Marcos 13 é o discurso de Jesus sobre o fim dos tempos, feito no Monte das Oliveiras diante do Templo. Ele anuncia a destruição do Templo, fala de guerras, perseguições e falsos messias, da vinda do Filho do Homem sobre as nuvens e termina com um apelo insistente: vigiai, porque não sabeis quando será o momento.
Contexto de Marcos 13
Este é o discurso mais longo de Jesus em Marcos e vem logo antes da Paixão. Depois dos debates no Templo (Marcos 12), Jesus sai e senta-se no Monte das Oliveiras, de onde se via todo o conjunto do Templo. O estilo é chamado apocalíptico: usa imagens fortes, cósmicas, comuns em livros como Daniel, para falar da ação de Deus na história.
Os estudiosos discutem como o discurso se articula entre o que se refere à destruição de Jerusalém, ocorrida no ano 70, quando os romanos tomaram a cidade e incendiaram o Templo, e o que se refere ao fim da história. Muitos intérpretes católicos entendem que os dois planos se iluminam: a queda de Jerusalém é sinal e prenúncio do juízo final. O objetivo do texto não é dar um calendário, mas preparar os discípulos para perseverar.
Explicação de Marcos 13
Versículos 1 e 2: o anúncio da destruição do Templo
Saindo do Templo, um discípulo admira as pedras enormes e as construções. O Templo reformado por Herodes era famoso pela grandiosidade. Jesus responde que não ficará pedra sobre pedra. Para um judeu, isso era quase impensável: o Templo era o lugar da presença de Deus.
Versículos 3 a 8: o começo das dores
No Monte das Oliveiras, Pedro, Tiago, João e André perguntam quando isso acontecerá e qual será o sinal. Jesus não responde com datas, mas com advertências. Muitos virão em seu nome dizendo sou eu e enganarão a muitos. Haverá guerras e rumores de guerras, nações contra nações, terremotos e fomes. Não se assustem: isso deve acontecer, mas ainda não é o fim. É o começo das dores de parto. A imagem é de sofrimento que gera vida nova.
Versículos 9 a 13: as perseguições
Jesus avisa que os discípulos serão entregues aos tribunais, açoitados nas sinagogas e levados diante de governadores e reis por causa dele, para dar testemunho. Antes, o Evangelho deve ser anunciado a todas as nações. Quando forem levados a julgamento, não se preocupem com o que dizer: o Espírito Santo falará por eles. Haverá divisões dentro das famílias, e serão odiados por causa do nome de Jesus. Mas quem perseverar até o fim será salvo. Os primeiros leitores de Marcos conheciam bem essas perseguições.
Versículos 14 a 23: a grande tribulação
Jesus fala da abominação da desolação instalada onde não deveria estar, e Marcos acrescenta: quem lê, entenda. A expressão vem de Daniel (Dn 9,27; 11,31; 12,11), que se referia à profanação do Templo pelo rei Antíoco IV Epífanes, no século II antes de Cristo, quando foi colocado um altar pagão no lugar santo (1Mc 1,54). Jesus anuncia uma nova profanação. Então os que estiverem na Judeia devem fugir para os montes, sem voltar para buscar nada. Será uma tribulação como nunca houve, mas Deus abreviará aqueles dias por causa dos escolhidos.
Jesus insiste: se alguém disser que o Cristo está aqui ou ali, não acreditem. Surgirão falsos cristos e falsos profetas com sinais e prodígios para enganar até os escolhidos. Ficai atentos: eu vos preveni de tudo.
Versículos 24 a 27: a vinda do Filho do Homem
Depois daquela tribulação, o sol escurecerá, a lua não dará claridade, as estrelas cairão. São imagens dos profetas (Is 13,10; Is 34,4) para dizer que Deus intervém de modo decisivo e que toda a criação é envolvida. Então verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens com grande poder e glória, como na visão de Daniel 7,13-14. Ele enviará os anjos para reunir os escolhidos dos quatro cantos da terra. A vinda de Cristo não é ameaça para os discípulos: é reunião.
