A avareza é o amor desordenado ao dinheiro e aos bens materiais: a pessoa deseja possuir sem limite, acumula por segurança ou prestígio e fecha o coração às necessidades dos outros. É um dos sete pecados capitais (CIC 1866) e se opõe ao décimo mandamento, que proíbe a cobiça desregrada dos bens alheios. O seu remédio é a generosidade, vivida na partilha e na esmola.
Este texto aprofunda um dos vícios apresentados em os pecados capitais e as virtudes opostas. A avareza é traiçoeira porque costuma se justificar com argumentos razoáveis: prudência, planejamento, garantia do futuro.
O que é a avareza segundo o Catecismo?
Ao explicar o décimo mandamento, o Catecismo ensina que ele proíbe a avidez e o desejo de apropriação desmedida dos bens terrenos, isto é, a cupidez que nasce da paixão imoderada pelas riquezas e pelo poder que elas dão (CIC 2536). Não é pecado desejar o necessário para viver e para sustentar a família, nem adquirir bens de forma justa. O pecado está na desordem do coração.
São Tomás de Aquino define a avareza como o amor desordenado de possuir riquezas. Ela se opõe à liberalidade, a virtude de usar os bens com generosidade. No extremo oposto está a prodigalidade, o desperdício irresponsável. A virtude está no meio.
A Escritura é muito clara:
"Porque a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro. Por se entregarem a ele, alguns se desviaram da fé e se afligiram com muitos tormentos." (1Tm 6,10)
"Ninguém pode servir a dois senhores. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro." (Mt 6,24)
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A parábola do rico insensato
Certa vez, um homem pediu a Jesus que mandasse o irmão repartir a herança. Jesus respondeu com um alerta: "Cuidado com toda espécie de ganância, pois a vida de alguém não consiste na abundância de bens" (Lc 12,15). E contou a parábola de um rico cuja terra produziu muito. Ele pensou em derrubar os celeiros, construir maiores e dizer a si mesmo: descansa, come, bebe, aproveita. Mas Deus lhe disse: "Insensato, nesta mesma noite tua vida te será pedida. E o que acumulaste, para quem ficará?" (Lc 12,16-21).
O homem não roubou ninguém. O seu erro foi pensar só em si e esquecer que a vida está nas mãos de Deus. Jesus conclui que assim acontece com quem ajunta tesouros para si e não é rico diante de Deus.
Como reconhecer a avareza no dia a dia?
A avareza não é exclusividade de quem tem muito dinheiro. Pessoas de qualquer condição podem ter o coração preso aos bens. Alguns sinais:
- Ansiedade constante com dinheiro, mesmo quando as necessidades estão atendidas.
- Dificuldade de doar, inclusive pequenas quantias, ou de contribuir com o dízimo da paróquia.
- Medir o próprio valor ou o dos outros pelo que possuem.
- Negociar sempre levando vantagem, pagando mal ou atrasando sem necessidade.
- Brigas familiares por herança que destroem relações.
- Trabalhar em excesso, sacrificando família, saúde e oração, só para acumular.
- Apego a objetos a ponto de não conseguir emprestar, partilhar ou desfazer-se do que não usa.
- Indiferença diante do pobre, com justificativas prontas para não ajudar.
Os pecados que nascem da avareza
São Gregório Magno aponta como frutos da avareza a traição, a fraude, a mentira, o perjúrio, a inquietação, a violência e a dureza de coração contra a misericórdia. Judas, que entregou Jesus por trinta moedas, é o exemplo dramático de até onde o apego ao dinheiro pode levar (Mt 26,14-16).
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O que significa ser pobre de coração?
O Catecismo ensina que Jesus pede aos seus discípulos que o prefiram a tudo e a todos, e que o desapego das riquezas é necessário para entrar no Reino dos Céus (CIC 2544). Todos os fiéis devem orientar bem os seus afetos, para que o uso das coisas do mundo e o apego às riquezas não os impeçam de buscar a caridade perfeita (CIC 2545).
