Marcos 16 narra a Ressurreição de Jesus. No primeiro dia da semana, as mulheres encontram o túmulo vazio e ouvem de um jovem vestido de branco que Jesus ressuscitou. O final do capítulo relata as aparições do Ressuscitado, o envio dos discípulos para anunciar o Evangelho a toda criatura e a Ascensão de Jesus ao céu.
Contexto de Marcos 16
O capítulo vem logo depois da morte e da sepultura de Jesus (Marcos 15). As mesmas mulheres que viram onde ele foi colocado voltam ao túmulo depois do sábado. Os discípulos tinham fugido; Pedro tinha negado. Jesus havia anunciado três vezes que ressuscitaria, mas ninguém entendera.
Os versículos 9 a 20, chamados final longo, são para a Igreja Palavra de Deus: canônicos e inspirados, como todo o Evangelho. O Concílio de Trento declarou sagrados e canônicos os livros da Bíblia inteiros, com todas as suas partes, tal como são lidos na Igreja e estão na antiga Vulgata latina, que traz este final. A liturgia o proclama em solenidades importantes. Há, porém, uma questão de manuscritos: alguns códices gregos antigos e importantes terminam em 16,8, enquanto a grande maioria traz o final longo, já conhecido no século II (Santo Ireneu, em Contra as Heresias, livro III, cita o versículo 19 como palavra de Marcos). Por isso muitos estudiosos pensam que esse trecho foi escrito por outra mão, com vocabulário um pouco diferente. Isso não diminui a sua autoridade: a inspiração não depende de sabermos quem redigiu cada linha.
Explicação de Marcos 16
Versículos 1 a 4: as mulheres no túmulo
Terminado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compram perfumes para ungir o corpo de Jesus. No primeiro dia da semana, muito cedo, ao nascer do sol, vão ao túmulo. Era o costume ungir os mortos com aromas, como sinal de carinho. Pelo caminho se perguntam quem vai remover a pedra da entrada, que era muito grande. Ao olhar, veem que ela já foi removida. O primeiro dia da semana será, para os cristãos, o domingo, o dia do Senhor.
Versículos 5 a 8: o anúncio da Ressurreição
Entrando no túmulo, veem um jovem sentado à direita, vestido com uma túnica branca, e ficam assustadas. As roupas brancas indicam um mensageiro de Deus. Ele diz que não se assustem: procuram Jesus de Nazaré, o crucificado. “Ressuscitou, não está aqui” (Mc 16,6). E mostra o lugar onde o haviam colocado. O Ressuscitado é o mesmo que foi crucificado: a cruz não foi um engano, mas o caminho.
O jovem envia as mulheres para dizer aos discípulos e a Pedro que Jesus vai à frente deles para a Galileia, como prometera (Mc 14,28). A menção de Pedro é delicada: aquele que negou é chamado pelo nome. A Galileia é onde tudo começou; os discípulos são convidados a recomeçar o seguimento. As mulheres saem fugindo do túmulo, tomadas de tremor e espanto, e não dizem nada a ninguém, porque tinham medo. É o temor diante de uma ação de Deus que ultrapassa tudo. O silêncio delas, porém, não é a última palavra: a seguir o texto mostra o próprio Ressuscitado vencendo a incredulidade e enviando os discípulos.
Versículos 9 a 11: a aparição a Maria Madalena
Ressuscitado de madrugada, no primeiro dia da semana, Jesus aparece primeiro a Maria Madalena, de quem tinha expulsado sete demônios (Lc 8,2). Ela vai anunciar aos que tinham estado com ele, que estavam de luto e chorando. Mas eles não acreditam. A tradição chama Maria Madalena de apóstola dos apóstolos, por ser a primeira a levar o anúncio. Veja Santa Maria Madalena e o relato de João 20.
Versículos 12 e 13: a aparição a dois discípulos
Depois, Jesus aparece com outra aparência a dois deles que iam para o campo. Eles voltam e contam aos outros, mas também não são acreditados. O episódio corresponde ao dos discípulos de Emaús, narrado em Lucas 24. A insistência na incredulidade mostra que a fé na Ressurreição não nasceu de pessoas crédulas, mas de testemunhas que resistiram a acreditar.
Versículos 14 a 18: o envio dos Onze
Por fim, Jesus aparece aos Onze enquanto estão à mesa e os repreende pela falta de fé e dureza de coração. Mesmo assim, confia a eles a missão: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15). Quem crer e for batizado será salvo; quem não crer será condenado. A fé e o Batismo aparecem unidos. O Catecismo ensina que o próprio Senhor afirma que o Batismo é necessário para a salvação (CIC n. 1257).
