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Apocalipse

Apocalipse 6: os quatro cavaleiros e os seis selos

Leia Apocalipse 6 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

São João em Patmos escreve o Apocalipse enquanto contempla a visão da Mulher no céu
Diego Velázquez, São João Evangelista na Ilha de Patmos, 1619–1620. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Apocalipse 6 narra a abertura dos seis primeiros selos do livro que o Cordeiro recebeu. Os quatro primeiros fazem surgir os famosos quatro cavaleiros; o quinto mostra os mártires sob o altar, que clamam por justiça; o sexto traz abalos cósmicos e o medo dos poderosos. O capítulo não é um calendário de desgraças: mostra que até as forças do mal na história estão sob o senhorio do Cordeiro.

Contexto de Apocalipse 6

Em Apocalipse 5, só o Cordeiro imolado foi digno de abrir o livro. Agora ele rompe os selos, e cada um revela um aspecto da história vista a partir de Deus. As imagens vêm dos profetas: os cavalos de cores diferentes de Zacarias (Zc 1,8; 6,1-8), os quatro flagelos de Ezequiel, espada, fome, feras e peste (Ez 14,21), e a linguagem cósmica de Isaías e Joel. Há também paralelos fortes com o discurso de Jesus sobre o fim em Mateus 24: guerras, fomes, perseguição e sinais no céu.

Ao longo dos séculos, houve quem tentasse ligar cada selo a um fato do seu tempo. A leitura católica prefere outro caminho: estes males acompanham toda a história, e o texto quer fortalecer a esperança de quem os sofre, não alimentar o medo.

Explicação de Apocalipse 6

Versículos 1 e 2: o cavalo branco

O Cordeiro abre o primeiro selo, e um dos seres vivos diz com voz de trovão: vem. Aparece um cavalo branco; o cavaleiro tem um arco, recebe uma coroa e sai vencendo. Este é o cavaleiro mais discutido. Uma leitura antiga e difundida vê nele Cristo ou o Evangelho que avança vitorioso, porque em Apocalipse 19,11 Cristo monta um cavalo branco e o branco no livro é sempre cor da vitória de Deus. Outra leitura, também comum entre os estudiosos, vê nele o poder conquistador, talvez lembrando os temidos arqueiros partos, inimigos de Roma; ele abriria a série de males que seguem. As duas interpretações existem na Igreja.

Versículos 3 e 4: o cavalo vermelho

No segundo selo sai um cavalo vermelho, cor de fogo. Seu cavaleiro recebe o poder de tirar a paz da terra, para que os homens se matem uns aos outros, e uma grande espada. É a guerra, inclusive a violência entre irmãos. Note-se que o mal não é causado por Deus: o cavaleiro recebe permissão, isto é, nada escapa ao seu governo.

Versículos 5 e 6: o cavalo preto

No terceiro selo aparece um cavalo preto, e o cavaleiro tem uma balança na mão. Uma voz anuncia preços altíssimos: uma medida de trigo por um denário, que era o salário de um dia de trabalho (Mt 20,2). É a fome e a carestia, que atingem primeiro os pobres. A ordem de não danificar o azeite e o vinho é entendida de modos diferentes: um limite posto ao flagelo, ou a ironia de uma crise que poupa os produtos dos ricos.

Versículos 7 e 8: o cavalo esverdeado

O quarto cavalo tem cor esverdeada, pálida, cor de cadáver. Seu cavaleiro se chama Morte, e a morada dos mortos o acompanha. Recebe poder sobre a quarta parte da terra, para matar pela espada, pela fome, pela peste e pelas feras, os quatro flagelos de Ezequiel. A quarta parte indica um castigo grave, mas limitado. A guerra, a fome e a morte são o que o pecado humano produz quando se afasta de Deus.

Versículos 9 a 11: os mártires sob o altar

O quinto selo muda a cena para o céu. Debaixo do altar, João vê as almas dos que foram mortos por causa da Palavra de Deus e do testemunho que davam. No templo, o sangue dos sacrifícios era derramado na base do altar (Lv 4,7); os mártires são vistos como oferta unida a Deus. Eles clamam em alta voz: «Até quando, Senhor santo e verdadeiro?» (Ap 6,10). É o grito dos salmos diante da injustiça (Sl 13,2; 79,5). Cada um recebe uma veste branca, sinal de vitória e de glória, e ouve que deve descansar ainda um pouco, até que se complete o número dos irmãos que também darão testemunho.

