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Milagres Eucarísticos

Milagre eucarístico de Offida (1273-1280) e sua relíquia

A hóstia roubada em Lanciano por Ricciarella, os sete anos escondida num estábulo e o relicário em forma de cruz guardado em Offida.

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Exterior da igreja de Santo Agostinho, em Offida, que guarda o relicário do milagre
S Agostino scorcio. Foto: Cristiano Marchegiani, licença CC BY-SA 2.5, via Wikimedia Commons.

O milagre eucarístico de Offida tem origem em Lanciano, na Itália, em 1273: segundo o relato, uma hóstia consagrada levada ao fogo por uma mulher chamada Ricciarella se transformou em carne ensanguentada. Sete anos depois, por volta de 1280, ela confessou o fato a um frade agostiniano nascido em Offida, que levou as relíquias para a sua cidade. Hoje elas estão expostas na igreja de Santo Agostinho, em Offida, na região das Marcas.

Não se deve confundir este caso com o famoso milagre de Lanciano do século VIII, que é outro relato, ligado a um monge que duvidava da presença real. Aqui, Lanciano é o lugar do fato e Offida é o lugar da relíquia.

O que aconteceu em Lanciano e Offida?

O catálogo conta que, em 1273, Ricciarella queria reconquistar o afeto do marido, Giacomo Stasio. Seguindo o conselho de uma feiticeira, foi comungar e guardou a hóstia em vez de consumi-la. Em casa, colocou-a numa vasilha sobre o fogo, com a ideia de reduzi-la a pó e misturá-la à comida do marido.

Segundo o relato, a partícula se transformou em carne sangrando. Assustada, a mulher envolveu a vasilha e a hóstia numa toalha de linho e enterrou tudo debaixo do esterco, no estábulo do marido.

A jumenta que se ajoelhava

A tradição acrescenta que, a partir daí, a jumenta de Giacomo se ajoelhava toda vez que entrava no estábulo, voltada para o lugar onde a hóstia estava enterrada. O marido chegou a pensar que a esposa tinha lançado algum malefício sobre o animal.

A confissão sete anos depois

Cerca de sete anos mais tarde, tomada pelo remorso, Ricciarella confessou o sacrilégio ao prior do convento agostiniano de Lanciano, frei Giacomo Diotallevi, natural de Offida. As crônicas antigas descrevem a mulher em prantos, acusando-se de ter ferido o próprio Deus. O frade foi ao estábulo e encontrou o embrulho intacto. As relíquias foram então entregues aos seus conterrâneos de Offida.

O relicário feito em Veneza

Para guardar a hóstia, os habitantes de Offida encomendaram um relicário em forma de cruz a um ourives de Veneza. Uma crônica antiga, citada no painel, conta que o ourives teve de jurar segredo sobre o que veria. Ao tentar fechar a relíquia, foi tomado por uma febre repentina; o frade perguntou se ele estava em pecado grave, o ourives se confessou, a febre passou e ele pôde concluir o trabalho, colocando a hóstia junto com um fragmento do Santo Lenho sob um cristal.

Leia também: Milagre eucarístico de Onil (1824): a hóstia roubada

Onde está a relíquia hoje?

Segundo o catálogo, estão expostos na igreja de Santo Agostinho, em Offida, três objetos: a vasilha em que se deu o fato, a toalha de linho manchada de sangue e a cruz relicário, obra de um ourives veneziano do século XIII, que contém a hóstia. Afrescos na mesma igreja ilustram a história.

Em Lanciano, a casa de Ricciarella foi transformada numa pequena capela.

Como é a devoção hoje?

Todos os anos, em 3 de maio, os moradores de Offida celebram a festa do milagre. Em 1973 foi comemorado o sétimo centenário. Quem visita o santuário pode rezar diante da cruz relicário e conhecer os afrescos que contam o episódio.

A Igreja reconheceu o milagre de Offida?

O catálogo diz que há muitos documentos sobre o prodígio: uma cópia autêntica de um pergaminho do século XIII, feita pelo notário Giovanni Battista Doria em 1788; bulas de vários papas, a começar por Bonifácio VIII (1295) e Sisto V (1585); intervenções de congregações romanas; decretos de bispos; estatutos municipais; e o testemunho de historiadores. O painel não transcreve o conteúdo dessas bulas nem diz se alguma delas se pronuncia sobre a natureza do fato. Portanto, o que se pode afirmar com segurança é que o culto às relíquias é antigo, documentado e acompanhado pela autoridade da Igreja.

Leia também: Milagre eucarístico de Alatri (1228): a hóstia feita carne

O que o milagre de Offida ensina sobre a Eucaristia?

O relato fala, antes de tudo, de um abuso: usar a Comunhão como instrumento de feitiçaria. A Igreja ensina que a Eucaristia é o próprio Cristo, presente de modo verdadeiro, real e substancial (CIC 1374), e que por isso merece a adoração devida a Deus (CIC 1378). Tratar a hóstia como objeto mágico é uma grave profanação.

São Paulo adverte que quem come o pão ou bebe o cálice do Senhor indignamente "será réu do Corpo e do Sangue do Senhor" (1Cor 11,27). E Jesus promete: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele" (Jo 6,56). A história de Ricciarella termina com arrependimento e confissão, lembrando que o caminho de volta está sempre aberto pelo sacramento da Penitência. Vale recordar que a fé na presença real não depende deste ou de outro prodígio: ela se apoia na palavra de Cristo e no ensinamento da Igreja. Relatos como este não obrigam a fé dos católicos (CIC 67).

Perguntas frequentes

Onde aconteceu o milagre eucarístico de Offida?

O fato, segundo o relato, aconteceu em Lanciano, em 1273. As relíquias foram levadas para Offida por volta de 1280 e lá permanecem.

O milagre de Offida é o mesmo de Lanciano?

Não. O milagre de Lanciano mais conhecido é do século VIII e está ligado a um monge. O de Offida é do século XIII e envolve uma mulher que roubou a hóstia.

O que se vê no santuário de Offida?

A cruz relicário com a hóstia, a vasilha usada no fogo e a toalha manchada de sangue, além de afrescos sobre o milagre.

Quando é a festa do milagre de Offida?

A cidade celebra o milagre todos os anos em 3 de maio.

Para aprofundar

Fontes

Este artigo se baseia em: Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis; Catecismo da Igreja Católica (n. 67, 1374 a 1378); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB).

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.