Jesus promete sinais que acompanharão os que creem: expulsar demônios em seu nome, falar novas línguas, pegar em serpentes, não sofrer dano ao beber veneno, impor as mãos aos doentes e estes ficarem curados. Os Atos dos Apóstolos narram alguns sinais assim (At 2,4; At 28,3-6). Não são convites a testar a Deus, mas promessa de que a missão será sustentada por ele. O Catecismo cita esta passagem ao falar do cuidado com os doentes, missão que o Ressuscitado renova (CIC n. 1507).
Versículos 19 e 20: a Ascensão e a missão
Depois de falar com eles, o Senhor Jesus é elevado ao céu e senta-se à direita de Deus. Estar à direita de Deus é participar do seu poder e da sua glória, como anunciava o Salmo 110,1, citado por Jesus em Marcos 12 e 14. Os discípulos saem a pregar por toda parte, e o Senhor coopera com eles, confirmando a Palavra com os sinais que a acompanham. O Evangelho termina com a Igreja em missão e com o Senhor presente nela.
O que Marcos 16 ensina para a fé católica?
- Jesus ressuscitou de verdade. O túmulo vazio e as aparições são o fundamento da fé cristã. Professamos no Credo que ele ressuscitou ao terceiro dia. Veja o Tempo Pascal.
- O domingo, dia do Senhor. A Ressurreição no primeiro dia da semana faz do domingo o dia da assembleia cristã. Veja por que vamos à Missa todo domingo.
- Fé e Batismo. O envio une anúncio, fé e sacramento. Saiba mais sobre o Batismo.
- A Ascensão. Jesus, glorificado, está à direita do Pai e continua agindo na Igreja.
- A Igreja é missionária. Todos os batizados participam do mandato de anunciar o Evangelho a toda criatura.
Na liturgia, Marcos 16,1-7 é lido na Vigília Pascal do ano B, e Marcos 16,15-20, na solenidade da Ascensão do Senhor do ano B e na festa de São Marcos, em 25 de abril. Conheça São Marcos Evangelista.
Reflexão para hoje
As mulheres foram ao túmulo preocupadas com uma pedra grande demais para elas. Quantas vezes caminhamos assim, pensando no obstáculo que não conseguiremos remover. Ao chegar, a pedra já tinha sido tirada. Deus age antes de nós. Isso não dispensa o nosso caminho, mas muda o nosso medo.
O recado para Pedro é um dos detalhes mais consoladores do Evangelho. Depois de uma queda, podemos pensar que não temos mais lugar entre os discípulos. O Ressuscitado manda chamar justamente quem falhou. A Galileia, o lugar do primeiro chamado, está sempre aberta para recomeçar.
E os discípulos que não acreditaram foram os mesmos enviados ao mundo inteiro. Jesus não espera discípulos perfeitos para confiar a missão. Em casa, no trabalho, entre os amigos, cada um de nós é chamado a ser testemunha de que o Crucificado vive.
Para rezar com Marcos 16
- Qual é a pedra pesada que me preocupa, e como posso confiá-la a Deus?
- Depois das minhas quedas, acredito que Jesus me chama pelo nome, como chamou Pedro?
- A quem posso anunciar, com palavras e atitudes, que Jesus ressuscitou?
Sugestão de oração:
Senhor Jesus, crucificado e ressuscitado, tu removes as pedras que eu não consigo mover. Chama-me de novo pelo nome, como chamaste Pedro, e leva-me à minha Galileia para recomeçar contigo. Envia-me como testemunha da tua Ressurreição e confirma, com a tua graça, a palavra que eu anunciar. Amém.
Fontes
Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 1257 e 1507; Concílio de Trento, Decreto sobre as Escrituras canônicas (1546); Santo Ireneu, Contra as Heresias. Capítulo anterior: Marcos 15. Leia também Mateus 28 e Lucas 24.
Perguntas sobre Marcos 16
O Evangelho de Marcos termina no versículo 8?
Por que o anjo diz “ide dizer aos discípulos e a Pedro”?
O que significa “ide por todo o mundo e pregai o Evangelho”?
Está lendo a Bíblia inteira? Acompanhe no Plano de leitura da Bíblia ou reze o texto com a Lectio Divina.