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Ladainha da humildade: texto completo e significado

Reze a Ladainha da Humildade e peça a Jesus um coração livre do desejo de aparecer e do medo de ser humilhado.

Atualizado em 9 min de leitura
Jesus lava os pés dos apóstolos, afresco de Giotto na Capela Scrovegni
No. 30 Scenes from the Life of Christ: 14. Washing of Feet, Giotto, between 1304 and 1306. Domínio público, via Wikimedia Commons.

A Ladainha da Humildade é uma oração em forma de súplicas curtas em que pedimos a Jesus que nos livre do desejo de ser estimado e do medo de ser humilhado. É atribuída ao Cardeal Rafael Merry del Val (1865-1930), secretário de Estado de São Pio X, e é uma oração de uso devocional e privado: não faz parte das ladainhas aprovadas para uso público na liturgia. Pode ser rezada em qualquer dia, de preferência com calma e em silêncio interior.

Abaixo você encontra o texto completo, na versão mais difundida no Brasil, com cada invocação em uma linha, para rezar no celular ou imprimir. Depois explicamos a origem, o modo de rezar e o sentido das principais invocações à luz da Bíblia e do Catecismo.

Ladainha da Humildade: texto completo

Quem dirige diz a primeira parte de cada linha; todos respondem a parte final. Rezando sozinho, diga a linha inteira, sem pressa.

Invocação inicial

Ó Jesus, manso e humilde de coração, ouvi-me.

Livrai-me dos desejos do orgulho

Do desejo de ser estimado, livrai-me, Jesus.
Do desejo de ser amado, livrai-me, Jesus.
Do desejo de ser exaltado, livrai-me, Jesus.
Do desejo de ser honrado, livrai-me, Jesus.
Do desejo de ser louvado, livrai-me, Jesus.
Do desejo de ser preferido aos outros, livrai-me, Jesus.
Do desejo de ser consultado, livrai-me, Jesus.
Do desejo de ser aprovado, livrai-me, Jesus.

Livrai-me dos temores do orgulho

Do temor de ser humilhado, livrai-me, Jesus.
Do temor de ser desprezado, livrai-me, Jesus.
Do temor de ser repelido, livrai-me, Jesus.
Do temor de ser caluniado, livrai-me, Jesus.
Do temor de ser esquecido, livrai-me, Jesus.
Do temor de ser ridicularizado, livrai-me, Jesus.
Do temor de ser injuriado, livrai-me, Jesus.
Do temor de ser posto de lado, livrai-me, Jesus.

Dai-me a graça de desejar o bem dos outros

Que os outros sejam mais amados do que eu, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros sejam mais estimados do que eu, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam crescer na opinião do mundo e que eu possa diminuir, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam ser escolhidos e eu posto de lado, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam ser louvados e eu esquecido, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam ser preferidos a mim em tudo, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam ser mais santos do que eu, contanto que eu me torne tão santo quanto puder, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.

Amém.

Há pequenas variações de palavras entre as edições em português. Algumas trazem, por exemplo, "do temor de ser rejeitado" no lugar de "repelido", ou "do temor de ser suspeitado". O sentido é o mesmo: pedir a Jesus um coração livre de si mesmo.

Leia também: Ladainha do Santíssimo Nome de Jesus: texto e significado

Quem compôs a Ladainha da Humildade?

A tradição atribui a ladainha ao Cardeal Rafael Merry del Val, que viveu entre 1865 e 1930 e foi secretário de Estado do Papa São Pio X. Conta-se que ele a compôs e a rezava como parte da sua oração pessoal. Essa atribuição é amplamente aceita, por isso falamos em ladainha "atribuída a" ele.

O dado é curioso e ajuda a entender a oração. Quem a rezava ocupava um dos cargos de maior destaque na Igreja do seu tempo. Justamente ali, onde a tentação de ser honrado e consultado é grande, ele pedia a Jesus a liberdade de não depender da opinião alheia. A ladainha nasce, portanto, da vida concreta, e não de uma teoria sobre a humildade.

Como se trata de uma oração devocional, ela não tem texto fixado por um livro litúrgico. Ninguém é obrigado a rezá-la, e ela não substitui a Missa, os sacramentos ou a Liturgia das Horas. É um recurso de oração pessoal que muitos fiéis, padres e religiosos usam no exame de consciência ou depois da Comunhão.

O que é humildade para a fé católica?

Humildade não é se achar inferior, nem falar mal de si mesmo, nem esconder os dons que Deus deu. É reconhecer a verdade: tudo o que temos de bom vem de Deus, e sozinhos somos pequenos e pecadores. O humilde não precisa aparecer, porque sabe que é amado por Deus antes de qualquer mérito.

O próprio Jesus se apresenta como modelo dessa virtude:

"Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração." (Mt 11,29)

São Paulo descreve o caminho de Cristo como um rebaixamento por amor. Ele pede que tenhamos os mesmos sentimentos de Cristo Jesus, que, sendo de condição divina, não se apegou à igualdade com Deus, mas se esvaziou, assumiu a condição de servo e se humilhou, obediente até a morte, e morte de cruz (cf. Fl 2,5-8).

