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Rito da crisma passo a passo: como é a celebração

Do chamado dos crismandos à unção na fronte: entenda cada momento da celebração da Confirmação e saiba o que fazer na hora.

8 min de leitura
Bispo confirmando crianças com a unção, pintura de Nicolas Poussin da série Os Sete Sacramentos
The Seven Sacraments: Confirmation, Nicolas Poussin, 1645. Domínio público, via Wikimedia Commons.

O rito da crisma acontece, em geral, dentro da Missa, logo depois do Evangelho. Ele tem quatro momentos centrais: a apresentação dos crismandos, a renovação das promessas do Batismo, a imposição das mãos e a unção da fronte com o óleo do santo crisma. A celebração é presidida normalmente pelo bispo, e cada crismando é acompanhado por seu padrinho ou madrinha.

Saber como a celebração se desenrola ajuda o crismando, o padrinho e a família a viver esse dia com calma e atenção, sem ficar preocupados com o que fazer em cada momento. Abaixo está o caminho completo, do ensaio ao fim da Missa.

O que é a Crisma e por que o rito é tão importante?

A Crisma, também chamada Confirmação, é um dos três sacramentos da iniciação cristã, junto com o Batismo e a Eucaristia. O Catecismo ensina que ela completa a graça batismal: o crismado fica mais unido a Cristo, recebe com mais abundância os dons do Espírito Santo e assume com mais força a missão de testemunhar a fé (CIC 1285). Como o Batismo, a Crisma imprime um caráter, por isso é recebida uma única vez na vida.

Cada gesto do rito tem um sentido. A renovação das promessas lembra que a Crisma está ligada ao Batismo. A imposição das mãos recorda o gesto dos apóstolos, que impunham as mãos para que os batizados recebessem o Espírito Santo (At 8,14-17). A unção com o óleo perfumado marca o cristão como pertencente a Cristo, o Ungido.

Pedro e João impuseram-lhes as mãos, e eles receberam o Espírito Santo. (At 8,17)

Leia também: Rito da unção dos enfermos passo a passo: guia prático

Quem preside a celebração da Crisma?

O ministro ordinário da Confirmação é o bispo (CIC 1313; CDC 882). Por isso, na maioria das paróquias, a Crisma é marcada conforme a agenda do bispo diocesano ou de um bispo auxiliar. O bispo pode conceder a um padre a faculdade de crismar, o que acontece com frequência em paróquias grandes, em lugares distantes ou quando há muitos crismandos. Em perigo de morte, qualquer sacerdote pode crismar.

Quando um padre preside, o rito é o mesmo. O que muda é apenas quem faz os gestos e pronuncia as palavras.

Antes da celebração: o que precisa estar pronto

A preparação começa bem antes do dia. A idade e a duração da catequese variam de diocese para diocese: há lugares que crismam adolescentes, outros que crismam jovens mais velhos, e há turmas específicas para adultos. Por isso, siga sempre a orientação da sua paróquia.

  • Catequese concluída. O crismando deve ter feito a preparação pedida pela paróquia.
  • Documentos. Em geral, pede-se a certidão de Batismo. Se o Batismo foi em outra paróquia, é bom pedir a certidão com antecedência.
  • Padrinho ou madrinha escolhido. A Igreja pede que seja católico, crismado, que já tenha recebido a Eucaristia, que leve uma vida coerente com a fé e que não seja o pai nem a mãe do crismando (CDC 893, que remete aos requisitos do CDC 874). Recomenda-se que seja, se possível, o mesmo padrinho do Batismo (CIC 1311).
  • Confissão. Para receber a Crisma, é preciso estar em estado de graça. Por isso as paróquias costumam organizar confissões para os crismandos e padrinhos nos dias anteriores.
  • Ensaio. Muitas comunidades fazem um ensaio para mostrar onde cada um senta, como será a fila e a ordem dos nomes.

Algumas paróquias pedem que o crismando escolha um nome de santo, chamado nome de Crisma. Esse costume não é obrigatório em todo lugar. Se a sua comunidade adota, veja as dicas em como escolher o nome de Crisma.

Leia também: A Confirmação (Crisma): dons do Espírito Santo e significado

Como é o rito da Crisma, passo a passo?

A sequência abaixo é a mais comum quando a Crisma é celebrada dentro da Missa. Os ritos iniciais e a Liturgia da Palavra seguem como em qualquer Missa. A Confirmação começa depois do Evangelho.

