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Efésios 3: o mistério revelado e o amor de Cristo

Leia Efésios 3 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

São Paulo com auréola escreve em um livro com a pena, junto à espada
Guercino (atribuído), São Paulo, séc. XVII. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Efésios 3 apresenta Paulo, prisioneiro por causa de Cristo, como servidor de um mistério antes escondido e agora revelado: os pagãos são coerdeiros e membros do mesmo Corpo junto com Israel. O capítulo termina com uma das orações mais belas do Novo Testamento, pedindo que os cristãos conheçam o amor de Cristo, que ultrapassa todo conhecimento.

Contexto de Efésios 3

O capítulo 2 mostrou que Cristo derrubou o muro entre judeus e pagãos e fez dos dois um só povo. Agora o autor fala da missão de Paulo a serviço dessa unidade. Ele começa uma oração no versículo 1, interrompe para explicar seu ministério nos versículos 2 a 13 e retoma a oração no versículo 14. Essa interrupção é típica do estilo da carta. Como dito em Efésios 1, há debate sobre se a carta foi escrita pelo próprio Paulo ou por um discípulo; o texto, de todo modo, fala na voz do Apóstolo.

Explicação de Efésios 3

Versículos 1 a 6: o mistério revelado

Paulo se apresenta como prisioneiro de Cristo Jesus em favor dos pagãos. A prisão não é uma desgraça sem sentido; ela faz parte da missão. Ele lembra que recebeu a administração da graça de Deus em favor deles e que, por revelação, conheceu o mistério de Cristo.

Esse mistério não foi dado a conhecer às gerações passadas como agora foi revelado, pelo Espírito, aos santos apóstolos e profetas. E o conteúdo é este: os pagãos são coerdeiros, membros do mesmo Corpo e participantes da mesma promessa em Cristo Jesus, por meio do Evangelho. O Antigo Testamento já anunciava que as nações viriam a Deus (Is 2,2-3; 60,3). A novidade é o modo: os pagãos entram com igualdade plena, sem precisar se tornar judeus.

Versículos 7 a 9: o menor de todos os santos

Paulo se tornou ministro desse Evangelho pelo dom da graça de Deus. E se define como o menor de todos os santos. Ele não esquece que perseguiu a Igreja (1Cor 15,9). Justamente a ele foi dada a graça de anunciar aos pagãos a riqueza insondável de Cristo, isto é, uma riqueza tão grande que não se consegue medir. Sua missão é mostrar a todos como se realiza o plano do mistério escondido desde sempre em Deus, criador de todas as coisas.

Versículos 10 a 13: a Igreja revela a sabedoria de Deus

O plano de Deus é que, por meio da Igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja dada a conhecer aos principados e potestades nos céus. Essas expressões designam forças espirituais. A própria Igreja, formada por povos antes inimigos e agora unidos, é a prova visível da sabedoria de Deus. Esse era o desígnio eterno realizado em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Em Cristo, pela fé nele, temos a liberdade de nos aproximar de Deus com confiança. A palavra usada indica a franqueza de quem fala sem medo, como um filho diante do pai. Por isso Paulo pede que os destinatários não desanimem por causa das tribulações que ele sofre por eles: são, na verdade, uma glória para eles.

Versículos 14 e 15: de joelhos diante do Pai

Paulo retoma a oração: por isso dobro os joelhos diante do Pai. Os judeus costumavam rezar de pé; ajoelhar-se indicava uma súplica especialmente intensa. O versículo 15 diz que do Pai toda família nos céus e na terra recebe o nome. Em grego há um jogo de palavras entre pai e família, ou paternidade. Toda paternidade e todo vínculo familiar têm sua origem e seu modelo em Deus.

Versículos 16 a 19: enraizados no amor

Paulo pede que o Pai, segundo a riqueza da sua glória, fortaleça os cristãos pelo seu Espírito no homem interior. Pede que Cristo habite pela fé em seus corações, e que eles estejam enraizados e fundados no amor. São duas imagens, a da árvore e a do edifício: o amor é ao mesmo tempo raiz e alicerce.

