Hebreus 8 resume o ponto principal da carta: temos um sumo sacerdote que está sentado à direita de Deus nos céus e serve no verdadeiro santuário. O culto antigo era cópia e sombra das realidades celestes. Em seguida, o autor cita a profecia de Jeremias sobre a Nova Aliança, em que Deus escreve a sua lei nos corações e perdoa os pecados.
Contexto de Hebreus 8
Os capítulos 5 a 7 mostraram que Jesus é sumo sacerdote segundo a ordem de Melquisedec. Agora o autor passa a falar do lugar e da aliança desse sacerdócio. Os capítulos 8 a 10 formam o centro da carta e comparam o culto da Primeira Aliança, celebrado na tenda do deserto, com a obra de Cristo. O autor fala sempre da tenda descrita no Êxodo, e não diretamente do Templo de Jerusalém.
Explicação de Hebreus 8
Versículos 1 e 2: o ponto principal
O autor diz expressamente: o ponto principal do que estamos dizendo é este. Temos um sumo sacerdote que se sentou à direita do trono da Majestade nos céus. Ele é ministro do santuário e da verdadeira tenda, armada pelo Senhor e não por mão humana.
A palavra grega usada para ministro é a mesma de onde vem liturgia. Cristo é o liturgo do céu. Ele está sentado, sinal de que a obra está concluída, e ao mesmo tempo serve, sinal de que a sua mediação continua.
Versículos 3 a 5: cópia e sombra
Todo sumo sacerdote é constituído para oferecer dons e sacrifícios; por isso é necessário que também Cristo tenha algo a oferecer. O que ele ofereceu, a carta já disse: a si mesmo (Hb 7,27).
Se estivesse na terra, Jesus nem seria sacerdote, porque ali já há os que oferecem os dons segundo a Lei. Esses sacerdotes prestam culto a uma cópia e sombra das realidades celestes. O autor lembra a ordem dada a Moisés quando ia construir a tenda: faze tudo segundo o modelo que te foi mostrado no monte (Ex 25,40).
A imagem é sugestiva. A tenda do deserto era como uma maquete, uma sombra projetada da realidade verdadeira. Tinha valor, porque apontava para algo real, mas não era a realidade em si.
Versículo 6: um ministério mais excelente
Cristo obteve um ministério muito mais excelente, pois é mediador de uma aliança melhor, fundada em promessas melhores. O sacerdócio, o santuário e a aliança andam juntos: um sacerdócio novo supõe uma aliança nova.
Versículos 7 a 12: a profecia de Jeremias
Se a primeira aliança tivesse sido sem falha, não se procuraria lugar para uma segunda. O autor nota que o próprio Deus, ao falar pelo profeta, aponta uma falha, mais do lado do povo do que da aliança: eles não permaneceram fiéis.
Segue a citação mais longa do Antigo Testamento em todo o Novo Testamento: Jeremias 31,31-34. Deus promete concluir uma aliança nova com a casa de Israel e a casa de Judá, diferente da que fez com os pais quando os tirou do Egito. As suas características são quatro.
Primeira: a lei não ficará apenas em tábuas de pedra; Deus a colocará na mente e a escreverá no coração. Segunda: Deus será o Deus deles e eles serão o seu povo, a fórmula clássica da aliança. Terceira: ninguém precisará ensinar ao irmão dizendo conhece o Senhor, porque todos o conhecerão, do menor ao maior. Conhecer aqui é ter intimidade, não só informação. Quarta: Deus perdoará as suas culpas e não se lembrará mais dos seus pecados.
Versículo 13: o que envelhece
Ao dizer aliança nova, Deus declarou antiga a primeira. E o que se torna antigo e envelhece está perto de desaparecer. No contexto da carta, o autor pensa sobretudo no sistema de sacrifícios e no sacerdócio levítico, que encontram em Cristo o seu cumprimento.
O que Hebreus 8 ensina para a fé católica?
O capítulo ensina que a liturgia da Igreja na terra está unida à liturgia do céu, onde Cristo é o ministro principal. Quando celebramos a Missa, não fazemos um teatro de recordação: unimo-nos ao culto que Cristo presta ao Pai no verdadeiro santuário. O Concílio Vaticano II diz que, na liturgia terrena, participamos por antecipação da liturgia celeste (Sacrosanctum Concilium 8). Veja a página sobre a Sacrosanctum Concilium.
A Nova Aliança anunciada por Jeremias foi selada por Jesus na Última Ceia, quando disse sobre o cálice que era a nova aliança no seu sangue (Lc 22,20; 1Cor 11,25). É por isso que a segunda parte da Bíblia se chama Novo Testamento: testamento traduz a palavra aliança.
Também é importante ler com serenidade o versículo 13. A Igreja ensina que o Antigo Testamento continua sendo Palavra de Deus, inspirada e indispensável, e que deve ser lido à luz de Cristo. O que passa são as instituições de culto que eram figura; o que permanece é a fidelidade de Deus às suas promessas, que se cumprem em Cristo. Não se trata de desprezo pelo povo judeu, a quem a Igreja reconhece como o povo da primeira Aliança.
Por fim, a lei escrita no coração é obra do Espírito Santo. A vida cristã não é apenas obedecer a regras externas, mas deixar que o amor de Deus transforme por dentro.
Reflexão para hoje
Há uma diferença grande entre fazer as coisas porque é obrigação e fazê-las porque se ama. Muitos cristãos vivem a fé como uma lista de regras: ir à Missa, não fazer isso, não fazer aquilo. As regras têm o seu lugar, mas a Nova Aliança promete mais: um coração que deseja o bem.
Esse coração novo não se fabrica com esforço. Ele é pedido e recebido. A oração diária, a leitura da Palavra e os sacramentos vão escrevendo a lei de Deus por dentro, como quem grava aos poucos. Com o tempo, o que antes era peso passa a ser alegria.
E há a última promessa: Deus não se lembrará mais dos pecados. Muitas pessoas confessam o mesmo pecado já perdoado várias vezes, porque não conseguem acreditar no perdão. A Nova Aliança diz que, quando Deus perdoa, ele não guarda ressentimento nem arquivo.
Para rezar com Hebreus 8
- Vivo a minha fé mais como obrigação ou como resposta de amor?
- Quando vou à Missa, lembro que estou unido à liturgia do céu?
- Acredito de verdade que Deus esqueceu os pecados que já me perdoou?
Sugestão de oração:
Senhor Jesus, ministro do verdadeiro santuário, mediador da Nova Aliança, escreve a tua lei no meu coração. Que eu te conheça não só de ouvir falar, mas na intimidade. Obrigado por perdoar os meus pecados e não te lembrares mais deles. Une a minha oração à tua liturgia no céu. Amém.
Fontes
Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Concílio Vaticano II, Constituição Sacrosanctum Concilium, n. 8.
Capítulos vizinhos: Hebreus 7 e Hebreus 9. Veja também Jeremias 31 e Êxodo 25.
Perguntas sobre Hebreus 8
O que é a Nova Aliança em Hebreus 8?
O que significa que o culto antigo era cópia e sombra?
Hebreus 8,13 quer dizer que o Antigo Testamento não vale mais?
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