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Mateus

Mateus 24: o fim dos tempos e a vinda de Jesus

Leia Mateus 24 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

São Mateus, idoso e de barba branca, recebe o Evangelho de um anjo que aponta o livro, pintura de Guercino
Guercino, São Mateus e o Anjo, 1622. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Mateus 24 é o início do discurso de Jesus sobre o fim dos tempos, feito no monte das Oliveiras. Ele anuncia a destruição do Templo de Jerusalém, fala de guerras, perseguições e falsos messias, descreve a vinda gloriosa do Filho do Homem e insiste num ponto: ninguém sabe o dia nem a hora, por isso é preciso vigiar.

Contexto de Mateus 24

Este é o quinto e último grande discurso de Jesus no Evangelho de Mateus, que continua no capítulo 25. É chamado de discurso escatológico, de escatologia, a parte da fé que trata das realidades últimas. Jesus acaba de deixar o Templo depois de lamentar sobre Jerusalém (Mateus 23). O estilo é o da literatura apocalíptica, comum na época, com imagens fortes de sinais no céu e na terra, como no livro de Daniel. O texto entrelaça dois horizontes: a destruição de Jerusalém, que aconteceu no ano 70 com os romanos, e a vinda final de Cristo, no fim da história.

Explicação de Mateus 24

Versículos 1 e 2: o anúncio da destruição do Templo

Ao saírem do Templo, os discípulos mostram a Jesus as construções. O Templo reformado por Herodes, o Grande, era uma obra impressionante, com pedras enormes. Jesus responde que não ficará pedra sobre pedra. Essa palavra se cumpriu quando as tropas romanas destruíram Jerusalém e o Templo no ano 70.

Versículos 3 a 14: o princípio das dores

No monte das Oliveiras, de onde se avista o Templo, os discípulos perguntam quando isso acontecerá e qual será o sinal da sua vinda e do fim do mundo. Jesus começa com um aviso: cuidado para que ninguém vos engane. Muitos virão em seu nome dizendo que são o Cristo. Haverá guerras, rumores de guerras, fomes e terremotos, mas ainda não é o fim; é o princípio das dores, imagem das dores de parto que antecedem um nascimento.

Os discípulos serão perseguidos e odiados por causa do seu nome. Muitos cairão, falsos profetas enganarão, e o amor de muitos esfriará por causa da maldade. Mas quem perseverar até o fim será salvo. E este Evangelho do Reino será anunciado no mundo inteiro, como testemunho a todas as nações. A missão da Igreja acontece no meio das crises da história.

Versículos 15 a 28: a grande tribulação

Jesus fala da abominação da desolação, expressão tirada de Daniel (Dn 9,27; 11,31), que designava a profanação do Templo pelo rei Antíoco IV no século II antes de Cristo. O texto acrescenta um aviso: quem lê, entenda. Quando isso acontecer, os que estiverem na Judeia fujam para os montes, sem voltar para buscar nada. Ai das grávidas e das que amamentam naqueles dias. Rezai para que a fuga não seja no inverno nem num sábado. Haverá uma tribulação como nunca houve, mas por causa dos escolhidos aqueles dias serão abreviados.

Jesus repete o alerta contra falsos cristos e falsos profetas que farão sinais para enganar. Se disserem que o Cristo está no deserto ou num lugar escondido, não acrediteis. A vinda do Filho do Homem será como o relâmpago que sai do oriente e brilha até o ocidente: visível a todos, sem necessidade de anúncio secreto. O provérbio sobre os abutres que se juntam onde está o cadáver indica que, quando chegar a hora, será inevitável e evidente.

Versículos 29 a 31: a vinda do Filho do Homem

Depois da tribulação, o sol escurecerá, a lua não dará claridade e as estrelas cairão do céu. São imagens dos profetas para falar de grandes intervenções de Deus na história (Is 13,10). Aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem, e todos o verão vindo sobre as nuvens do céu com poder e grande glória, como na visão de Daniel (Dn 7,13-14). Ele enviará os anjos ao som da trombeta para reunir os escolhidos dos quatro ventos.

Versículos 32 a 35: a lição da figueira

Quando os ramos da figueira ficam tenros e brotam folhas, sabe-se que o verão está próximo. Assim, quando virem essas coisas, saibam que Ele está perto. Jesus diz que esta geração não passará sem que tudo aconteça. A frase é discutida: muitos intérpretes a aplicam aos acontecimentos de Jerusalém, que aquela geração viveu. E acrescenta: o céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão.

