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Atos dos Apóstolos

Atos dos Apóstolos 17: Paulo no Areópago de Atenas

Leia Atos dos Apóstolos 17 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

Pentecostes: o Espírito Santo desce sobre Maria e os apóstolos reunidos no Cenáculo
Anthony van Dyck, Pentecostes, c. 1618–1620. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Atos dos Apóstolos 17 acompanha Paulo em três cidades gregas: Tessalônica, onde enfrenta tumulto, Bereia, onde encontra ouvintes atentos às Escrituras, e Atenas, onde faz o famoso discurso no Areópago. Ali ele parte de um altar ao deus desconhecido para anunciar o Deus criador e a ressurreição de Jesus. Alguns zombam, outros adiam, e alguns creem.

Contexto de Atos dos Apóstolos 17

Depois de deixar Filipos (Atos 16), Paulo, Silas e Timóteo seguem pela Macedônia, ao longo da Via Egnácia, uma grande estrada romana. Tessalônica era a capital da província, com uma sinagoga importante. Atenas já não tinha o poder político de outros tempos, mas continuava a ser símbolo da filosofia e da cultura grega. Paulo escreverá aos cristãos de Tessalônica as cartas mais antigas do Novo Testamento que conhecemos, segundo a maioria dos estudiosos (1 Tessalonicenses).

Explicação de Atos dos Apóstolos 17

Versículos 1 a 9: tumulto em Tessalônica

Como de costume, Paulo vai à sinagoga e, durante três sábados, discute a partir das Escrituras. Mostra que o Messias devia sofrer e ressuscitar dos mortos, e que esse Messias é Jesus. Alguns judeus, muitos gregos que temiam a Deus e várias mulheres importantes se convertem. Outros, com inveja, juntam desocupados da praça e provocam um tumulto. Não encontrando Paulo, arrastam Jasão, que o hospedava, diante das autoridades. A acusação é grave: estes homens agem contra os decretos de César, dizendo que há outro rei, Jesus. Jasão paga uma fiança e é solto. A pregação do Reino era confundida com rebelião política.

Versículos 10 a 15: os ouvintes de Bereia

À noite, os irmãos enviam Paulo e Silas a Bereia. Os judeus dali são mais abertos: acolhem a palavra com entusiasmo e examinam as Escrituras todos os dias para conferir se tudo é assim. Muitos creem, entre eles mulheres gregas de posição e vários homens. Quando os opositores de Tessalônica chegam para agitar o povo, os irmãos levam Paulo até o mar e depois a Atenas. Silas e Timóteo ficam por um tempo.

Versículos 16 a 21: Paulo diante de Atenas

Esperando os companheiros, Paulo se indigna ao ver a cidade cheia de ídolos. Discute na sinagoga e, todos os dias, na praça pública, a ágora, com quem encontra. Filósofos epicureus e estoicos conversam com ele. Os epicureus buscavam uma vida tranquila, longe do medo dos deuses; os estoicos falavam de uma razão divina que ordena o universo. Alguns chamam Paulo de tagarela; outros pensam que ele anuncia divindades estrangeiras, porque fala de Jesus e da ressurreição. Levam-no ao Areópago para que explique a nova doutrina. Lucas observa, com certa ironia, que os atenienses passavam o tempo apenas dizendo ou ouvindo novidades.

Versículos 22 a 31: o discurso no Areópago

Paulo começa com respeito: os atenienses são muito religiosos. Ele viu um altar com a inscrição “Ao deus desconhecido” e anuncia esse Deus que eles honram sem conhecer. O discurso segue passos claros. Deus criou o mundo e tudo o que nele existe; não habita templos feitos por mãos humanas nem precisa de nada, pois é Ele quem dá a todos vida e respiração. De um só homem fez todos os povos e fixou seus tempos e fronteiras, para que buscassem a Deus, como quem tateia, embora Ele não esteja longe de nós. Paulo afirma que nele vivemos, nos movemos e existimos (At 17,28), e lembra que alguns dos poetas deles disseram que somos da raça de Deus, frase que se encontra no poeta grego Arato. Se somos da raça de Deus, não podemos imaginá-lo como uma estátua de ouro, prata ou pedra. Deus não levou em conta os tempos da ignorância, mas agora chama todos à conversão, porque fixou um dia para julgar o mundo por meio de um homem que Ele ressuscitou dos mortos.

