Você pediu com fé, rezou terço, fez novena, e a situação continua igual. Se você se pergunta por que Deus não responde minhas orações, saiba primeiro isto: a Igreja ensina que Deus sempre ouve quem reza a Ele. Às vezes a resposta é diferente do que pedimos, às vezes é "espere", e às vezes é um dom maior que ainda não conseguimos enxergar.
Essa dor é antiga e legítima. Os salmos estão cheios dela. E o próprio Catecismo dedica uma parte inteira a essa queixa (CIC 2734 a 2741). Vamos olhar com calma.
Deus ouve mesmo todas as orações?
Sim. Jesus foi muito direto sobre isso:
"Pedi e vos será dado; buscai e achareis; batei e vos será aberto. Pois todo aquele que pede, recebe; quem busca, acha; e a quem bate, será aberto." (Mt 7,7-8)
E logo em seguida deu um exemplo que qualquer pai ou mãe entende: quem daria uma pedra ao filho que pede pão, ou uma cobra ao filho que pede peixe? "Se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai que está nos céus dará coisas boas aos que lhe pedirem" (Mt 7,11).
Repare na promessa: Deus dá coisas boas. Ele não é uma máquina que entrega exatamente o que digitamos. É um Pai que ouve o pedido e responde ao que é verdadeiramente bom para o filho, mesmo quando o filho não entende.
O Catecismo observa que nossa queixa costuma revelar algo sobre nós. Quando louvamos ou agradecemos, não reclamamos de "falta de resposta". Mas quando pedimos algo específico, queremos ver o resultado. O Catecismo convida a perguntar: que imagem de Deus está por trás da minha oração? Eu o vejo como Pai ou como um meio para conseguir o que quero (CIC 2735)?
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Por que às vezes parece que Deus não atende?
Não há uma única explicação, e é preciso cuidado para não transformar o sofrimento de alguém em teoria. Mas a Escritura e a Tradição indicam algumas razões.
1. Pedimos algo que não nos faria bem
São Tiago escreve: "Pedis e não recebeis, porque pedis mal" (Tg 4,3). Nem sempre pedimos mal por maldade. Às vezes pedimos com pressa, com medo ou sem enxergar o todo. Deus vê o caminho inteiro; nós vemos só a próxima curva.
2. A resposta é "espere"
O tempo de Deus não é o nosso. Algumas graças precisam de um coração preparado para recebê-las. A espera pode ser o lugar onde a fé amadurece.
3. A resposta é diferente, e maior
São Paulo pediu três vezes a Deus que tirasse dele um "espinho na carne". A resposta foi outra:
"Basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que a força se manifesta plenamente." (2Cor 12,9)
Paulo não foi atendido no que pediu, mas recebeu algo que transformou sua vida: a experiência da força de Cristo em sua fraqueza.
4. Não sabemos rezar como convém
Isso não é motivo de vergonha. É a condição de todos nós. E Deus mesmo vem em socorro:
"O Espírito vem em socorro da nossa fraqueza. Pois não sabemos o que pedir, nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede por nós com gemidos inefáveis." (Rm 8,26)
Poucos versículos depois, Paulo afirma: "Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus" (Rm 8,28). Tudo, inclusive aquilo que hoje dói.
O que Jesus fez quando o Pai não tirou o cálice?
Esta é talvez a cena mais consoladora para quem sente que Deus está calado. Na noite em que foi preso, Jesus rezou no Getsêmani, com angústia profunda:
"Abbá, Pai! Tudo é possível para ti. Afasta de mim este cálice! Mas não seja o que eu quero, e sim o que tu queres." (Mc 14,36)
O Filho de Deus pediu, e o cálice não foi afastado. Ele passou pela Paixão e pela Cruz. Mas o Pai não o abandonou: a resposta veio na Ressurreição, que trouxe a salvação para o mundo inteiro.
Jesus nos ensina duas coisas aqui. Primeiro, é legítimo pedir com toda a força, até com lágrimas. Segundo, a oração cristã termina sempre na entrega: "seja feita a vossa vontade". Não é resignação triste. É confiança de que a vontade do Pai é amor, mesmo quando passa pela cruz.
Leia também: Por que não sinto nada quando rezo?
Quem já esperou muito tempo: o exemplo de Santa Mônica
Santa Mônica rezou durante muitos anos pela conversão do filho, Agostinho. Ele levava uma vida longe de Deus, seguia ideias contrárias à fé e parecia não mudar nunca. Mônica chorou, insistiu, pediu conselho a um bispo e continuou rezando.
