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2 Coríntios

2 Coríntios 5: nova criatura e reconciliação com Deus

Leia 2 Coríntios 5 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

São Paulo de barba farta e manto azul, com a espada e o livro das Escrituras
Peter Paul Rubens, São Paulo, c. 1611. Domínio público, via Wikimedia Commons.

2 Coríntios 5 fala da esperança da vida eterna e do centro da mensagem cristã: em Cristo, Deus reconciliou o mundo consigo. Paulo compara o corpo a uma tenda passageira, lembra que todos compareceremos diante do tribunal de Cristo, diz que quem está em Cristo é uma nova criatura e faz um apelo: deixai-vos reconciliar com Deus.

Contexto de 2 Coríntios 5

O capítulo continua o final do capítulo 4, em que Paulo contrapõe as coisas visíveis e passageiras às invisíveis e eternas. Ele ainda está explicando o sentido do seu ministério, marcado por sofrimentos. Agora mostra para onde tudo isso aponta: a vida com o Senhor e a reconciliação de toda a humanidade com Deus. A passagem de 2Cor 5,20 a 6,2 é a segunda leitura da Missa da Quarta-feira de Cinzas, que abre a Quaresma.

Explicação de 2 Coríntios 5

Versículos 1 a 5: a tenda e a morada eterna

Paulo usa uma imagem conhecida de quem, como ele, trabalhava fazendo tendas (At 18,3). O corpo mortal é como uma tenda: provisória, que um dia será desmontada. Mas Deus nos prepara uma casa no céu, não feita por mãos humanas, eterna.

Enquanto isso, gememos, desejando ser revestidos dessa morada celeste. Paulo não deseja simplesmente ficar sem corpo. Ele quer que o que é mortal seja absorvido pela vida. É uma forma de falar da ressurreição: não uma fuga do corpo, mas sua transformação. Quem nos preparou para isso é Deus, que nos deu o Espírito como penhor, como garantia, imagem que já apareceu em 2Cor 1,22.

Versículos 6 a 10: caminhar pela fé

Por isso Paulo está sempre cheio de confiança. Enquanto vivemos no corpo, estamos como que longe do Senhor, porque caminhamos pela fé e não pela visão. Ele chega a dizer que preferiria deixar este corpo para ir morar junto do Senhor. Mas o que importa, estando aqui ou lá, é agradar ao Senhor.

O versículo 10 lembra uma verdade séria: todos devemos comparecer diante do tribunal de Cristo, para que cada um receba de acordo com o bem ou o mal que fez enquanto estava no corpo. A fé no juízo não é ameaça, mas lembra que nossas escolhas têm peso e que a vida é responsabilidade diante de Deus. Sobre esse tema, veja o que a Igreja ensina sobre a morte.

Versículos 11 a 15: o amor de Cristo nos impele

Conhecendo o temor do Senhor, Paulo procura convencer as pessoas. Se parece fora de si, é por Deus; se age com sensatez, é pelos coríntios. Ele não quer se promover, mas dar à comunidade motivo para se orgulhar dele diante dos que se gloriam só de aparências.

Então vem uma frase central: “o amor de Cristo nos impele” (2Cor 5,14). A palavra grega sugere algo que pressiona, envolve e move. Não é o medo que move Paulo, mas o amor de Cristo. E ele explica por quê: um só morreu por todos. Jesus morreu por todos para que os que vivem já não vivam para si mesmos, mas para aquele que morreu e ressuscitou por eles.

Versículos 16 e 17: a nova criatura

Por isso Paulo não conhece mais ninguém de modo apenas humano, pelas aparências. Mesmo Cristo, ele já não o conhece assim, como talvez o tivesse julgado antes da conversão. E afirma: se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. O que era antigo passou, e surgiu algo novo. Isaías já anunciava que Deus faria coisas novas (Is 43,18 e 19). Pelo Batismo, essa novidade começa em cada cristão.