Versículos 12 a 17: o sexto selo e o grande dia

No sexto selo há um grande terremoto; o sol fica escuro como pano de saco, a lua se torna como sangue, as estrelas caem como figos verdes sacudidos pelo vento, o céu se enrola como um rolo e montanhas e ilhas saem do lugar. São imagens dos profetas para falar do dia em que Deus intervém (Is 34,4; Jl 3,4), e não descrições astronômicas. Diante disso, reis, poderosos, chefes militares, ricos, escravos e livres se escondem nas cavernas e pedem às montanhas que caiam sobre eles, como em Oseias 10,8, palavra que Jesus também retomou a caminho da cruz (Lc 23,30). Eles fogem da face de Deus e da ira do Cordeiro. O capítulo termina com uma pergunta: quem poderá ficar de pé? A resposta vem no capítulo seguinte.

O que Apocalipse 6 ensina para a fé católica?

O capítulo afirma a providência de Deus: mesmo quando o mal parece solto, ele age dentro de limites e não tem a última palavra. Deus não é autor do mal, mas nada escapa ao seu governo, e ele pode tirar bem até do sofrimento. A ira do Cordeiro não é raiva descontrolada, e sim o juízo da verdade sobre o mal, que para quem se fecha a Deus se torna motivo de medo.

Os mártires sob o altar mostram que os que morrem fiéis vivem junto de Deus e intercedem. O Catecismo lembra que o Apocalipse se apoia na liturgia celeste e na intercessão das testemunhas, os mártires, e cita justamente este clamor (CIC n. 2642). Desde os primeiros séculos, a Igreja celebra a Missa sobre os túmulos dos mártires, e ainda hoje se conserva o costume de colocar relíquias de santos sob o altar na sua dedicação.

Reflexão para hoje

Guerra, fome, epidemias e mortes violentas não são novidade, e muitas famílias brasileiras conhecem de perto a violência e a carestia. O Apocalipse não esconde essas dores nem as transforma em espetáculo. Ele diz que elas têm limite e que o Cordeiro segura o livro.

O grito dos mártires, até quando, é uma oração legítima. Deus não pede que finjamos que está tudo bem. Podemos levar a ele a nossa revolta diante da injustiça, como os salmistas. A resposta não é uma data, mas uma veste branca e um convite à confiança.

Por fim, a pergunta do último versículo vale para cada um: quem poderá ficar de pé? Não os mais fortes nem os mais ricos, que fogem para as cavernas. Fica de pé quem se apoia no Cordeiro.

Para rezar com Apocalipse 6

  • Diante das notícias de guerra e violência, eu me deixo levar pelo medo ou pela esperança?
  • Que injustiça eu preciso apresentar a Deus com o clamor dos mártires?
  • Em quem eu me apoio para ficar de pé?

Sugestão de oração:

Senhor Deus, santo e verdadeiro, quando o mundo parece entregue à guerra, à fome e à morte, não me deixes cair no medo. Ouve o clamor dos que sofrem injustiça e dá-lhes a tua consolação. Que eu fique de pé apoiado no Cordeiro, e não nas minhas próprias forças. Amém.

A resposta à pergunta final está em Apocalipse 7.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica.

Perguntas sobre Apocalipse 6

Quem são os quatro cavaleiros do Apocalipse?

O vermelho, o preto e o esverdeado representam a guerra, a fome e a morte, males que acompanham a história humana. O cavaleiro branco tem duas leituras principais: alguns veem nele Cristo e o avanço do Evangelho; outros, o poder conquistador e a guerra de invasão.

Apocalipse 6 anuncia acontecimentos de uma data específica?

Não. As imagens usam a linguagem dos profetas para mostrar que a história, com seus sofrimentos, está sob o senhorio do Cordeiro. A Igreja não lê o capítulo como calendário nem identifica os cavaleiros com fatos do jornal.

Quem são as almas debaixo do altar?

São os mártires, mortos por causa da Palavra de Deus e do testemunho que davam. Eles clamam por justiça, recebem vestes brancas e são convidados a esperar um pouco, sinal de que já estão junto de Deus.

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