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Hebreus 7: quem foi Melquisedec, explicação

Leia Hebreus 7 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

O sacerdote Melquisedec oferece pão e vinho a Abraão, figura de Cristo Sumo Sacerdote
Dieric Bouts, O Encontro de Abraão e Melquisedec, 1464–1467. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Hebreus 7 explica quem foi Melquisedec e por que o seu sacerdócio misterioso é figura do sacerdócio de Jesus. O autor compara esse sacerdócio com o dos levitas, descendentes de Aarão, e mostra que Cristo é sacerdote de uma ordem superior: eterno, santo, sem pecado, que ofereceu a si mesmo uma vez por todas e vive sempre para interceder por nós.

Contexto de Hebreus 7

Desde o capítulo 5, o autor vem repetindo um versículo do Salmo 110: tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec. Agora, depois da exortação do capítulo 6, ele finalmente explica esse texto. Para isso, volta ao único relato sobre Melquisedec no Antigo Testamento, Gênesis 14,17-20, e o lê junto com o Salmo 110. A argumentação segue o estilo dos mestres judeus da época, que davam grande peso a cada detalhe do texto e também ao que o texto não diz.

Explicação de Hebreus 7

Versículos 1 a 3: quem era Melquisedec

Melquisedec era rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo. Saiu ao encontro de Abraão, que voltava da vitória sobre os reis, e o abençoou. Abraão lhe deu o dízimo de tudo.

O autor explica o nome. Melquisedec significa rei de justiça, e Salém lembra a palavra shalom, paz; logo, ele é também rei de paz. Justiça e paz são atributos do Messias.

Depois vem um detalhe que surpreende: Melquisedec aparece sem pai, sem mãe, sem genealogia, sem começo de dias nem fim de vida. O autor não está dizendo que ele fosse um ser celeste. Está observando que o Gênesis não diz nada sobre a sua origem nem sobre a sua morte, algo estranho para um sacerdote, já que o sacerdócio em Israel dependia da genealogia. Esse silêncio do texto faz dele uma imagem do Filho de Deus, que não tem começo nem fim. Assim, Melquisedec permanece sacerdote para sempre como figura.

Versículos 4 a 10: maior que Abraão e que Levi

Vede como é grande: até o patriarca Abraão lhe deu o dízimo. Os sacerdotes da tribo de Levi recebem o dízimo dos seus irmãos, que também são filhos de Abraão. Melquisedec, que não é da descendência deles, recebeu o dízimo do próprio Abraão e abençoou aquele que tinha as promessas. E, sem dúvida, quem abençoa é maior que quem é abençoado.

O autor chega a dizer que Levi, de certo modo, pagou o dízimo a Melquisedec por meio de Abraão, pois ainda estava nos lombos do seu antepassado. É uma forma semita de dizer que os descendentes estão contidos no patriarca. A conclusão: o sacerdócio de Melquisedec é superior ao sacerdócio levítico.

Versículos 11 a 19: um novo sacerdócio e uma esperança melhor

Se a perfeição fosse alcançada pelo sacerdócio levítico, por que seria necessário que surgisse outro sacerdote, segundo a ordem de Melquisedec, e não segundo a ordem de Aarão? A própria promessa do Salmo 110 mostra que o antigo sacerdócio não era definitivo.

Ora, mudando o sacerdócio, muda também a lei. E é evidente que nosso Senhor nasceu da tribo de Judá, sobre a qual Moisés nada disse a respeito de sacerdotes. Jesus não era levita. Ele é sacerdote não por uma regra de descendência carnal, mas pela força de uma vida indestrutível, isto é, pela sua Ressurreição.

A antiga prescrição foi posta de lado por ser fraca e inútil, pois a Lei não levou nada à perfeição. É introduzida uma esperança melhor, pela qual nos aproximamos de Deus. A Lei era boa e santa, mas não podia dar o que só Cristo dá: acesso real a Deus e transformação interior.

Versículos 20 a 22: com juramento

Os sacerdotes levitas se tornavam sacerdotes sem juramento. Jesus, ao contrário, foi constituído com juramento, pois o Salmo diz: o Senhor jurou e não se arrependerá. Por isso Jesus se tornou fiador de uma aliança melhor. O fiador é aquele que garante pessoalmente o cumprimento de um compromisso.

Versículos 23 a 25: sempre vivo para interceder

Os sacerdotes antigos eram muitos, porque a morte os impedia de continuar. Jesus, porque permanece para sempre, possui um sacerdócio que não passa. Por isso pode salvar de modo definitivo os que por meio dele se aproximam de Deus, pois está sempre vivo “para interceder por eles” (Hb 7,25). A intercessão de Cristo não é uma súplica ansiosa; é a sua presença permanente diante do Pai com a humanidade que ele assumiu e redimiu.