Versículos 18 a 21: o ministério da reconciliação

Tudo isso vem de Deus. Ele nos reconciliou consigo por meio de Cristo e confiou aos apóstolos o ministério da reconciliação. Paulo resume: era Deus que, em Cristo, reconciliava o mundo consigo, não levando em conta os pecados das pessoas. O Catecismo cita essa frase ao explicar o sentido do nome de Jesus, o Deus que salva (CIC n. 433).

Por isso os apóstolos são embaixadores de Cristo. É como se Deus mesmo exortasse por meio deles. E Paulo suplica: deixai-vos reconciliar com Deus. O Catecismo usa esse apelo ao falar do sacramento da Penitência (CIC n. 1424) e lembra que Cristo confiou à Igreja o ministério da reconciliação (CIC n. 1442).

O último versículo é um dos mais profundos da carta. Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nos tornássemos justiça de Deus. Jesus nunca pecou. Muitos intérpretes lembram que, no Antigo Testamento hebraico, a mesma palavra pode indicar o pecado e o sacrifício oferecido pelo pecado. O sentido é que Cristo tomou sobre si o peso do nosso pecado, como vítima inocente, e em troca nos dá a sua justiça. É a grande troca da cruz.

O que 2 Coríntios 5 ensina para a fé católica?

O capítulo é uma das bases bíblicas do sacramento da Confissão. A reconciliação com Deus foi realizada por Cristo na cruz, e Ele confiou à Igreja, por meio dos apóstolos e de seus sucessores, o ministério de oferecê-la. Quando o padre absolve, age como embaixador de Cristo.

Ensina também a fé na vida eterna e na ressurreição, o juízo pessoal diante de Cristo e o valor das obras feitas nesta vida. A salvação é dom de Deus, mas pede a nossa resposta livre.

Por fim, afirma que a morte de Cristo foi por todos. Ninguém está excluído do amor de Deus. E quem é batizado se torna nova criatura, chamada a não viver mais para si, mas para Cristo.

Reflexão para hoje

O apelo “deixai-vos reconciliar” é dirigido a pessoas que já eram cristãs. Isso mostra que a reconciliação não acontece uma só vez. Precisamos voltar a Deus sempre que nos afastamos. A Confissão é o lugar onde esse apelo se torna concreto. Se faz tempo que você não se confessa, este capítulo é um convite.

A reconciliação com Deus também se reflete nas relações humanas. Quem se sabe perdoado aprende a não guardar contas dos erros dos outros, como Deus não guardou as nossas. Talvez haja alguém na família com quem precisamos dar o primeiro passo.

E a imagem da tenda ajuda a viver com serenidade. Nossa vida aqui é provisória. Isso não diminui o valor do presente, mas o coloca no lugar certo. Ajuda a não nos apegarmos demais às coisas e a viver cada dia de modo que agrade ao Senhor.

Para rezar com 2 Coríntios 5

  • O que me move na vida de fé: o medo ou o amor de Cristo?
  • Há algo em mim que precisa ser reconciliado com Deus por meio da Confissão?
  • Com quem posso ser hoje instrumento de reconciliação?

Sugestão de oração:

Senhor Jesus, que não conhecestes o pecado e tomastes sobre vós o peso dos meus pecados, eu vos agradeço pela reconciliação que me oferecestes na cruz. Que o vosso amor me impulsione a viver não para mim, mas para vós. Fazei de mim uma nova criatura e instrumento de paz para os meus irmãos. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 433, 1424 e 1442.

Perguntas sobre 2 Coríntios 5

O que significa ser “nova criatura” em 2 Coríntios 5,17?

Significa que quem está unido a Cristo recebe uma vida nova, que começa no Batismo. O que era antigo, a vida marcada pelo pecado, dá lugar à vida da graça.

O que quer dizer que Deus “fez Cristo pecado” por nós?

Jesus nunca pecou, mas tomou sobre si o peso dos nossos pecados como vítima inocente. Muitos intérpretes lembram que a mesma palavra hebraica pode indicar o pecado e o sacrifício pelo pecado.

Qual a relação entre 2 Coríntios 5 e a Confissão?

Paulo diz que Deus confiou aos apóstolos o ministério da reconciliação e que eles são embaixadores de Cristo. A Igreja vê aqui uma base bíblica do sacramento da Penitência.

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