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1 Coríntios

1 Coríntios 15: a ressurreição de Cristo e dos mortos

Leia 1 Coríntios 15 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

São Paulo Apóstolo de manto vermelho segura uma carta e a espada
El Greco, São Paulo Apóstolo, c. 1610–1614. Domínio público, via Wikimedia Commons.

1 Coríntios 15 é o grande capítulo da Bíblia sobre a ressurreição. Paulo recorda o núcleo do Evangelho que recebeu e transmitiu: Cristo morreu por nossos pecados, foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia e apareceu a muitas testemunhas. Em seguida responde a quem negava a ressurreição dos mortos, mostra que Cristo é o primeiro de muitos e explica como será o corpo ressuscitado. O capítulo termina com um canto de vitória sobre a morte.

Contexto de 1 Coríntios 15

Alguns cristãos de Corinto diziam que não existe ressurreição dos mortos. Na cultura grega, muitos pensavam que só a alma era imortal e que o corpo era algo a ser deixado para trás; a ideia de um corpo que volta à vida parecia absurda, como se vê na reação dos atenienses em Atos 17. Paulo deixa este tema para o fim da carta, como ponto culminante. Os problemas tratados antes, como o desprezo pelo corpo em 1 Coríntios 6, estão ligados a essa questão.

Explicação de 1 Coríntios 15

Versículos 1 a 11: o Evangelho da ressurreição

Paulo recorda o Evangelho que anunciou, que os coríntios receberam e no qual permanecem firmes. Ele transmitiu o que ele mesmo recebeu: Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado; ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Esta fórmula é muito antiga, anterior à própria carta, e funciona como um pequeno credo. A menção ao sepultamento reforça que a morte foi real e que a ressurreição envolve o corpo.

Depois Paulo lista as aparições: a Cefas, isto é, Pedro; depois aos Doze; depois a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maioria ainda viva quando a carta foi escrita, e que portanto podiam ser consultados; depois a Tiago e a todos os apóstolos. A lista não inclui as mulheres que os Evangelhos apresentam como primeiras testemunhas, como Maria Madalena, talvez porque Paulo cite uma fórmula oficial de testemunhas.

Por último, Cristo apareceu também a Paulo, como a um nascido fora do tempo. Ele se considera o menor dos apóstolos, indigno do nome, porque perseguiu a Igreja. Mas pela graça de Deus é o que é, e essa graça não foi em vão: trabalhou mais do que todos, não ele, mas a graça de Deus com ele.

Versículos 12 a 19: se Cristo não ressuscitou

Se se anuncia que Cristo ressuscitou, como alguns dizem que não há ressurreição dos mortos? Paulo argumenta com lógica: se os mortos não ressuscitam, Cristo também não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, a pregação é vazia e a fé também é vazia. Os apóstolos seriam falsas testemunhas de Deus, os cristãos ainda estariam em seus pecados, e os que morreram em Cristo estariam perdidos.

A conclusão é direta: se a nossa esperança em Cristo vale só para esta vida, somos os mais dignos de pena de todos os homens. A fé cristã não é apenas uma ética ou uma sabedoria para viver melhor. Ela se apoia num fato: Cristo está vivo.

Versículos 20 a 28: Cristo, primícias dos que morreram

Mas Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. As primícias eram os primeiros frutos da colheita, oferecidos a Deus, sinal de que o resto viria. Como a morte veio por um homem, por um homem vem também a ressurreição. Assim como em Adão todos morrem, em Cristo todos receberão a vida. É o paralelo entre Adão e Cristo, que Paulo desenvolve também em Romanos 5.

Há uma ordem: primeiro Cristo; depois, na sua vinda, os que pertencem a Cristo. Então será o fim, quando Ele entregar o Reino a Deus Pai, depois de destruir todo poder contrário. Paulo cita o Salmo 110 e o Salmo 8: Cristo deve reinar até colocar todos os inimigos debaixo dos pés, e o último inimigo a ser destruído é a morte. Quando tudo lhe estiver submetido, o próprio Filho se submeterá ao Pai, para que Deus seja tudo em todos.

Versículos 29 a 34: argumentos da vida prática

Paulo menciona os que se fazem batizar pelos mortos. O versículo é obscuro: não se sabe a que prática se refere, e há dezenas de interpretações. Uma delas pensa em pessoas que recebiam um rito em favor de parentes falecidos; outras, em quem pedia o Batismo movido pela esperança de reencontrar os mortos. Paulo não a aprova nem a recomenda; apenas observa que ela não teria sentido se os mortos não ressuscitassem. A Igreja nunca adotou essa prática.

Ele acrescenta o próprio exemplo: por que enfrentar perigos a toda hora? Por que dizer que morre a cada dia? Fala de ter lutado com feras em Éfeso, provavelmente uma imagem para adversários perigosos. Se os mortos não ressuscitam, só restaria o lema citado de Isaías 22,13: comamos e bebamos, porque amanhã morreremos. Paulo cita então um verso conhecido, atribuído ao comediógrafo grego Menandro: as más companhias corrompem os bons costumes. E chama os coríntios a voltarem à sobriedade e a não pecar.

Versículos 35 a 49: como ressuscitam os mortos?

