Tempo Comum, 30ª semana Liturgia de hoje
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Mateus

Mateus 25: as dez virgens, os talentos e o juízo final

Leia Mateus 25 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

São Mateus, idoso e de barba branca, recebe o Evangelho de um anjo que aponta o livro, pintura de Guercino
Guercino, São Mateus e o Anjo, 1622. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Mateus 25 conclui o discurso de Jesus sobre o fim dos tempos com três textos muito conhecidos: a parábola das dez virgens, que ensina a vigilância; a parábola dos talentos, que ensina a fazer frutificar os dons recebidos; e a cena do juízo final, em que o Filho do Homem julga as nações pelo amor aos mais pequeninos.

Contexto de Mateus 25

O capítulo continua o discurso do monte das Oliveiras (Mateus 24). Depois de dizer que ninguém sabe o dia nem a hora, Jesus explica como se vive essa espera. As duas parábolas falam de uma demora: o noivo tarda, o senhor viaja por muito tempo. A comunidade cristã precisava entender como viver fiel enquanto aguardava a volta de Cristo. O juízo final é o ponto alto do discurso e o último grande ensinamento de Jesus antes da paixão.

Explicação de Mateus 25

Versículos 1 a 13: as dez virgens

O Reino é comparado a dez jovens que saem com suas lâmpadas ao encontro do noivo. Nos casamentos da época, o noivo ia buscar a noiva e a levava para a sua casa, muitas vezes à noite, acompanhado por um cortejo com lâmpadas. Cinco jovens eram prudentes e levaram óleo de reserva; cinco eram imprudentes e não levaram. O noivo demora, e todas cochilam. À meia-noite, ouve-se um grito: o noivo está chegando.

As imprudentes pedem óleo às outras, que respondem que não dará para todas e as mandam comprar. Enquanto vão, o noivo chega, as que estavam preparadas entram para a festa, e a porta é fechada. Depois as outras chegam pedindo que se abra, e o noivo responde: não vos conheço. Jesus conclui: vigiai, pois não sabeis o dia nem a hora. O óleo não pode ser emprestado porque representa algo pessoal: a fé vivida, as obras, a amizade com o Senhor. Ninguém pode estar preparado no lugar do outro.

Versículos 14 a 30: os talentos

Um homem, antes de viajar, confia seus bens aos servos: a um dá cinco talentos, a outro dois, a outro um, a cada um segundo a sua capacidade. O talento era uma grande soma de dinheiro, equivalente a muitos anos de salário; foi desta parábola que a palavra passou a significar habilidade. O primeiro e o segundo negociam e dobram o valor. O terceiro cava um buraco e esconde o dinheiro.

Depois de muito tempo, o senhor volta e acerta contas. Aos dois primeiros diz a mesma frase: muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, eu te confiarei muito; vem participar da alegria do teu senhor. O terceiro se justifica dizendo que sabia que o senhor era duro e que teve medo. O senhor o chama de servo mau e preguiçoso: se pensava assim, devia ao menos ter depositado o dinheiro com os banqueiros para render juros. O talento lhe é tirado e dado ao que tem dez. A quem tem, será dado mais; a quem não tem, até o que tem lhe será tirado. O problema do terceiro servo foi o medo e a imagem errada de Deus, que o paralisaram.

Versículos 31 a 46: o juízo final

Quando o Filho do Homem vier na sua glória com todos os anjos, sentará no seu trono e todas as nações serão reunidas diante dele. Ele separará uns dos outros como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. Na Palestina, os rebanhos pastavam misturados durante o dia e eram separados à noite. O Filho do Homem aparece aqui como Rei.

Aos da direita, o Rei diz: vinde, benditos de meu Pai, recebei o Reino preparado para vós desde a criação do mundo. Porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, era estrangeiro e me acolhestes, estava nu e me vestistes, doente e me visitastes, na prisão e fostes me ver. Os justos se surpreendem: quando foi que te vimos assim? E o Rei responde: “Todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,40).