O Catecismo da Igreja Católica ensina que a humildade é o fundamento da oração (CIC 2559). Quem reza com humildade se coloca diante de Deus como mendigo, como o publicano do Evangelho, que, de longe e sem levantar os olhos, pedia a Deus compaixão por ser pecador (cf. Lc 18,13). Por isso a Ladainha da Humildade é também uma boa escola de oração: ela tira o "eu" do centro e devolve o lugar a Deus.

O contrário da humildade é a soberba, o primeiro dos pecados capitais. A soberba é o amor desordenado da própria excelência. Ela se mostra no desejo de ser admirado, na dificuldade de aceitar correção, na comparação constante com os outros. As invocações da ladainha atacam exatamente essas raízes.

Leia também: Ladainha do Sagrado Coração de Jesus: oração e significado

Como rezar a Ladainha da Humildade?

A ladainha é curta e pode ser rezada em poucos minutos. O fruto, porém, vem da atenção a cada pedido. Algumas sugestões práticas:

Sozinho

  1. Faça o sinal da cruz e peça ao Espírito Santo a graça de rezar com sinceridade.
  2. Reze devagar. Ao dizer cada invocação, pense numa situação real do seu dia: uma crítica que doeu, um elogio que você esperava, uma comparação com um colega.
  3. Se uma frase "pesar", pare nela. É sinal de que ali há algo para entregar a Jesus.
  4. Termine com um Pai-Nosso e um Glória ao Pai.

Em família ou em grupo

  1. Uma pessoa dirige e lê a primeira parte de cada invocação.
  2. Todos respondem "livrai-me, Jesus" nas duas primeiras partes e "Jesus, dai-me a graça de desejá-lo" na última.
  3. Se houver crianças, explique antes uma ou duas invocações com exemplos simples, como "ser escolhido por último no jogo".
  4. Pode-se concluir com uma Ave-Maria, pedindo a Nossa Senhora, a serva humilde do Senhor, que nos ensine a sua disponibilidade.

Quando rezar

  • No exame de consciência da noite, antes de dormir.
  • Depois da Comunhão, como ação de graças.
  • Antes de uma conversa difícil, de uma reunião ou de receber uma avaliação.
  • Na Quaresma, como parte do combate contra os vícios.
  • Antes da Confissão, para perceber com mais clareza as faltas de orgulho.

Ela combina bem com a meditação do Sagrado Coração de Jesus, já que a invocação inicial retoma as palavras de Jesus sobre o seu coração manso e humilde.

Significado das principais invocações

"Do desejo de ser estimado, livrai-me, Jesus"

Não é errado ser estimado. O problema é viver em função disso. Quando a estima dos outros vira a medida do nosso valor, ficamos escravos da opinião alheia. Jesus alerta que é difícil crer para quem recebe glória uns dos outros e não procura a glória que vem do Deus único (cf. Jo 5,44). Pedir libertação desse desejo é pedir para buscar, em primeiro lugar, o olhar de Deus.

"Do temor de ser humilhado, livrai-me, Jesus"

O medo da humilhação paralisa. Por causa dele deixamos de admitir um erro, de pedir perdão ou de defender a verdade. Cristo foi humilhado na Paixão e não respondeu com ódio. Rezar esta parte da ladainha é pedir a coragem de aceitar o desprezo sem perder a paz, unindo-o ao sofrimento de Jesus. Não significa aceitar abusos ou injustiças graves: a humildade convive com a justiça e com a prudência.

"Que os outros possam crescer e que eu possa diminuir"

Esta invocação ecoa a frase de João Batista sobre Jesus: "É necessário que ele cresça e eu diminua" (Jo 3,30). Aplicada aos irmãos, ela pede um coração que se alegra com o sucesso alheio, sem inveja. É uma das partes mais exigentes da ladainha, porque toca a comparação, tão comum no trabalho, nas redes sociais e até na comunidade paroquial.

"Que os outros sejam mais santos do que eu, contanto que eu me torne tão santo quanto puder"

A última súplica mostra que humildade não é desistir da santidade. O cristão deseja ser santo com todas as forças, mas sem competir com ninguém. A santidade dos outros não diminui a minha; ela é motivo de louvor a Deus.

Perguntas frequentes

A Ladainha da Humildade é aprovada pela Igreja?

Ela é uma oração de uso devocional e privado. Não está entre as ladainhas aprovadas para uso público, mas pode ser rezada livremente por qualquer fiel, por estar de acordo com a fé católica.

Quem escreveu a Ladainha da Humildade?

Ela é tradicionalmente atribuída ao Cardeal Rafael Merry del Val (1865-1930), secretário de Estado de São Pio X, que a rezava na sua oração pessoal.

Posso rezar a Ladainha da Humildade todos os dias?

Sim. Muitos a rezam diariamente, à noite ou depois da Comunhão. O importante é rezar com atenção, e não apenas repetir palavras.

Rezar a ladainha significa aceitar ser maltratado?

Não. A humildade pede paz diante das humilhações, mas não exige aceitar abusos. Em situações de violência ou injustiça grave, é preciso buscar ajuda e proteção.

Para aprofundar

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB): Mt 11,29; Fl 2,5-8; Lc 18,13; Jo 3,30; Jo 5,44. Catecismo da Igreja Católica (§ 2559). Texto da ladainha na versão devocional mais difundida em português, atribuída ao Cardeal Rafael Merry del Val.

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.