  1. Apresentação dos crismandos. Um padre, um catequista ou outra pessoa indicada apresenta os crismandos ao bispo. Às vezes cada um é chamado pelo nome e se levanta, ou todos ficam de pé juntos.
  2. Homilia. O bispo explica as leituras e fala sobre o sentido da Crisma, do Espírito Santo e da missão do cristão.
  3. Renovação das promessas do Batismo. Os crismandos ficam de pé. O bispo pergunta se renunciam ao pecado e ao demônio e se creem em Deus Pai, em Jesus Cristo e no Espírito Santo, e na Igreja. A cada pergunta, eles respondem em voz alta: "Renuncio" ou "Creio". No Batismo de criança, foram os pais e padrinhos que responderam. Agora é o próprio crismando que assume essa fé.
  4. Imposição das mãos. O bispo, e os padres que estiverem com ele, estendem as mãos sobre todos os crismandos. Em silêncio, a assembleia reza. Depois o bispo faz uma oração pedindo a Deus que envie o Espírito Santo Paráclito e os seus sete dons: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus.
  5. Unção com o santo crisma. Cada crismando se aproxima do bispo com o padrinho ou a madrinha. O bispo molha o polegar no óleo do crisma e traça uma cruz na fronte do crismando, dizendo o nome dele e as palavras do sacramento.
  6. Saudação de paz. Logo depois da unção, o bispo saúda o crismado com a paz, e ele responde.
  7. Oração dos fiéis e continuação da Missa. Terminadas as unções, a Missa continua com a oração dos fiéis, a apresentação das oferendas e a Liturgia Eucarística. Os crismados participam da comunhão, que completa a iniciação cristã.
  8. Bênção final. No fim, pode haver uma bênção solene própria para os crismados.

As palavras da unção

O Catecismo ensina que o sacramento é conferido pela unção do crisma na fronte, feita com a imposição da mão e acompanhada das palavras próprias do rito (CIC 1300). No ritual usado no Brasil, ao ungir, o bispo diz:

N., recebe, por este sinal, o Espírito Santo, o Dom de Deus.

O crismando responde: "Amém." Em seguida, o bispo diz: "A paz esteja contigo", e o crismado responde: "E contigo também."

O que é o óleo do crisma

O santo crisma é um óleo de oliva (ou outro óleo vegetal) misturado com bálsamo, que lhe dá um perfume característico. Ele é consagrado pelo bispo na Missa do Crisma, celebrada na Semana Santa, e é o mesmo óleo usado no Batismo e na ordenação de padres e bispos. O perfume lembra o "bom odor de Cristo" que o cristão deve espalhar (2Cor 2,15).

O que faz o padrinho durante o rito?

O padrinho ou a madrinha acompanha o crismando até o bispo e fica ao lado dele durante a unção. No momento da unção, o padrinho coloca a mão direita sobre o ombro direito do afilhado. Esse gesto simples diz muito: ele apresenta o afilhado à Igreja e se compromete a ajudá-lo a viver como cristão.

Em algumas paróquias, é o padrinho que diz ao bispo o nome do crismando. Em outras, o próprio crismando diz o nome, ou ele já está escrito num cartão. Pergunte no ensaio como será na sua comunidade. Para saber mais sobre a escolha, leia padrinho de Crisma: como escolher.

Dicas práticas para o dia da Crisma

  • Chegue cedo. Celebrações com muitos crismandos exigem organização. Chegar com antecedência evita correria.
  • Roupa. Muitas paróquias pedem uma cor ou uma camiseta da turma. Onde não há orientação, vale uma roupa discreta e respeitosa.
  • Cabelo e testa livres. A unção é feita na fronte, então é bom deixar a testa descoberta.
  • Não limpe o óleo logo. É costume deixar o óleo absorver. Se for preciso, o excesso pode ser retirado com algodão, que depois deve ser queimado ou enterrado, por respeito.
  • Fotos. Siga as regras da paróquia. Muitas vezes há um fotógrafo autorizado, para que o rito não seja interrompido.
  • Participe com o coração. Mais que acertar cada gesto, o importante é rezar e pedir a Deus a abertura ao Espírito Santo.

Sugestão de oração antes da Crisma

Espírito Santo de Deus, vem habitar em mim. Dá-me os teus dons para que eu conheça, ame e siga Jesus. Que eu não tenha vergonha de testemunhar a fé em casa, na escola, no trabalho e entre os amigos. Maria, Mãe da Igreja, acompanha-me neste passo. Amém.

Perguntas frequentes

Quanto tempo dura a Missa de Crisma?

Depende do número de crismandos. Uma Missa com poucas pessoas pode durar pouco mais de uma hora, enquanto celebrações com muitas turmas costumam ser mais longas por causa da unção individual.

A Crisma pode ser feita fora da Missa?

Sim. O ritual prevê a celebração da Confirmação fora da Missa, com Liturgia da Palavra. Mas o mais comum, e recomendado, é celebrá-la dentro da Missa, para mostrar sua ligação com a Eucaristia.

Qual é a idade para fazer a Crisma?

O Código de Direito Canônico fala da idade da discrição, mas permite que a Conferência dos Bispos e cada diocese definam a idade concreta (CDC 891). Por isso, a idade muda de diocese para diocese. Adultos que não foram crismados também podem se preparar.

Quem já é crismado pode se crismar de novo?

Não. A Crisma imprime um caráter espiritual, como o Batismo, e por isso é recebida uma única vez.

Para aprofundar

Fontes

Este artigo se baseia em: Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica (§§ 1285, 1300, 1311, 1313); Código de Direito Canônico (cân. 874, 882, 891, 893); Ritual da Confirmação.

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.