Versículos 36 a 44: ninguém sabe o dia nem a hora

Quanto ao dia e à hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas só o Pai. Jesus compara com os dias de Noé: as pessoas comiam, bebiam e casavam, e não perceberam nada até que veio o dilúvio. Assim será: dois estarão no campo, um será levado e o outro deixado; duas mulheres estarão moendo, uma será levada e a outra deixada. Portanto, vigiai. Se o dono da casa soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria. “Ficai preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do Homem” (Mt 24,44).

Versículos 45 a 51: o servo fiel e prudente

Jesus termina com uma parábola. Feliz o servo que o senhor, ao chegar, encontrar cuidando dos companheiros e dando a comida no tempo certo; será colocado à frente de todos os bens. Mas se o servo mau pensar que o senhor vai demorar e começar a bater nos companheiros e a beber com os bêbados, o senhor chegará no dia em que ele não espera, e lhe dará o lugar dos hipócritas. A vigilância não é ficar olhando para o céu; é cumprir bem o próprio serviço.

O que Mateus 24 ensina para a fé católica?

A Igreja professa no Credo que Cristo há de vir em sua glória para julgar os vivos e os mortos. Este capítulo é uma das bases dessa fé. Mas a Igreja sempre recusou as tentativas de marcar datas para o fim do mundo: o próprio Jesus disse que só o Pai conhece o dia. A frase de que nem o Filho sabe é entendida pela tradição como referência ao que não fazia parte da missão que Jesus recebeu para revelar. O que importa é estar preparado.

O Evangelho anunciado a todas as nações mostra que o tempo presente é o tempo da missão. As perseguições e os falsos profetas não devem surpreender o cristão. A Igreja ensina a esperança: a história não caminha para o nada, mas para o encontro com Cristo. Veja o que a Igreja ensina sobre a vida eterna. Ao fim do ano litúrgico e no Advento, a liturgia retoma esses textos para nos lembrar da vigilância; veja o Advento, tempo de preparação e esperança.

Reflexão para hoje

Guerras, crises e catástrofes sempre levam alguns a anunciar que o fim chegou. Jesus pede calma e discernimento: não se deixem enganar. O cristão não vive com medo do fim do mundo, nem distraído como no tempo de Noé. Vive acordado.

O versículo mais atual talvez seja este: o amor de muitos esfriará. Diante de tanta maldade, há o risco de o coração endurecer. Perseverar até o fim é continuar amando quando tudo empurra para a indiferença: continuar rezando, servindo a família, sendo honesto.

O servo fiel não sabe quando o senhor volta, mas cuida da casa todos os dias. Essa é a melhor preparação: fazer bem o que nos foi confiado, hoje. Para cada um de nós, o encontro com Cristo pode chegar antes do fim do mundo, na hora da nossa morte.

Para rezar com Mateus 24

  • Vivo distraído como as pessoas do tempo de Noé, ou atento à presença de Deus?
  • O meu amor tem esfriado diante das dificuldades?
  • Se o Senhor chegasse hoje, como Ele encontraria o serviço que me confiou?

Sugestão de oração:

Senhor Jesus, que virás na tua glória, mantém-me acordado e fiel. Livra-me do medo e dos enganos, e não deixes esfriar o meu amor. Que eu cuide bem do que me confiaste, para que, na hora em que vieres, me encontres servindo com alegria. Vem, Senhor Jesus. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Credo Niceno-Constantinopolitano.

Perguntas sobre Mateus 24

Mateus 24 fala do fim do mundo?

Sim, mas não só. O discurso entrelaça a destruição de Jerusalém, que aconteceu no ano 70, e a vinda gloriosa de Cristo no fim da história. O centro da mensagem é a vigilância.

O que é a abominação da desolação?

É uma expressão do livro de Daniel que indicava a profanação do Templo de Jerusalém. Jesus a usa para falar de um sacrilégio que seria sinal da grande tribulação.

Alguém sabe quando será a volta de Jesus?

Não. Jesus afirma que ninguém conhece o dia nem a hora, só o Pai. Por isso a Igreja rejeita previsões de datas e pede que estejamos sempre preparados.

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