Agostinho se converteu, foi batizado e se tornou bispo e um dos maiores Doutores da Igreja. Mônica viu a conversão do filho pouco antes de morrer.
A história dela não é uma promessa de que tudo acontecerá do jeito que pedimos. É um testemunho de que a oração perseverante não é perdida. Jesus contou a parábola da viúva insistente justamente para mostrar a necessidade de rezar sempre, sem desanimar (Lc 18,1-8). Se até um juiz injusto atende quem insiste, quanto mais Deus, que é Pai.
O que Deus sempre concede a quem pede
Existe um dom que Jesus promete com toda a clareza. No Evangelho de Lucas, depois de falar do pai que não dá cobra ao filho, Ele conclui:
"Quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem!" (Lc 11,13)
Esse é o grande presente. Mesmo quando a situação externa não muda, Deus pode dar força, paz, luz e a capacidade de amar no meio da dificuldade. Quem passa por doenças, perdas e crises pode não receber o que pediu e, mesmo assim, receber o próprio Deus.
O Catecismo lembra que a nossa oração é eficaz porque está unida à oração de Jesus, que sempre é ouvida pelo Pai (CIC 2740 e 2741). Quando rezamos em nome Dele, nossa voz se junta à Dele.
Como rezar quando a resposta demora
Aqui vão passos simples para não desanimar.
- Diga a verdade a Deus. Ele aguenta sua frustração. Reze com os salmos de lamento, como o Salmo 13 ("Até quando, Senhor?"). Use o Encontre na Bíblia para achar textos para cada momento.
- Peça também o Espírito Santo. Junto com o seu pedido, acrescente: "e dá-me o teu Espírito para viver o que vier".
- Agradeça o que já recebeu. Anote, toda noite, três coisas boas do dia. A gratidão abre os olhos para respostas que estavam escondidas. Veja a oração de gratidão a Deus.
- Persevere com fidelidade, não com ansiedade. Escolha um momento diário fixo para apresentar o pedido, por exemplo rezando uma dezena do terço guiado.
- Termine sempre com a entrega. "Seja feita a vossa vontade" não é desistir, é confiar.
- Converse com um padre. Às vezes um olhar de fora ajuda a perceber o que Deus já está fazendo.
Se o peso estiver grande demais e a tristeza estiver tomando conta, procure também um médico ou psicólogo. Buscar ajuda não é falta de fé. Se surgirem pensamentos de desistir de tudo, ligue para o CVV no 188: o atendimento é gratuito e funciona 24 horas.
Sugestão de oração
Pai, tu conheces o meu pedido melhor do que eu. Eu te entrego esta situação e o meu cansaço de esperar. Se for para o meu bem e para a tua glória, concede o que peço. Se não for, dá-me o teu Espírito Santo, para que eu tenha paz e força para viver o que vier. Não seja o que eu quero, mas o que tu queres. Amém.
Perguntas frequentes
Deus não me responde porque estou em pecado?
Deus ouve também o pecador que se volta para Ele, e o primeiro pedido que Ele deseja atender é o pedido de perdão. Se houver pecado grave, a Confissão restaura a amizade com Deus, mas ela não é uma condição para Ele escutar você.
Quanto tempo devo rezar por um pedido?
Não há prazo. Jesus ensinou a rezar sempre, sem desanimar (Lc 18,1). Você pode continuar pedindo enquanto o pedido for bom, sempre entregando o resultado a Deus.
O silêncio de Deus significa que Ele me abandonou?
Não. Deus nunca abandona seus filhos. O silêncio pode ser um tempo de amadurecimento da fé, como viveram muitos santos. Leia também sobre a aridez espiritual.
Existe oração que obriga Deus a atender?
Não. Nenhuma oração funciona como fórmula para forçar a vontade de Deus. A oração é um diálogo de confiança com um Pai que sabe do que precisamos.
Para aprofundar
- Por que Deus permite o sofrimento
- Por que não sinto nada quando rezo
- Como ouvir a voz de Deus e saber o que Ele quer
- Noite escura da alma: o que é
Fontes
Este artigo se baseia em: Bíblia Sagrada (tradução da CNBB), especialmente Mt 7,7-11, Lc 11,13, Lc 18,1-8, Rm 8,26-28, 2Cor 12,7-10, Tg 4,3 e Mc 14,36; Catecismo da Igreja Católica (§§ 2734 a 2741).
As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.