Versículos 26 a 28: o sacerdote de que precisávamos

Tal era, de fato, o sumo sacerdote que nos convinha: santo, inocente, sem mancha, separado dos pecadores e elevado acima dos céus. Ele não precisa, como os outros sumos sacerdotes, oferecer sacrifícios todos os dias, primeiro pelos próprios pecados e depois pelos do povo. Ele fez isso uma vez por todas, oferecendo-se a si mesmo. A Lei constitui sumos sacerdotes homens sujeitos à fraqueza; a palavra do juramento, posterior à Lei, constitui o Filho, tornado perfeito para sempre.

Pela primeira vez a carta diz claramente que Cristo é ao mesmo tempo o sacerdote e a vítima: ele oferece a si mesmo.

O que Hebreus 7 ensina para a fé católica?

A Igreja reconhece em Melquisedec uma figura de Cristo. O Catecismo ensina que Melquisedec é considerado pela Tradição cristã como prefiguração do sacerdócio de Cristo, o único sumo sacerdote, santo, inocente e sem mancha, que pelo único sacrifício da cruz tornou perfeitos para sempre os que são santificados (CIC n. 1544).

A Tradição também viu no pão e no vinho oferecidos por Melquisedec (Gn 14,18) um anúncio da Eucaristia. Por isso a Oração Eucarística I, o Cânon Romano, pede que Deus aceite a oferta da Igreja como aceitou o sacrifício de Abel, o de Abraão e a oblação de Melquisedec. Saiba mais sobre a Oração Eucarística.

O versículo 25 fundamenta a confiança cristã na intercessão de Cristo. O Catecismo cita este versículo ao falar da oração de intercessão: Jesus é o único intercessor junto do Pai e pode salvar definitivamente os que por ele se aproximam de Deus (CIC n. 2634). Quando os santos intercedem por nós, fazem isso unidos a essa intercessão de Cristo, e não ao lado dela.

Por fim, o “uma vez por todas” do versículo 27 é central. O sacrifício da cruz é único e não se repete. Na Missa, ele não é refeito, mas tornado presente, como a carta ajudará a entender nos próximos capítulos.

Reflexão para hoje

Muitas vezes rezamos com a sensação de que ninguém nos escuta. Hebreus 7 diz que Jesus está sempre vivo para interceder por nós. Antes mesmo de abrirmos a boca, alguém já está diante do Pai com o nosso nome. Isso muda o jeito de rezar: não rezamos sozinhos, rezamos com Cristo.

A figura do fiador também consola. Quando alguém pede um empréstimo e não tem garantias, precisa de um fiador que se comprometa por ele. Diante de Deus, não temos garantias próprias suficientes. Jesus se faz fiador da nossa aliança com o Pai. A nossa salvação não depende da nossa força, mas da fidelidade dele.

Por fim, o capítulo ajuda a olhar os sacerdotes com realismo e gratidão. Eles são homens frágeis, chamados a servir o único sacerdote, Cristo. Rezar pelos padres da sua paróquia é uma forma concreta de viver este capítulo.

Para rezar com Hebreus 7

  • Eu rezo sabendo que Jesus intercede por mim neste momento?
  • Em que situação preciso confiar mais na fidelidade de Cristo do que na minha força?
  • Tenho rezado pelos sacerdotes que servem a minha comunidade?

Sugestão de oração:

Senhor Jesus, sacerdote eterno segundo a ordem de Melquisedec, rei de justiça e de paz, tu vives sempre para interceder por nós. Apresenta ao Pai as minhas necessidades e as de todos os que amo. Sê o fiador da minha fidelidade e santifica os sacerdotes que chamaste. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 1544 e 2634; Missal Romano, Oração Eucarística I.

Capítulos vizinhos: Hebreus 6 e Hebreus 8. Veja também Gênesis 14 e Salmo 110.

Perguntas sobre Hebreus 7

Por que Hebreus 7 diz que Melquisedec não tinha pai nem mãe?

Porque o Gênesis não fala da sua origem nem da sua morte. O autor usa esse silêncio do texto para apresentá-lo como imagem do Filho de Deus, que não tem começo nem fim.

Jesus era sacerdote se não era da tribo de Levi?

Sim. Ele não é sacerdote segundo a ordem de Aarão, mas segundo a ordem de Melquisedec, constituído por juramento de Deus e pela força de uma vida indestrutível.

O que significa que Jesus vive para interceder por nós?

Significa que Cristo ressuscitado está sempre diante do Pai em nosso favor, com a humanidade que redimiu. Por isso pode salvar definitivamente quem se aproxima de Deus por meio dele.

Está lendo a Bíblia inteira? Acompanhe no Plano de leitura da Bíblia ou reze o texto com a Lectio Divina.