A primeira das bem-aventuranças diz: "Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus" (Mt 5,3). O Catecismo explica que o Senhor se lamenta dos ricos porque encontram na abundância dos bens a sua consolação (CIC 2547). Pobreza de coração não é necessariamente miséria material: é liberdade interior diante dos bens, confiança na providência e disponibilidade para partilhar.
Como vencer a avareza?
- Dar em primeiro lugar. Separe a sua contribuição para a Igreja e para os pobres antes de outros gastos, e não com o que sobrar.
- Dar com alegria. "Deus ama quem dá com alegria" (2Cor 9,7). Comece com pouco, mas com regularidade.
- Praticar as obras de misericórdia. Dar de comer a quem tem fome, vestir os nus, visitar os doentes. A esmola é um ato de caridade fraterna e também de justiça.
- Desapegar-se do que não usa. Roupas, livros e objetos parados podem servir a alguém hoje.
- Revisar o orçamento com critério cristão. Planejar é bom; acumular sem fim, por medo ou prestígio, não é.
- Confiar na providência. Jesus convida a olhar os lírios do campo e as aves do céu (Mt 6,25-34). Isso não dispensa o trabalho, mas tira a angústia.
- Ser justo nos negócios. Pagar salário digno, preço justo, impostos devidos.
- Agradecer. A gratidão desloca o olhar do que falta para o que foi recebido.
Exemplos práticos
- Uma família que, ao receber o décimo terceiro, reserva uma parte para ajudar um vizinho em dificuldade.
- Irmãos que, numa partilha de herança, preferem ceder um pouco a romper a convivência.
- Um empresário que revisa salários e condições de trabalho à luz da justiça.
- Alguém que define um limite para compras e destina a diferença a uma obra de caridade.
Santos que ajudam a vencer a avareza
- São Francisco de Assis: filho de comerciante rico, renunciou a tudo para seguir Cristo pobre.
- São Mateus: deixou a banca de impostos ao ouvir o chamado de Jesus (Mt 9,9).
- Zaqueu: depois de receber Jesus em casa, decidiu dar metade dos bens aos pobres e restituir quatro vezes o que havia defraudado (Lc 19,8).
- São Vicente de Paulo e Santa Teresa de Calcutá: mostraram que a caridade concreta com os pobres é lugar de encontro com Cristo.
Exame de consciência sobre a avareza
- Coloquei o dinheiro acima de Deus, da família ou da saúde?
- Deixei de ajudar quem precisava, podendo fazê-lo?
- Contribuí com a minha paróquia de acordo com as minhas possibilidades?
- Enganei, cobrei a mais ou paguei de menos em algum negócio?
- Briguei com familiares por bens ou herança?
- Vivi ansioso com o futuro, sem confiar na providência?
- Invejei ou desejei os bens dos outros?
Perguntas frequentes
Ter dinheiro é pecado para a Igreja Católica?
Não. Os bens podem ser adquiridos e usados de forma justa. O pecado está no apego desordenado e no fechamento às necessidades dos outros.
Poupar e investir é avareza?
Planejar o futuro e garantir o sustento da família é prudência. Torna-se avareza quando a acumulação vira fim em si mesma ou impede a generosidade.
Qual a virtude oposta à avareza?
A generosidade, chamada por São Tomás de liberalidade, que leva a usar os bens com desprendimento e a partilhá-los com alegria.
Para aprofundar
- Os pecados capitais e as virtudes opostas
- As bem-aventuranças: o caminho da felicidade cristã
- Justiça: a virtude de dar a cada um o que é seu
- Exame de consciência pelos pecados capitais
Fontes
Catecismo da Igreja Católica, especialmente CIC 1866, 2536 e 2544 a 2547. São Gregório Magno, Moralia sobre Jó. São Tomás de Aquino, Suma Teológica, II-II, questão sobre a avareza. Bíblia Sagrada (tradução da CNBB). As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.