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Rito da unção dos enfermos passo a passo: guia prático

Como pedir a unção a um padre, o que deixar pronto no quarto do doente e o que acontece em cada parte da celebração, até a comunhão como viático.

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Sacerdote dando a unção a um enfermo, pintura de Giuseppe Maria Crespi
Extreme Unction, Giuseppe Maria Crespi, 1712. Domínio público, via Wikimedia Commons.

O rito da unção dos enfermos é simples e pode ser celebrado em casa, no hospital ou na igreja. Depois de uma saudação e, se possível, da confissão, o padre lê um trecho da Palavra de Deus, impõe as mãos sobre o doente em silêncio e unge a fronte e as mãos dele com o óleo dos enfermos, dizendo a oração própria do sacramento. Quando o doente pode comungar, a celebração termina com a Eucaristia, que, para quem está perto da morte, recebe o nome de viático.

Conhecer o rito ajuda a família a chamar o padre na hora certa, a preparar o ambiente e a acompanhar o doente em oração.

O que é a unção dos enfermos?

A unção dos enfermos é o sacramento que a Igreja oferece aos fiéis que enfrentam doença grave ou a fragilidade da velhice. Ela tem fundamento no Evangelho e na carta de São Tiago:

Está alguém doente entre vós? Mande chamar os presbíteros da Igreja, para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará. Se tiver cometido pecados, receberá o perdão. (Tg 5,14-15)

O Catecismo ensina que o sacramento dá ao doente a graça do Espírito Santo para enfrentar a doença com fé: conforto, paz e coragem, união à Paixão de Cristo, perdão dos pecados quando o doente não pode se confessar, e o restabelecimento da saúde, se isso convier à salvação da alma (CIC 1520 a 1523). Não é um rito de despedida, mas um encontro com Cristo que cura e sustenta.

Leia também: Unção dos Enfermos e Viático: qual a diferença?

Quem pode receber a unção dos enfermos?

Antigamente o sacramento era chamado de extrema-unção, e muitos ainda pensam que ele é só para quem está morrendo. A Igreja ensina que ele não é reservado a quem está em extremo perigo de vida: o tempo oportuno é quando o fiel começa a correr perigo por doença ou velhice (CIC 1514; CDC 1004).

  • Doentes graves, com doença que coloca a vida em risco, mesmo que ainda não estejam à beira da morte.
  • Quem vai passar por uma cirurgia séria, por causa de doença grave.
  • Idosos com as forças muito enfraquecidas, mesmo sem uma doença específica.
  • Crianças doentes que já têm uso da razão suficiente para serem confortadas pelo sacramento.
  • Doentes que perderam a consciência, se é razoável crer que pediriam o sacramento se estivessem lúcidos.

O sacramento pode ser repetido se a pessoa se recuperar e depois adoecer gravemente de novo, ou se a mesma doença se agravar (CIC 1515). Ele não é dado a quem já morreu. Nesse caso, o padre reza pelo falecido e pela família.

Como pedir a unção a um padre

  1. Não espere o último momento. O ideal é chamar o padre quando o doente ainda está lúcido, para que ele possa se confessar, participar das orações e comungar.
  2. Procure a paróquia. Ligue para a secretaria paroquial ou procure o padre depois da Missa. Explique a situação, o endereço e se é urgente.
  3. No hospital, procure a capelania. Muitos hospitais têm capelão ou uma equipe de pastoral da saúde que pode chamar um padre. Pergunte na recepção ou à enfermagem.
  4. Em emergência, diga que é perigo de morte. Assim o padre sabe que precisa ir o quanto antes.

Somente o padre (presbítero) ou o bispo pode administrar a unção dos enfermos (CIC 1516; CDC 1003). Diáconos e ministros extraordinários da comunhão podem levar a Eucaristia e rezar com o doente, mas não ungem.

Leia também: Unção dos Enfermos antes de cirurgia: quando pedir

O que preparar em casa ou no hospital?

Não é obrigatório ter tudo, e o padre leva o óleo e o ritual. Mas preparar o lugar mostra respeito e ajuda a rezar. Um costume bonito, mantido em muitas famílias brasileiras, é arrumar uma pequena mesa perto do doente com:

  • uma toalha branca;
  • um crucifixo e, se houver, uma imagem de Nossa Senhora;
  • uma ou duas velas, que podem ser acesas durante o rito (no hospital, siga as regras do local);
  • um copo com água, caso o doente precise para comungar;
  • algodão ou um guardanapo de papel, se o padre precisar limpar os dedos;
  • água benta, se a família tiver.

Desligue a televisão e o som, peça silêncio e, se possível, reúna a família para rezar junto. Se o doente quiser se confessar, os familiares se retiram por alguns minutos para ele ficar a sós com o padre.

