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Salmo 47: Deus sobe entre aclamações, explicação

Leia Salmo 47 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

O rei Davi toca a harpa cercado de anjos
Hendrick ter Brugghen, O rei Davi tocando harpa entre anjos, 1628. Domínio público, via Wikimedia Commons.

O Salmo 47 é um hino curto e cheio de festa. Convida todos os povos a bater palmas e aclamar a Deus, rei de toda a terra, que “sobe” entre gritos de alegria e som de trombeta. A Igreja o canta na Ascensão do Senhor, lendo nessa subida a glorificação de Cristo.

Contexto do Salmo 47

O Salmo 47 é o Salmo 46 na numeração litúrgica. O título hebraico o atribui, como o anterior, aos filhos de Coré, cantores do Templo de Jerusalém.

É um dos chamados salmos do Reino de Deus ou da realeza do Senhor, como os Salmos 93 e 95 a 99. Eles celebram Deus como rei sobre Israel e sobre todas as nações. Muitos estudiosos pensam que o salmo acompanhava uma procissão litúrgica no Templo, talvez com a arca da aliança, sinal da presença de Deus, subindo ao santuário (como em 2Sm 6,15, com gritos e trombetas). É uma hipótese razoável, mas não há certeza sobre a cerimônia exata.

O texto se divide em duas partes, cada uma aberta por um convite à aclamação.

Explicação do Salmo 47

Versículos 2 a 5: o rei de toda a terra

O salmo começa com um chamado amplo: povos todos, batei palmas, aclamai a Deus com gritos de alegria. Não são só os israelitas que devem louvar. Em Israel, a posse de um rei era marcada por aclamações e por trombetas (1Rs 1,39-40). Aqui, o rei aclamado é o próprio Deus.

O motivo: o Senhor é o Altíssimo, terrível, isto é, digno de reverência, grande rei sobre toda a terra. Os versículos seguintes lembram a história de Israel. Ele submeteu povos e escolheu para o seu povo uma herança, a terra prometida, orgulho de Jacó, a quem ama. A linguagem é a de uma época em que a fé se exprimia por meio das vitórias do povo. O centro, porém, não é a força de Israel: é o amor de Deus que escolhe e dá a herança.

Versículo 6: Deus sobe entre aclamações

O versículo central diz: “Deus sobe entre aclamações, o Senhor, ao som da trombeta” (Sl 47,6). No sentido literal, pode indicar a subida da arca ao monte do Templo, ou, de modo poético, Deus que “sobe” ao seu trono depois de agir em favor do povo. Subir ao trono é tomar posse do reinado.

Esse é o versículo que a tradição cristã leu em referência à Ascensão de Jesus. O Novo Testamento conta que Jesus, depois da ressurreição, foi elevado ao céu diante dos discípulos (At 1,9) e se sentou à direita de Deus (Mc 16,19). O salmo oferece as palavras para celebrar essa subida.

Versículos 7 a 10: cantai salmos ao nosso rei

A segunda parte insiste no canto: a palavra “cantai salmos” se repete várias vezes, como um refrão de festa. Deus é rei de toda a terra; cantai-lhe com arte. Deus reina sobre as nações, Deus está sentado no seu trono santo.

O final é surpreendente. Os chefes dos povos se reúnem com o povo do Deus de Abraão. Abraão era o pai em quem todas as famílias da terra seriam abençoadas (Gn 12,3). O salmo vê os povos estrangeiros juntos com Israel, formando uma só assembleia diante de Deus. Os escudos da terra, isto é, os poderosos que protegem os povos, pertencem a Deus, e Ele é sumamente exaltado.

O que o Salmo 47 ensina para a fé católica?

O Salmo 47 é cantado como salmo responsorial na solenidade da Ascensão do Senhor. A Igreja o lê como profecia da glorificação de Cristo: o Filho, que desceu até a morte, sobe ao Pai com a nossa humanidade e reina. A Ascensão não é a ausência de Jesus, mas a sua entrada definitiva na glória, de onde envia o Espírito e intercede por nós.

O salmo ensina também a universalidade do Reino. A reunião dos povos com o povo de Abraão anuncia a Igreja, formada por gente de todas as nações. São Paulo dirá que, em Cristo, os pagãos se tornam herdeiros da promessa feita a Abraão (Gl 3,29).

Por fim, o salmo mostra o lugar da alegria e do corpo na oração. O Catecismo lembra que a oração dos salmos é sempre animada pelo louvor (CIC n. 2589). Bater palmas, gritar, cantar: a liturgia de Israel envolvia a pessoa inteira, e a liturgia cristã conserva esse espírito no canto e nos gestos. Sobre o sentido dos gestos na celebração, veja os gestos na Missa e o seu significado.

Reflexão para hoje

Às vezes temos uma fé muito séria e pouco alegre. O Salmo 47 começa com palmas. Ele lembra que reconhecer Deus como rei é motivo de festa, não de medo. Quem sabe que Deus reina pode viver com mais leveza, porque não precisa carregar o mundo nas costas.

O salmo também alarga o coração. Deus não é propriedade de um grupo. Os chefes dos povos se juntam ao povo de Abraão. Em uma época de divisões, a fé cristã nos ensina a ver em cada pessoa alguém chamado a fazer parte da mesma família de Deus.

E a Ascensão nos dá direção. Jesus subiu ao céu, e o nosso destino é estar com Ele. Isso não nos tira do mundo: os anjos perguntaram aos discípulos por que ficavam olhando para o céu (At 1,11). A esperança do céu nos devolve à terra com missão.

Para rezar com o Salmo 47

  • Minha oração tem espaço para a alegria e o louvor, ou só para os pedidos?
  • Em que área da minha vida eu ainda não deixei Deus reinar?
  • Como a esperança do céu muda a forma como vivo hoje?

Sugestão de oração:

Senhor Jesus, que subiste ao céu entre aclamações, reina sobre a minha vida. Dá-me um coração alegre para te louvar e um olhar largo para reconhecer em todos os povos os teus filhos. Que eu viva na terra com os olhos postos em ti. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica; Liturgia das Horas.

Perguntas sobre Salmo 47

Por que o Salmo 47 é cantado na Ascensão?

Porque o versículo 6 diz que Deus sobe entre aclamações, ao som da trombeta. A Igreja vê nessa subida uma figura de Cristo que sobe ao céu e se senta à direita do Pai, e por isso usa o salmo como responsorial na solenidade da Ascensão.

O que significa “povos todos, batei palmas”?

É um convite a todas as nações, e não só a Israel, para aclamar a Deus como rei. Bater palmas e gritar de alegria eram gestos de aclamação a um rei no dia da sua posse.

O Salmo 47 fala só de Israel?

Não. Ele começa e termina com os povos: os chefes das nações se reúnem com o povo do Deus de Abraão. É um salmo de horizonte universal, que anuncia Deus como rei de toda a terra.

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