Aos da esquerda, o Rei diz o contrário: afastai-vos de mim para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos, porque não me destes de comer, nem de beber, nem me acolhestes. Eles também se surpreendem, e a resposta é a mesma: o que deixastes de fazer a um destes pequenos, a mim o deixastes de fazer. Uns vão para o castigo eterno, os justos para a vida eterna. Note que os condenados não são acusados de grandes crimes, mas de omissão.

O que Mateus 25 ensina para a fé católica?

O juízo final é parte da fé que professamos no Credo: Cristo virá julgar os vivos e os mortos. A Igreja ensina que a vida eterna e a condenação eterna são possibilidades reais, decididas pela liberdade de cada pessoa diante do amor de Deus. Ao mesmo tempo, o texto mostra o critério do juízo: o amor concreto. Daqui vem a lista tradicional das obras de misericórdia corporais (dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, vestir os nus, acolher os peregrinos, visitar os enfermos e os presos), à qual a tradição acrescentou enterrar os mortos. Veja o que a Igreja ensina sobre a vida eterna.

A identificação de Cristo com os pequeninos é central para a doutrina social da Igreja e para a vida de santos como Santa Teresa de Calcutá e Santa Dulce dos Pobres. O trecho do juízo final é proclamado na solenidade de Cristo Rei no Ano A, e as parábolas das virgens e dos talentos aparecem nos últimos domingos do Tempo Comum do mesmo ano. A parábola das virgens também inspira a espiritualidade da vida consagrada, como espera vigilante do Esposo.

Reflexão para hoje

As três passagens respondem à mesma pergunta: o que fazer enquanto esperamos o Senhor? A primeira diz: mantenha a lâmpada acesa, cultive a fé hoje, não deixe a oração para depois. A segunda diz: não enterre o que recebeu. Cada um tem dons, tempo, saúde, inteligência, recursos. Deus não pede que tenhamos cinco talentos, pede que façamos render o que temos, sem medo.

A terceira coloca o rosto de Cristo no rosto do pobre. O morador de rua, o idoso esquecido no asilo, o preso, o imigrante, o doente da família que exige cuidado diário. Os justos não sabiam que estavam servindo a Jesus; serviram porque amavam. A fé verdadeira se torna atenção ao outro.

Isso não é um peso, é uma graça. Toda visita, toda refeição partilhada, todo gesto de cuidado é um encontro com o Senhor. O juízo começa a acontecer agora, nas escolhas pequenas de cada dia.

Para rezar com Mateus 25

  • Minha lâmpada está acesa, ou tenho deixado a fé para depois?
  • Que talento recebi de Deus e tenho mantido enterrado por medo?
  • Quem é o pequenino em quem Cristo me espera nesta semana?

Sugestão de oração:

Senhor Jesus, Rei do universo, mantém acesa a minha lâmpada até o dia do teu encontro. Livra-me do medo que enterra os dons que me deste. Abre os meus olhos para te reconhecer nos que têm fome, nos doentes, nos presos e nos estrangeiros, e dá-me um coração pronto para servir. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Credo Niceno-Constantinopolitano.

Perguntas sobre Mateus 25

O que significa a parábola das dez virgens?

A parábola ensina a vigilância. O óleo representa a fé vivida e as boas obras, que ninguém pode emprestar ao outro. Por isso é preciso estar preparado sempre, pois não sabemos o dia nem a hora.

Qual a mensagem da parábola dos talentos?

Deus confia dons a cada pessoa e espera que eles frutifiquem. O servo condenado é o que, por medo e por uma imagem errada de Deus, enterrou o que recebeu.

Como será o juízo final segundo Mateus 25?

Cristo, como Rei, julgará todas as nações pelo amor concreto aos mais pequeninos. Ele se identifica com os que têm fome, sede, estão nus, doentes, presos ou são estrangeiros.

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