Versículos 28 a 31: a lição da figueira
Quando os ramos da figueira ficam tenros e brotam as folhas, sabe-se que o verão está perto. Assim também, quando virem essas coisas, saibam que ele está perto, às portas. Jesus diz que esta geração não passará até que tudo isso aconteça. A frase é difícil e muito discutida. Uma leitura comum é que ela se refere sobretudo aos acontecimentos ligados à destruição de Jerusalém, que aquela geração viu. E conclui: o céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão.
Versículos 32 a 37: vigiai
Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, somente o Pai. Por isso, toda tentativa de calcular a data do fim do mundo contradiz as palavras de Jesus. Sobre o Filho não saber, o Catecismo explica que Jesus declarou não ter sido enviado para revelar esse dia (CIC n. 474).
Jesus conta uma pequena parábola. Um homem parte em viagem, deixa a casa aos servos, cada um com sua tarefa, e manda o porteiro vigiar. Vigiai, porque não sabeis quando o dono da casa vem: à tarde, à meia-noite, ao canto do galo ou de manhã. São as quatro vigílias da noite no uso romano. O discurso termina com uma palavra para todos: “O que vos digo, digo a todos: vigiai!” (Mc 13,37). As vigílias da noite reaparecerão na Paixão: Jesus é entregue à noite, Pedro o nega ao canto do galo, e de manhã é levado a Pilatos.
O que Marcos 13 ensina para a fé católica?
- Cristo voltará na glória. No Credo professamos que ele há de vir a julgar os vivos e os mortos. Veja o que a Igreja ensina sobre a vida eterna.
- Ninguém sabe o dia. A Igreja rejeita previsões de datas e convida à vigilância serena.
- Oração e vigilância. O Catecismo ensina que, ao anunciar o Reino, Jesus chama à conversão e à fé, mas também à vigilância, citando este capítulo (CIC n. 2612).
- Perseverança na perseguição. O Espírito Santo sustenta o testemunho dos cristãos, e os mártires são a prova disso.
- A liturgia do Advento. No ano B, o final deste capítulo (Mc 13,33-37) é lido no 1º Domingo do Advento, e os versículos 24 a 32 no 33º Domingo do Tempo Comum. Veja o Advento.
Reflexão para hoje
Em tempos de crise, guerras e catástrofes, sempre aparece alguém anunciando que o fim chegou. Jesus nos pede o contrário do pânico: não vos alarmeis. O cristão olha os acontecimentos com seriedade, mas sem medo, porque sabe que a história está nas mãos de Deus e que as palavras de Cristo não passam.
Vigiar não é ficar parado olhando para o céu. Na parábola, cada servo recebe a sua tarefa. Vigiar é fazer bem o que nos foi confiado: cuidar da família, trabalhar com honestidade, rezar, servir. Quem vive assim não precisa saber a hora, porque está pronto.
A pergunta é pessoal: se o Senhor viesse hoje, me encontraria acordado ou dormindo? Não se trata só do fim do mundo, mas também do fim da nossa vida e das visitas diárias de Deus, que muitas vezes passam despercebidas.
Para rezar com Marcos 13
- O que me tira a paz quando ouço notícias de crises e guerras?
- Qual é a tarefa que o Senhor me confiou e que preciso cuidar melhor?
- Em que área da minha vida estou espiritualmente dormindo?
Sugestão de oração:
Senhor Jesus, tu virás na glória para reunir os teus escolhidos. Guarda-me da confusão e do medo. Dá-me um coração vigilante, fiel nas pequenas tarefas de cada dia, para que, quando chegares, à tarde, à meia-noite ou de manhã, me encontres acordado e cheio de esperança. Amém.
Fontes
Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 474 e 2612. Capítulo anterior: Marcos 12. Capítulo seguinte: Marcos 14.
Perguntas sobre Marcos 13
Marcos 13 fala do fim do mundo ou da destruição de Jerusalém?
O que é a abominação da desolação?
Por que nem o Filho sabe o dia e a hora?
Está lendo a Bíblia inteira? Acompanhe no Plano de leitura da Bíblia ou reze o texto com a Lectio Divina.