O Salmo 98 é um hino de alegria pela salvação que Deus realizou. Ele convida a cantar um canto novo porque o Senhor fez maravilhas, mostrou sua justiça às nações e se lembrou do seu amor por Israel. Termina com toda a criação em festa: o mar ressoa, os rios batem palmas e os montes cantam diante do Senhor que vem.
Contexto do Salmo 98
Na numeração litúrgica e da Vulgata, este é o Salmo 97. O título hebraico é uma única palavra, “Salmo”, que na Bíblia da CNBB faz parte do versículo 1. Não há indicação de autor. É um hino do grupo dos salmos do Reino do Senhor (93 e 95 a 99).
Ele é muito parecido com o Salmo 96: os dois começam com o convite ao canto novo e terminam com o Senhor que vem julgar a terra. A diferença é que o Salmo 98 insiste mais na salvação já realizada. Sua linguagem lembra muito a segunda parte do livro de Isaías, que anuncia a volta do exílio como um novo êxodo (Is 52,10). Por isso muitos estudiosos o situam depois do exílio, mas sem certeza.
Explicação do Salmo 98
Versículos 1 a 3: o Senhor fez maravilhas
O salmo abre com o convite a cantar ao Senhor um canto novo, porque ele fez maravilhas (Sl 98,1). O motivo do canto novo é uma obra concreta de Deus. Sua mão direita e seu braço santo lhe deram a vitória. A mão direita e o braço são imagens bíblicas da força de Deus que liberta, as mesmas usadas para falar da saída do Egito (Ex 15,6.12).
O Senhor deu a conhecer a sua salvação e revelou a sua justiça aos olhos das nações. Lembrou-se do seu amor e da sua fidelidade para com a casa de Israel. Aqui aparece um movimento importante: Deus age por fidelidade à aliança com Israel, mas o resultado é visto por todos. Os confins da terra contemplaram a salvação do nosso Deus. O que começa num povo se abre para o mundo.
Esses versículos têm muitos ecos no Magnificat: Maria canta que Deus agiu com a força do seu braço e se lembrou da sua misericórdia em favor de Israel, seu servo (Lc 1,51.54). E o velho Simeão, ao tomar o menino Jesus nos braços, diz que seus olhos viram a salvação preparada diante de todos os povos (Lc 2,30-31).
Versículos 4 a 6: aclamai o Rei
Agora toda a terra é convidada a aclamar o Senhor. Gritai de alegria, exultai, cantai. A música ganha instrumentos: a cítara, o som da cítara, as trombetas e o som da trompa. A trompa, o shofar feito de chifre de carneiro, era tocada nas grandes festas e na entronização dos reis (1Rs 1,39). Aqui ela anuncia a presença do Rei, o Senhor. É uma liturgia de coroação, mas o Rei é Deus.
Versículos 7 a 9: a criação entra na festa
Depois da assembleia humana, entra o coral da criação. Ressoe o mar e tudo o que nele existe, o mundo e os seus habitantes. Os rios batem palmas e os montes cantam de alegria, juntos, diante do Senhor. As imagens são ousadas: rios aplaudindo, montanhas cantando. O salmista vê o universo inteiro participar do louvor.
E o motivo é o mesmo do Salmo 96: o Senhor vem para julgar a terra. Ele julgará o mundo com justiça e os povos com retidão. A vinda de Deus é desejada, porque traz ordem, justiça e paz a um mundo ferido.
O que o Salmo 98 ensina para a fé católica?
O salmo celebra a salvação como obra de Deus, não como conquista humana. Foi a sua mão direita que deu a vitória. A fé católica ensina que a salvação é graça, dom gratuito, ao qual o homem responde com fé e amor.
A leitura cristã vê aqui o anúncio da salvação trazida por Cristo a todos os povos. Por isso a Igreja canta este salmo na Missa do Dia de Natal, com o refrão que diz que os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus. No Natal, a salvação ganha um rosto: o Menino nascido em Belém, luz para as nações.
O salmo também mostra que a salvação de Deus tem uma ordem: ele se lembra primeiro da aliança com Israel, e a partir dela abraça todos os povos. A Igreja reconhece com gratidão essa raiz. Por fim, a festa dos rios e montes lembra que a criação também espera a redenção, como diz São Paulo (Rm 8,19-22). Na Liturgia das Horas, o salmo faz parte do saltério rezado pela Igreja.
Reflexão para hoje
O canto novo nasce de uma memória: Deus fez maravilhas. Muitas vezes nossa oração fica pobre porque esquecemos o que Deus já fez. Vale a pena, de vez em quando, fazer a lista das maravilhas de Deus na própria história: a família, a fé recebida, uma cura, uma saída inesperada de um problema, pessoas que chegaram na hora certa. Essa memória faz nascer o louvor.
O salmo também ensina que a fé não é só um assunto particular. A salvação foi vista pelos confins da terra. O que Deus faz em nós é para ser visto, não por vaidade, mas para que outros conheçam a sua bondade. Uma família unida, um perdão concedido, um trabalho feito com honestidade são sinais da salvação de Deus no mundo.
E a alegria da criação é um convite a rezar ao ar livre de vez em quando: diante do mar, de um rio, de uma montanha. A natureza, criada por Deus, ajuda a lembrar que todo o universo louva o seu Criador.
Para rezar com o Salmo 98
- Quais são as maravilhas que Deus já fez na minha vida e que eu esqueci de agradecer?
- Minha vida ajuda outras pessoas a ver a salvação de Deus?
- Espero a vinda do Senhor com alegria ou com indiferença?
Sugestão de oração:
Senhor, quero cantar-te um canto novo, porque fizeste maravilhas em minha vida. Tua mão me salvou quando eu não podia me salvar. Que eu nunca esqueça teu amor e tua fidelidade. Faz de mim um sinal da tua salvação para os que estão perto e longe, e prepara meu coração para acolher-te quando vieres. Amém.
Fontes
Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Lecionário (Natal, Missa do Dia); Liturgia das Horas.
Perguntas sobre Salmo 98
Qual é a diferença entre o Salmo 96 e o Salmo 98?
Por que o Salmo 98 é cantado no Natal?
O que significa os rios baterem palmas?
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