Versículos 32 a 34: as reações

Ao ouvir falar de ressurreição dos mortos, alguns zombam. Para muitos gregos, a ideia de um corpo ressuscitado parecia absurda. Outros dizem que vão ouvi-lo outra vez. Alguns, porém, aderem a Paulo e creem, entre eles Dionísio, membro do Areópago, uma mulher chamada Dâmaris e outros. O resultado parece modesto, mas a semente foi lançada no coração da cultura grega.

O que Atos dos Apóstolos 17 ensina para a fé católica?

O discurso do Areópago é um exemplo clássico de diálogo entre a fé e a razão. Paulo parte do que é verdadeiro na busca religiosa dos atenienses e na sabedoria de seus poetas, e conduz até a revelação de Cristo. A Igreja ensina que a razão humana pode conhecer a existência de Deus a partir das coisas criadas, e que a revelação leva esse conhecimento à plenitude. São João Paulo II recorda esse episódio na encíclica Fides et Ratio (ver resumo da Fides et Ratio e fé e razão).

O texto também ilumina a relação com outras religiões. O Concílio Vaticano II, na declaração Nostra Aetate, ensina que a Igreja nada rejeita do que é verdadeiro e santo nelas, mas anuncia Cristo, caminho, verdade e vida (ver Nostra Aetate). Paulo faz as duas coisas: reconhece a busca sincera e não esconde o centro da fé, a ressurreição.

Por fim, a ressurreição de Jesus é o ponto que divide os ouvintes. A fé católica professa a ressurreição de Cristo e a ressurreição da carne, como rezamos no Credo (ver o Credo explicado).

Reflexão para hoje

Vivemos numa espécie de Atenas: muitas ideias, muitas novidades, muitos ídolos modernos, como o dinheiro, a imagem e o sucesso. Paulo não começa condenando; começa observando e reconhecendo a busca do coração humano. Também nós podemos falar de Deus a colegas e amigos partindo das perguntas que eles já fazem: sentido, sofrimento, amor, morte.

Os ouvintes de Bereia nos ensinam a ler a Bíblia com o coração aberto e a cabeça atenta. Ler um capítulo por dia, comparar, perguntar e conversar sobre ele é um bom caminho para amadurecer na fé.

E não devemos desanimar com resultados pequenos. Em Atenas, poucos creram. Mas Dionísio e Dâmaris têm nome na Bíblia. Cada pessoa que se aproxima de Deus vale todo o esforço.

Para rezar com Atos dos Apóstolos 17

  • Quais são os ídolos da minha cidade e do meu coração?
  • Eu leio as Escrituras com a disposição dos ouvintes de Bereia?
  • Com quem posso conversar sobre Deus partindo das perguntas que essa pessoa já faz?

Sugestão de oração:

Deus criador, em quem vivemos, nos movemos e existimos, tu não estás longe de nenhum de nós. Livra-me dos ídolos que roubam o teu lugar. Dá-me um coração aberto para acolher a tua Palavra e a coragem de anunciar, com respeito, que Jesus ressuscitou. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); São João Paulo II, Carta Encíclica Fides et Ratio; Concílio Vaticano II, Declaração Nostra Aetate.

Perguntas sobre Atos dos Apóstolos 17

Quem era o Deus desconhecido de Atos 17?

Em Atenas, Paulo viu um altar dedicado a um deus desconhecido. Ele aproveitou essa inscrição para anunciar o Deus verdadeiro, criador do céu e da terra, que os atenienses honravam sem conhecer e que se revelou plenamente em Jesus ressuscitado.

O que era o Areópago?

Era uma colina de Atenas e também o nome de um antigo conselho da cidade, que tratava de assuntos importantes, inclusive religiosos. Paulo foi levado ali para explicar a nova doutrina que anunciava.

Por que os judeus de Bereia são elogiados?

Lucas diz que eles receberam a palavra com grande disposição e examinavam as Escrituras todos os dias para ver se o que Paulo dizia era verdade. São exemplo de quem une abertura de coração e estudo da Palavra.

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