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Salmo 50: o sacrifício de louvor que agrada a Deus

Leia Salmo 50 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

O rei Davi toca a harpa cercado de anjos
Hendrick ter Brugghen, O rei Davi tocando harpa entre anjos, 1628. Domínio público, via Wikimedia Commons.

O Salmo 50 põe em cena um grande julgamento. Deus aparece em fogo e tempestade, convoca céus e terra como testemunhas e chama o seu próprio povo a juízo. A acusação surpreende: Deus não reclama da falta de sacrifícios, mas de um culto vazio e de uma vida incoerente. O que Ele pede é o sacrifício de louvor e um coração fiel.

Contexto do Salmo 50

O Salmo 50 corresponde ao Salmo 49 na numeração litúrgica. Atenção para não confundir: o famoso Miserere é o Salmo 51 na numeração hebraica (50 na litúrgica). O Salmo 50 de que tratamos aqui é outro texto.

O título o atribui a Asaf, que segundo a tradição bíblica era um dos chefes dos músicos do Templo (1Cr 16,5). É o primeiro dos salmos de Asaf; os outros estão reunidos mais adiante, nos Salmos 73 a 83.

Pelo gênero, é um salmo profético ou litúrgico de julgamento. Lembra os profetas que denunciam o culto sem justiça, como Isaías 1,11-17, Amós 5,21-24 e Oseias 6,6. Muitos estudiosos pensam que era usado numa celebração de renovação da aliança, mas isso é hipótese.

Explicação do Salmo 50

Versículos 1 a 6: Deus vem para julgar

O salmo começa com uma teofania, isto é, uma manifestação de Deus. O Deus dos deuses, o Senhor, fala e convoca a terra do nascer ao pôr do sol. De Sião, perfeição da beleza, Deus resplandece. Ele vem e não se cala: diante dele há um fogo que devora e ao seu redor uma tempestade violenta. As imagens lembram o Sinai, onde Deus deu a Lei entre fogo e trovões (Ex 19,16-18).

Deus convoca o céu e a terra como testemunhas, como num tribunal. Quem é chamado a juízo? Os seus fiéis, os que selaram com Ele a aliança por meio de um sacrifício (Ex 24,5-8). O julgamento não é contra os pagãos, mas contra o povo de Deus. Os céus anunciam a sua justiça, porque o próprio Deus é o juiz.

Versículos 7 a 15: não preciso dos teus animais

Deus fala em primeira pessoa: escuta, meu povo, eu sou Deus, o teu Deus. A primeira acusação é surpreendente. Não te repreendo pelos teus sacrifícios, diz o Senhor; os teus holocaustos estão sempre diante de mim. O problema não é a falta de culto.

O problema é a mentalidade por trás dele. Deus não precisa de touros nem de cabritos, porque todos os animais da floresta e do campo são seus. Com ironia, Ele diz: se eu tivesse fome, não te diria, pois o mundo é meu e tudo o que nele existe. Acaso como carne de touros ou bebo sangue de cabritos? Os povos vizinhos imaginavam deuses que se alimentavam das ofertas. O Deus de Israel não é assim. Não somos nós que sustentamos Deus.

O que Deus quer, então? “Oferece a Deus um sacrifício de louvor” (Sl 50,14), cumpre os teus votos ao Altíssimo e, no dia da angústia, invoca-me: eu te livrarei e tu me glorificarás. O culto verdadeiro é gratidão, fidelidade à palavra dada e confiança. A Carta aos Hebreus retoma essa expressão e convida os cristãos a oferecer a Deus, por meio de Jesus, um sacrifício de louvor (Hb 13,15).

Versículos 16 a 21: a palavra na boca e o pecado nas mãos

A segunda acusação é dirigida ao ímpio dentro do povo. Por que recitas os meus mandamentos e tens a minha aliança na boca, se detestas a correção e jogas as minhas palavras para trás? Deus denuncia quem fala de fé mas vive o contrário.

Os pecados citados percorrem os mandamentos: fazer aliança com o ladrão, juntar-se aos adúlteros, soltar a boca para o mal, tramar mentiras, falar mal do próprio irmão, difamar o filho da própria mãe. São pecados contra o próximo, mostrando que não se pode separar o culto a Deus do respeito aos outros.

