O Salmo 113 é um hino de louvor curto e luminoso. Convida os servos do Senhor a bendizer o seu nome em todo tempo e lugar e contempla um contraste: o Deus que está acima dos céus é o mesmo que se inclina para levantar o pobre do pó e dar alegria à mulher estéril. Abre o conjunto de salmos que a tradição judaica canta na Páscoa.
Contexto do Salmo 113
Na numeração litúrgica e da Vulgata, ele é o Salmo 112. Começa e termina com Aleluia, sem indicação de autor. É um hino de louvor.
Os Salmos 113 a 118 formam o chamado Hallel, palavra hebraica que significa louvor. Segundo a tradição judaica, esses salmos eram cantados nas grandes festas e de modo especial na ceia pascal, uma parte antes e outra depois da refeição. Por isso muitos estudiosos pensam que o hino cantado por Jesus e os discípulos ao fim da Última Ceia (Mt 26,30) foi o final do Hallel. É uma hipótese bem fundamentada, embora o Evangelho não diga quais salmos foram cantados.
Explicação do Salmo 113
Versículos 1 a 3: louvor sem limites
O salmo convida os servos do Senhor a louvar o seu nome. Servos aqui pode indicar os sacerdotes e levitas do templo, mas também todo o povo fiel. O louvor não tem limite de tempo nem de espaço: bendito seja o nome do Senhor agora e para sempre, do nascer ao pôr do sol. A expressão do nascer ao pôr do sol aparece também em Malaquias 1,11, quando o profeta anuncia uma oferta pura que será feita ao nome de Deus em todos os lugares, e a Igreja a retoma na Oração Eucarística III.
Versículos 4 a 6: quem é como o Senhor?
O Senhor está acima de todas as nações, e a sua glória está acima dos céus. Vem então a pergunta que é o coração do salmo: quem é como o Senhor nosso Deus? A resposta está no modo como ele age. Ele se assenta no alto, mas se inclina para olhar o céu e a terra. A grandeza de Deus não o afasta; é justamente o que lhe permite descer até o mais baixo.
Versículos 7 e 8: o pobre levantado do pó
Ele ergue do pó o fraco e tira do lixo o pobre, para fazê-lo sentar-se com os príncipes do seu povo. O lixo, em muitas cidades antigas, era o monte de detritos fora dos muros, onde os excluídos às vezes ficavam pedindo esmola. Deus não apenas alivia a miséria; devolve a dignidade, colocando o pobre entre os príncipes. Essas palavras são quase iguais às do cântico de Ana, mãe de Samuel (1Sm 2,8).
Versículo 9: a estéril que se torna mãe
O salmo termina com uma cena familiar: Deus faz a mulher estéril habitar em casa, como mãe feliz de filhos. Na cultura de Israel, a esterilidade era uma dor profunda e muitas vezes motivo de vergonha. A história sagrada está cheia de mulheres estéreis que Deus tornou mães: Sara, Rebeca, Raquel, Ana, e no Novo Testamento Isabel. Em todas, a vida nasce de uma intervenção de Deus. O último Aleluia fecha o salmo.
O que o Salmo 113 ensina para a fé católica?
O salmo revela o estilo de Deus: grandeza que se inclina. Os cristãos reconhecem nisso o mistério da Encarnação, quando o Filho de Deus desceu até nós e se fez pobre para nos enriquecer (2Cor 8,9). O Magnificat de Maria é quase um eco do Salmo 113: o Poderoso olhou para a humildade da sua serva, derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes (Lc 1,46-55).
O Catecismo ensina que o louvor é a forma de oração que reconhece mais diretamente que Deus é Deus, e o canta por ele mesmo, não tanto pelo que ele faz, mas sobretudo porque ele é (CIC n. 2639). O Salmo 113 faz as duas coisas: celebra quem Deus é e o que ele faz pelos pequenos.
Na Liturgia das Horas, este salmo é rezado nas Vésperas: está, por exemplo, nas primeiras Vésperas do domingo da terceira semana e nas primeiras Vésperas do Comum de Nossa Senhora, usadas em solenidades marianas como a Assunção. A escolha combina bem com a ligação do salmo com o Magnificat e com a maternidade que vem de Deus. Saiba mais sobre a Liturgia das Horas.
Reflexão para hoje
Quem já se sentiu no pó sabe o valor deste salmo. Pode ser a perda do emprego, uma dívida que humilha, uma doença que tira a autonomia, a sensação de não valer nada. O salmo diz que Deus olha exatamente para esse lugar. Ele não se impressiona com o que impressiona o mundo; inclina-se para o que o mundo descarta.
Isso também nos dá uma tarefa. Se Deus levanta o pobre e o faz sentar com os príncipes, a Igreja é chamada a fazer o mesmo. Na paróquia, no trabalho, na família, quem está sendo deixado de lado? Às vezes basta um gesto: chamar pelo nome, dar um lugar à mesa, ouvir com atenção.
E para os casais que enfrentam a dor de não ter filhos, o salmo não é uma promessa automática, mas uma garantia de que Deus vê essa dor e pode fazer nascer vida de muitos modos. Muitas famílias encontraram na adoção, no cuidado de sobrinhos ou no serviço à comunidade uma fecundidade inesperada.
Para rezar com o Salmo 113
- Em que momento da minha vida Deus me levantou do pó?
- Quem, perto de mim, está esperando que alguém se incline e o levante?
- O meu louvor a Deus vai do nascer ao pôr do sol ou só aparece quando preciso de algo?
Sugestão de oração:
Senhor, quem é como tu? Estás acima dos céus e te inclinas para mim. Obrigado por me levantares tantas vezes do pó. Faze-me olhar os pobres com o teu olhar e dá-me um coração humilde como o de Maria, para cantar a tua grandeza do nascer ao pôr do sol. Amém.
Fontes
Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 2639; Missal Romano, Oração Eucarística III.
Perguntas sobre Salmo 113
O que é o Hallel do qual o Salmo 113 faz parte?
Qual a relação entre o Salmo 113 e o Magnificat?
Por que o Salmo 113 fala da mulher estéril?
Está lendo a Bíblia inteira? Acompanhe no Plano de leitura da Bíblia ou reze o texto com a Lectio Divina.