Como é o rito da unção dos enfermos, passo a passo?

O ritual prevê adaptações conforme a situação do doente. A sequência mais comum, fora do perigo imediato de morte, é esta:

  1. Saudação e aspersão. O padre saúda o doente e os presentes. Pode aspergir o doente e o quarto com água benta, lembrando o Batismo.
  2. Confissão ou ato penitencial. Se o doente desejar e puder, ele se confessa a sós com o padre. Se não, todos fazem um ato penitencial.
  3. Leitura da Palavra de Deus. O padre ou alguém da família lê um trecho breve da Bíblia, seguido de um momento de silêncio ou de uma breve explicação.
  4. Preces. O padre faz algumas preces pelo doente, por quem cuida dele e por todos os enfermos. A família responde.
  5. Imposição das mãos. Em silêncio, o padre impõe as mãos sobre a cabeça do doente. É o gesto de Jesus, que impunha as mãos sobre os doentes.
  6. Oração sobre o óleo. O padre dá graças a Deus pelo óleo dos enfermos, que foi abençoado pelo bispo na Missa do Crisma. Em caso de necessidade, o próprio padre pode abençoá-lo.
  7. Unção na fronte e nas mãos. O padre unge a fronte do doente com o óleo, dizendo a primeira parte da oração do sacramento, e depois unge as palmas das mãos, dizendo a segunda parte. A cada parte, o doente, se puder, e os presentes respondem "Amém".
  8. Oração após a unção. O padre reza pedindo alívio, conforto e força ao doente.
  9. Pai-Nosso. Todos rezam juntos.
  10. Comunhão. Se o doente puder comungar, recebe a Eucaristia. Os familiares que estiverem preparados também podem comungar, se o padre levar hóstias suficientes.
  11. Bênção final.

O Catecismo resume o essencial do rito: a imposição das mãos em silêncio, a oração da Igreja e a unção com o óleo abençoado (CIC 1519). Se o doente estiver em situação muito grave, o padre pode encurtar o rito e ir direto ao essencial. Em caso de necessidade, a unção pode ser feita apenas na fronte, ou em outra parte do corpo.

As palavras do sacramento

Ao ungir, o padre diz uma oração própria, em duas partes, que pede que o Senhor, por esta santa unção e pela sua misericórdia, ajude o doente com a graça do Espírito Santo, o liberte dos pecados, o salve e o alivie. A família não precisa decorar essa oração: basta acompanhar com fé e responder "Amém".

O que é o viático e quando ele é dado?

Viático é a comunhão recebida por quem está prestes a partir desta vida. A palavra vem do latim e lembra o alimento para a viagem: é Cristo que acompanha o fiel na passagem para o Pai (CIC 1524). Para o cristão que está morrendo, o viático é o sacramento próprio da passagem desta vida para a eternidade.

Quando a morte está próxima, a Igreja oferece o chamado rito contínuo: confissão, unção dos enfermos e comunhão como viático, nessa ordem (CIC 1525). O padre também pode dar a bênção apostólica com indulgência plenária para a hora da morte.

Se o doente não consegue engolir a hóstia, o padre avalia como proceder. Às vezes ele dá uma pequena parte da hóstia, com um pouco de água.

Como a família pode acompanhar o doente?

  • Rezar com ele, em voz baixa, orações que ele conhece: Pai-Nosso, Ave-Maria, um terço curto.
  • Ler com calma um salmo, como o Salmo 23 (22): "O Senhor é meu pastor, nada me faltará."
  • Falar com carinho, mesmo se ele parecer não ouvir.
  • Respeitar as orientações médicas. A fé não substitui o tratamento: o sacramento e o cuidado da saúde caminham juntos.

Perguntas frequentes

A unção dos enfermos é só para quem está morrendo?

Não. Ela é para quem começa a correr perigo por doença grave ou velhice, inclusive antes de uma cirurgia séria (CIC 1514 e 1515).

A unção perdoa os pecados?

Sim. Se o doente não pôde se confessar, a unção perdoa os pecados, desde que ele esteja arrependido. Quando ele pode se confessar, o normal é fazer a confissão antes da unção.

Um diácono ou ministro da Eucaristia pode dar a unção?

Não. Somente padres e bispos são ministros da unção dos enfermos. Diáconos e ministros extraordinários podem levar a comunhão e rezar com o doente.

Quantas vezes se pode receber a unção?

Pode ser recebida de novo quando a pessoa, depois de melhorar, volta a adoecer gravemente, ou quando a mesma doença se agrava.

Para aprofundar

Fontes

Este artigo se baseia em: Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica (§§ 1514 a 1525); Código de Direito Canônico (cân. 1003, 1004); Ritual da Unção dos Enfermos e sua Assistência Pastoral.

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.