Deus diz: fizeste isso e eu me calei; pensaste que eu era como tu. O silêncio de Deus foi interpretado como aprovação. Mas agora Ele acusa e põe tudo diante dos olhos do culpado. A paciência de Deus não é indiferença; é tempo dado para a conversão.

Versículos 22 e 23: escolher o caminho da salvação

O salmo termina com um aviso e uma promessa. Compreendei isto, vós que vos esqueceis de Deus, para que Ele não vos arrebate sem que ninguém vos livre. E a conclusão retoma o centro: quem oferece o sacrifício de louvor honra a Deus, e a quem segue o caminho reto Deus mostrará a sua salvação.

O que o Salmo 50 ensina para a fé católica?

O Salmo 50 ensina que o culto exterior precisa nascer do coração e transformar a vida. O Catecismo afirma que o sacrifício exterior, para ser autêntico, deve ser expressão do sacrifício espiritual, e lembra que os profetas denunciaram os sacrifícios sem participação interior ou separados do amor ao próximo (CIC n. 2100).

Isso não diminui a liturgia. Pelo contrário: a Igreja vê no sacrifício de louvor uma prefiguração da Eucaristia, cujo nome significa justamente ação de graças. Na Missa, Cristo oferece ao Pai o único sacrifício perfeito, e nós somos chamados a unir a ele a nossa vida. O próprio Catecismo diz, no mesmo número, que unindo-nos ao sacrifício de Cristo podemos fazer da nossa vida um sacrifício a Deus.

O salmo também lembra que a fé se mede pelos frutos. Jesus fará a mesma advertência: nem todo aquele que diz Senhor, Senhor entrará no Reino, mas quem faz a vontade do Pai (Mt 7,21).

Reflexão para hoje

É fácil cair no que o Salmo 50 denuncia: ir à Missa, rezar o terço, e depois falar mal do vizinho, enganar no trabalho, tratar mal a família. O salmo não nos manda deixar as práticas religiosas. Manda unir a oração à vida.

Também é fácil pensar que estamos fazendo um favor a Deus quando rezamos ou ajudamos a Igreja. Deus responde com bom humor: se eu tivesse fome, não te pediria. Tudo é dele. A oração não enriquece Deus; somos nós que saímos dela mudados.

O sacrifício de louvor está ao alcance de todos. Agradecer pelo dia, pela comida, pelas pessoas que amamos. Cumprir o que prometemos. Chamar por Deus na angústia, em vez de nos desesperar. E, se percebemos que a nossa vida está longe da nossa fé, a porta está aberta: o sacramento da Confissão é o lugar onde Deus nos mostra os nossos pecados não para condenar, mas para salvar.

Para rezar com o Salmo 50

  • A minha oração e a minha vida estão de acordo, ou há contradição entre elas?
  • Agradeço a Deus com frequência, ou só peço?
  • Há alguma promessa que fiz a Deus e ainda não cumpri?

Sugestão de oração:

Senhor, tudo é teu, e eu nada tenho para te dar que não tenha recebido de ti. Aceita o meu louvor e a minha gratidão. Une a minha oração à minha vida, para que eu não te honre só com os lábios. Mostra-me o caminho reto e a tua salvação. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica; Liturgia das Horas.

Perguntas sobre Salmo 50

Qual é o tema do Salmo 50?

O Salmo 50 é um julgamento de Deus contra o seu próprio povo. Deus não reclama da falta de sacrifícios, mas de um culto sem coração e de uma vida que contradiz a aliança. Ele pede o sacrifício de louvor e a obediência.

Deus rejeita os sacrifícios no Salmo 50?

Não exatamente. Deus diz que não precisa de animais, porque tudo já é seu. O que Ele rejeita é o sacrifício feito como se Deus tivesse fome ou como se o rito dispensasse a conversão. O culto verdadeiro une gratidão, cumprimento das promessas e vida justa.

Quem é Asaf, a quem se atribui o Salmo 50?

Asaf foi, segundo os livros das Crônicas, um dos chefes dos cantores levitas no tempo de Davi (1Cr 16,5). Doze salmos levam o seu nome no título; o Salmo 50 é o primeiro deles.

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