O papel dos pais no Batismo dos filhos é pedir o sacramento para a criança, prepará-lo com a paróquia, professar a fé na celebração e, sobretudo, assumir o compromisso de educar o filho na fé católica ao longo da vida. Os padrinhos ajudam, mas a responsabilidade principal é dos pais.
Muitos casais veem o Batismo como uma bonita tradição de família. Ele é muito mais: é o nascimento da criança para a vida de Deus. O Catecismo ensina que pelo Batismo somos libertos do pecado e regenerados como filhos de Deus, nos tornamos membros de Cristo e somos incorporados à Igreja (CIC 1213). Quem pede isso para um filho assume uma missão.
Por que batizar as crianças pequenas?
A Igreja batiza crianças desde os primeiros séculos. O Catecismo explica que, nascidas com uma natureza humana marcada pelo pecado original, também as crianças precisam do novo nascimento no Batismo. A pura gratuidade da graça da salvação se manifesta de modo especial no Batismo das crianças, que ainda não fizeram nada para merecê-la (CIC 1250).
Os pais cristãos reconhecem que essa prática corresponde também à sua missão de cuidar da vida que Deus lhes confiou (CIC 1251). Assim como dão ao filho alimento, casa e educação sem esperar que ele escolha, também lhe oferecem o maior dom: a vida de filho de Deus.
Leia também: Curso de batismo: o que é ensinado a pais e padrinhos
Quando os pais devem batizar o filho?
O Código de Direito Canônico é claro: os pais têm a obrigação de cuidar que as crianças sejam batizadas nas primeiras semanas de vida. Logo depois do nascimento, ou mesmo antes, devem procurar o pároco para pedir o sacramento e preparar-se devidamente (CDC, cân. 867 §1).
Se a criança estiver em perigo de morte, deve ser batizada sem demora (CDC, cân. 867 §2). Nesse caso, qualquer pessoa pode batizar, derramando água sobre a cabeça da criança e dizendo: "Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo", com a intenção de fazer o que a Igreja faz. Se a criança sobreviver, os pais devem procurar a paróquia para completar os ritos.
Às vezes uma família pensa em adiar o Batismo por meses ou anos, esperando a festa ideal ou a disponibilidade dos padrinhos. A Igreja pede que esses motivos não atrasem o sacramento.
Como os pais se preparam?
A Igreja pede que os pais e os padrinhos sejam devidamente instruídos sobre o sentido do Batismo e as obrigações que ele traz. Por isso as paróquias oferecem o curso de Batismo ou encontros de preparação. Veja o que costuma ser ensinado em curso de Batismo.
O passo a passo costuma ser:
- Procurar a secretaria da paróquia onde a família mora, de preferência ainda na gravidez.
- Levar a certidão de nascimento da criança e informações dos padrinhos.
- Fazer o curso de preparação, pais e padrinhos.
- Combinar a data da celebração.
- Rezar pelo filho e pela própria missão de pais.
Para batizar em outra paróquia, normalmente é preciso autorização da paróquia de origem. Cada diocese tem suas normas.
Leia também: Padrinhos de batismo: requisitos da Igreja Católica
Como escolher o nome da criança?
O Código pede que os pais, os padrinhos e o pároco cuidem para que não se dê um nome alheio ao sentido cristão (CDC, cân. 855). Isso não obriga a dar nome de santo, mas pede bom senso. Nomes que ridicularizam, que fazem referência a algo contrário à fé ou que expõem a criança devem ser evitados.
Dar ao filho o nome de um santo é uma tradição muito bonita. A criança ganha um padroeiro e um modelo de vida. O Catecismo lembra que o nome recebido no Batismo é sagrado e que Deus chama cada um pelo nome (CIC 2156 a 2158).
O que os pais fazem na celebração?
No rito do Batismo de crianças, os pais têm papel ativo. Em linhas gerais:
- Dizem o nome da criança e pedem o Batismo à Igreja.
- O celebrante lembra que, ao pedir o Batismo, eles assumem a obrigação de educar o filho na fé, e os pais declaram que estão conscientes desse compromisso.
- Depois do celebrante, os pais e padrinhos traçam o sinal da cruz na testa da criança.
- Os pais e padrinhos renunciam ao mal e professam a fé da Igreja, na qual a criança é batizada.
- Recebem a vela acesa no círio pascal, sinal da luz de Cristo que deve ser guardada.
- Ao final, recebem uma bênção especial para as mães e os pais.
Para o rito completo, leia o rito do Batismo passo a passo e o sentido de cada sinal em símbolos do Batismo.
Qual a diferença entre o papel dos pais e o dos padrinhos?
| Pais | Padrinhos | |
|---|---|---|
| Responsabilidade | Principal e primeira | De ajuda e apoio |
| Pedido do sacramento | Os pais pedem o Batismo | Apresentam a criança junto com os pais |
| Educação na fé | Obrigação grave, pela palavra e pelo exemplo | Ajudar os pais e acompanhar o afilhado |
| Podem ser padrinhos? | Não podem ser padrinhos do próprio filho | Devem cumprir os requisitos do direito |
Os padrinhos ajudam a criança a levar uma vida cristã coerente com o Batismo e a cumprir fielmente as obrigações que ele traz (CDC, cân. 872). Mas eles não substituem os pais. Os requisitos para ser padrinho, como ter 16 anos, ser católico crismado e levar uma vida de fé, estão em padrinhos de Batismo: requisitos da Igreja.
E depois do Batismo?
O Batismo não é ponto de chegada. É começo. O direito da Igreja lembra que os pais têm a obrigação gravíssima e o direito de educar os filhos, e que os pais cristãos devem cuidar sobretudo da educação cristã deles (CDC, cân. 226 §2). Na prática, isso significa:
- Rezar com a criança desde bebê. Veja como rezar com crianças.
- Levar a criança à Missa, mesmo pequena. Ela aprende pelo ambiente.
- Guardar a vela e a veste e acender a vela no aniversário de Batismo.
- Celebrar a data do Batismo, que é o aniversário de vida cristã.
- Inscrever o filho na catequese no tempo certo, para a confissão, a Primeira Comunhão e a Crisma.
Perguntas frequentes
Até que idade se pode batizar um bebê?
A Igreja pede o Batismo nas primeiras semanas de vida. Crianças maiores também podem ser batizadas, mas, a partir da idade da razão, passam por uma preparação própria.
Pais que não são casados na Igreja podem batizar o filho?
Sim, desde que haja esperança fundada de que a criança será educada na fé católica. O pároco orienta cada caso.
O pai ou a mãe pode ser padrinho do próprio filho?
Não. O direito da Igreja exclui o pai e a mãe da função de padrinho, porque a responsabilidade deles já é a principal.
É obrigatório dar nome de santo?
Não. O que a Igreja pede é que o nome não seja alheio ao sentido cristão. Dar nome de santo é uma tradição recomendável.
Para aprofundar
- O Batismo: significado, rito e graças
- Padrinhos de Batismo: requisitos da Igreja
- Curso de Batismo: o que é ensinado
- Igreja doméstica: a família cristã
Fontes
Catecismo da Igreja Católica, nn. 1213, 1250, 1251 e 2156 a 2158. Código de Direito Canônico, cân. 226 §2, 855, 867 e 872. Ritual do Batismo de Crianças. Bíblia Sagrada (tradução da CNBB). As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.