício pelo pecado e vários animais para o sacrifício de comunhão.

Nos onze dias seguintes, os chefes de Issacar, Zabulon, Rúben, Simeão, Gad, Efraim, Manassés, Benjamim, Dã, Aser e Neftali apresentam ofertas exatamente iguais, e o texto repete a lista completa a cada vez. Para nós, a repetição cansa. Para Israel, era solene, como uma ladainha. Ela diz algo importante: nenhuma tribo oferece mais que a outra, nenhuma é esquecida, cada uma tem seu nome registrado diante de Deus. A tribo grande e a pequena são iguais diante do altar.

Os três tipos de sacrifício também têm sentido. O holocausto, queimado por inteiro, expressa a entrega total a Deus. O sacrifício pelo pecado pede o perdão. O sacrifício de comunhão, partilhado em refeição, celebra a amizade com Deus. Toda a vida do povo é oferecida na dedicação do altar.

Versículos 84 a 88: o total das ofertas

O capítulo soma tudo: doze pratos de prata, doze bacias de prata e doze taças de ouro, além de todos os animais. O peso da prata chega a 2.400 siclos e o do ouro a 120 siclos. A soma final mostra que a generosidade de cada tribo forma, junta, uma grande oferta comum.

Versículo 89: a voz sobre o propiciatório

O último versículo muda de tom. Quando Moisés entra na Tenda do Encontro para falar com Deus, ouve a voz que lhe fala de cima do propiciatório, a tampa de ouro da Arca, entre os dois querubins. Era exatamente o que Deus tinha prometido (Ex 25,22). Depois de tantas ofertas do povo, vem a resposta de Deus: ele fala. O altar foi dedicado, e o santuário se torna lugar de encontro e diálogo.

O que Números 7 ensina para a fé católica?

A dedicação do altar no deserto lembra a dedicação das igrejas e dos altares na liturgia católica, em que o altar é ungido e consagrado para o sacrifício. No altar cristão já não se oferecem animais: ali se torna presente o único sacrifício de Cristo, que deu sentido a todas as ofertas antigas. A carta aos Hebreus explica que o sangue de animais era figura e que Cristo se ofereceu de uma vez por todas (Hb 9,11-14).

O propiciatório, de onde Deus falava, também ganha nova luz. São Paulo diz que Deus apresentou Cristo como instrumento de expiação pelo seu sangue (Rm 3,25), e a palavra grega usada ali é a mesma que a tradução grega do Antigo Testamento usa para o propiciatório. Em Cristo, Deus fala e perdoa: ele é o lugar do encontro definitivo entre Deus e a humanidade.

Por fim, as ofertas iguais ensinam a dignidade de cada membro do povo de Deus. Na Igreja, todos são chamados a participar do ofertório da Missa, unindo ao pão e ao vinho a própria vida (veja o que fazer durante o ofertório).

Reflexão para hoje

Doze vezes a mesma oferta, com as mesmas palavras. A repetição do capítulo 7 pode ensinar algo à nossa vida de oração. Muitas orações da Igreja se repetem: o terço, a Liturgia das Horas, a Missa de cada dia. A repetição não é falta de criatividade; é fidelidade. Cada dia tem a sua oferta, e Deus a recebe com o mesmo amor do primeiro dia.

Também é bonito ver que ninguém oferece mais para aparecer. Em nossas comunidades, às vezes a generosidade vira competição ou vaidade. O capítulo mostra outro modelo: cada um dá a sua parte, com igual dignidade, e tudo junto forma a oferta do povo.

E o capítulo termina com Deus falando. Quem leva a vida ao altar, cedo ou tarde ouve a voz do Senhor. Oferecer e escutar caminham juntos.

Para rezar com Números 7

  • O que eu levo ao altar quando participo da Missa: só o corpo presente ou também a minha vida?
  • Minha generosidade na comunidade é discreta ou procura reconhecimento?
  • Reservo momentos para escutar a voz de Deus depois de rezar?

Sugestão de oração:

Senhor, recebe a oferta da minha vida, unida ao sacrifício do teu Filho no altar. Que eu te dê o que tenho com simplicidade e alegria, sem buscar aparecer. E quando eu entrar na tua presença, fala-me como falavas a Moisés, para que eu conheça a tua vontade. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB).

Perguntas sobre Números 7

Por que Números 7 repete doze vezes a mesma oferta?

Porque cada chefe de tribo apresentou, em seu dia, uma oferta idêntica. A repetição solene mostra que todas as tribos têm igual dignidade diante de Deus e que nenhuma foi esquecida.

Por que os caatitas não receberam carros?

Porque eles carregavam os objetos mais santos, como a Arca, que deviam ser levados aos ombros, com varais, e não sobre carros.

O que é o propiciatório de Números 7,89?

Era a tampa de ouro da Arca da Aliança, com dois querubins. Dali Deus falava a Moisés. Para os cristãos, é figura de Cristo, em quem Deus nos perdoa e fala conosco.

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