Alguém perguntará: como ressuscitam os mortos? Com que corpo voltam? Paulo responde com a imagem da semente. O que se semeia não volta à vida se não morrer. E o que se semeia não é a planta que vai nascer, mas um simples grão. Deus dá a cada semente o corpo que quer. Há corpos diferentes, celestes e terrestres, e até o brilho do sol, da lua e das estrelas é diferente.

Assim será a ressurreição dos mortos: semeado corruptível, o corpo ressuscita incorruptível; semeado sem honra, ressuscita glorioso; semeado na fraqueza, ressuscita cheio de força; semeado corpo natural, ressuscita corpo espiritual. Corpo espiritual não quer dizer corpo feito de espírito, mas corpo inteiramente animado pelo Espírito de Deus. Paulo recorda Gênesis 2,7: o primeiro Adão se tornou um ser vivo; o último Adão, Cristo, tornou-se espírito que dá a vida. Assim como trouxemos a imagem do homem terrestre, traremos também a imagem do homem celeste.

Versículos 50 a 58: a vitória sobre a morte

A carne e o sangue, isto é, o ser humano na sua condição frágil e mortal, não podem herdar o Reino de Deus. Paulo revela um mistério: nem todos morreremos, mas todos seremos transformados, num instante, num abrir e fechar de olhos, ao som da trombeta final. Os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. O que é corruptível precisa se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal precisa se revestir de imortalidade.

Então se cumprirá a palavra de Isaías 25,8: a morte foi engolida pela vitória. E Paulo exclama, com palavras inspiradas em Oseias 13,14: “Ó morte, onde está a tua vitória?” (1Cor 15,55). O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a Lei. Mas graças a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso, sejam firmes, inabaláveis, sempre dedicados à obra do Senhor, sabendo que o trabalho de vocês no Senhor não é em vão.

O que 1 Coríntios 15 ensina para a fé católica?

Este capítulo é um dos fundamentos bíblicos de dois artigos do Credo: Cristo ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e creio na ressurreição da carne. A ressurreição de Jesus é um fato real, testemunhado por muitos, e é o centro da fé. Sem ela, como diz Paulo, a fé seria vazia.

A Igreja ensina que, no fim dos tempos, os mortos ressuscitarão com o próprio corpo, transformado e glorioso. Por isso o corpo dos falecidos é tratado com respeito e a Igreja recomenda o sepultamento, embora permita a cremação quando não é feita contra a fé. Veja o que a Igreja ensina sobre a morte, a vida eterna e se a Igreja permite a cremação.

O Catecismo, ao falar da unidade dos dois Testamentos, lembra que o plano de Deus caminha para o dia em que Deus será tudo em todos (CIC n. 130), citando o versículo 28. E os versículos 20 a 27 são proclamados na solenidade da Assunção de Nossa Senhora: Maria, elevada ao céu em corpo e alma, é a primeira a participar plenamente da ressurreição de Cristo.

Reflexão para hoje

Quem já perdeu alguém sabe o peso da pergunta: o que acontece depois da morte? Paulo não responde com frases vagas. Ele aponta para um fato, o túmulo vazio e as aparições de Cristo, e para uma promessa: o que é semeado na fraqueza ressuscita na força. Diante do caixão de uma pessoa amada, o cristão chora, mas não chora sem esperança.

A ressurreição também muda o modo de viver agora. Se só houvesse esta vida, valeria o lema de comer e beber porque amanhã morreremos. Mas, como Cristo ressuscitou, cada gesto de amor, cada sacrifício escondido e cada trabalho feito no Senhor têm valor eterno. Nada do que fazemos por amor é em vão.

E a imagem da semente consola quem atravessa sofrimento, doença ou velhice. O corpo que se enfraquece não é o fim da história. Deus sabe fazer nascer vida nova do que parece morto.

Para rezar com 1 Coríntios 15

  • Minha fé está apoiada na certeza de que Cristo está vivo?
  • Como a esperança da ressurreição muda o modo como enfrento a morte e o luto?
  • Que trabalho no Senhor estou fazendo achando que é em vão?

Sugestão de oração:

Senhor Jesus ressuscitado, primícias dos que morreram, fortalece a minha fé na tua vitória. Consola os que choram seus mortos e dá-nos a esperança da ressurreição. Que eu permaneça firme na tua obra, sabendo que nada do que faço por amor a ti é em vão. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica; Missal Romano.

Perguntas sobre 1 Coríntios 15

O que Paulo diz sobre a ressurreição em 1 Coríntios 15?

Paulo afirma que Cristo realmente ressuscitou e apareceu a muitas testemunhas, e que sem a ressurreição a fé seria vazia. Ensina que, por causa de Cristo, também os mortos ressuscitarão com um corpo glorioso.

Como será o corpo ressuscitado segundo 1 Coríntios 15?

Paulo usa a imagem da semente: o que se semeia corruptível ressuscita incorruptível, glorioso e cheio de força. Será o mesmo corpo, mas transformado pelo Espírito, a quem Paulo chama de corpo espiritual.

O que significa batizar-se pelos mortos em 1 Coríntios 15,29?

É um versículo obscuro, com muitas interpretações, e não se sabe ao certo a que prática se refere. Paulo apenas o menciona como argumento a favor da ressurreição, sem aprová-lo, e a Igreja nunca adotou tal prática.

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