Assim poderão compreender, com todos os santos, a largura, o comprimento, a altura e a profundidade. Paulo não diz de quê; o contexto mostra que fala do amor de Cristo, que se estende em todas as direções. E pede o que parece impossível: conhecer o amor de Cristo, que excede todo conhecimento. Conhecer, na Bíblia, é mais do que entender; é experimentar. O objetivo final é ficar repleto de toda a plenitude de Deus.

Versículos 20 e 21: a doxologia

O capítulo termina com um louvor. Glória àquele que, pelo poder que age em nós, pode fazer muito mais do que pedimos ou pensamos. Deus sempre supera nossas expectativas. A ele a glória na Igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para sempre. Amém. A primeira parte da carta, mais doutrinal, termina aqui; o capítulo 4 começa as exortações práticas.

O que Efésios 3 ensina para a fé católica?

O capítulo mostra o caráter católico, isto é, universal, da Igreja. A salvação em Cristo é oferecida a todos os povos com igual dignidade. Não por acaso, a Igreja lê Efésios 3,2-3a.5-6 na Solenidade da Epifania do Senhor, quando celebra a manifestação de Cristo aos magos, representantes dos povos pagãos.

O texto também ensina que a Igreja faz parte do plano eterno de Deus. Ela não é uma invenção posterior dos discípulos, mas o lugar onde se manifesta a sabedoria de Deus que reúne a humanidade dispersa. O Concílio Vaticano II, na constituição Lumen Gentium, descreve a Igreja como sacramento, isto é, sinal e instrumento da união íntima com Deus e da unidade de todo o gênero humano.

Por fim, o versículo 15 ilumina a família cristã. Toda paternidade humana tem sua fonte em Deus Pai. Por isso os pais são chamados a refletir, com seus limites, o amor de Deus. A família cristã é chamada Igreja doméstica.

Reflexão para hoje

Paulo estava preso e, mesmo assim, não reclama nem pede pena. Ele vê sua situação dentro da missão. Muitas pessoas vivem prisões de outro tipo: uma doença longa, um trabalho difícil, o cuidado de um familiar dependente. Efésios 3 sugere uma pergunta: como Deus pode usar esta situação para o bem de outros? Isso não elimina a dor, mas lhe dá sentido.

A oração dos versículos 14 a 21 pode ser rezada por nós e pelas pessoas que amamos. Muitas vezes pedimos a Deus coisas pequenas e urgentes. Paulo pede algo maior: que Cristo habite no coração e que conheçamos seu amor. É uma ótima oração para pais rezarem pelos filhos, ou esposos um pelo outro.

E a doxologia final consola. Deus pode fazer muito mais do que pedimos ou imaginamos. Quando os planos não saem como esperávamos, isso não significa que Deus esqueceu. Às vezes, ele está preparando algo maior.

Para rezar com Efésios 3

  • Como vejo as minhas limitações e sofrimentos: como obstáculo ou como parte da missão que Deus me deu?
  • Estou enraizado no amor de Cristo, ou minha fé está apoiada em outras coisas?
  • Por quem eu posso rezar hoje a oração de Paulo, pedindo que Cristo habite em seu coração?

Sugestão de oração:

Pai, de quem toda família recebe o nome, dobro os joelhos diante de ti. Fortalece-me pelo teu Espírito e faze que Cristo habite no meu coração. Enraíza-me no amor e dá-me conhecer o amor de Cristo, que ultrapassa tudo o que eu possa entender. A ti a glória para sempre. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Missal Romano, Solenidade da Epifania do Senhor; Concílio Vaticano II, constituição dogmática Lumen Gentium.

Perguntas sobre Efésios 3

Qual é o mistério de que fala Efésios 3?

É o plano de Deus, antes escondido e agora revelado, de que os pagãos são coerdeiros, membros do mesmo Corpo e participantes da mesma promessa em Cristo, junto com Israel.

O que significa a largura, o comprimento, a altura e a profundidade?

Paulo fala da grandeza do amor de Cristo, que se estende em todas as direções. Ele reza para que os cristãos possam experimentar esse amor, que ultrapassa todo conhecimento.

Efésios 3 é lido em alguma festa?

Sim. Efésios 3,2-3a.5-6 é a segunda leitura da Solenidade da Epifania do Senhor, porque fala da salvação oferecida a todos os povos.

Está lendo a Bíblia inteira? Acompanhe no Plano de leitura da Bíblia ou reze o texto com a Lectio Divina.