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Romanos 7: a Lei, o pecado e a luta interior

Leia Romanos 7 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

São Paulo, idoso e de barba branca, escreve uma carta à luz junto a um grande livro aberto
Jan Lievens, O Apóstolo Paulo, c. 1627–1629. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Romanos 7 trata da relação entre a Lei de Moisés e o pecado. Paulo explica que o cristão foi libertado da Lei pela morte de Cristo, mas defende que a Lei é santa e boa. Depois descreve uma luta interior que muitos reconhecem em si mesmos: querer o bem e não conseguir fazê-lo. O capítulo termina com um grito de esperança em Jesus Cristo.

Contexto de Romanos 7

No capítulo 6, Paulo mostrou que o batizado está livre do pecado. Agora mostra que está livre também do regime da Lei. Mas isso levantava uma dúvida séria para seus leitores judeus: se a Lei não salva, ela seria má? Paulo responde que não. O problema não está na Lei, mas no pecado que se aproveita dela.

Na segunda metade do capítulo, Paulo fala na primeira pessoa: “eu”. Os intérpretes discutem desde os primeiros séculos quem é esse “eu”. Pode ser a humanidade sob a Lei antes de Cristo, Paulo recordando sua experiência anterior, ou o cristão que ainda sente a fraqueza da carne. Não há uma única resposta aceita por todos. Em qualquer leitura, o texto ilumina também a luta que o batizado continua a viver.

Explicação de Romanos 7

Versículos 1 a 6: livres da Lei como a viúva

Paulo usa um exemplo do direito. A mulher casada está ligada ao marido enquanto ele vive; se o marido morre, ela fica livre para se casar com outro. Do mesmo modo, os cristãos morreram para a Lei pelo corpo de Cristo, para pertencer a outro: àquele que ressuscitou dos mortos, a fim de dar frutos para Deus.

Antes, quando vivíamos segundo a carne, as paixões pecaminosas, despertadas pela Lei, produziam frutos de morte. Agora servimos a Deus na novidade do Espírito, e não na velhice da letra. A palavra “carne”, em Paulo, não quer dizer apenas o corpo: indica o ser humano fechado em si mesmo e fraco diante do pecado.

Versículos 7 a 13: a Lei é santa

Então a Lei é pecado? De modo nenhum. Paulo explica que a Lei faz conhecer o pecado. Ele dá o exemplo do mandamento “não cobiçarás” (Ex 20,17). Sem a Lei, ele não saberia o que é a cobiça. Mas o pecado aproveitou o mandamento para despertar todo tipo de desejo desordenado.

Há aqui um eco do relato do Gênesis: assim como a serpente usou o mandamento de Deus para enganar Adão e Eva, o pecado usa a Lei para seduzir e matar. Paulo conclui que a Lei é santa, e o mandamento é santo, justo e bom. O Catecismo resume a tradição cristã dizendo que a Lei antiga é santa, espiritual e boa, mas ainda imperfeita, porque mostra o que se deve fazer sem dar por si mesma a força para fazê-lo (CIC n. 1963).

Versículos 14 a 20: não faço o bem que quero

A Lei é espiritual, mas eu sou carnal, diz Paulo. Segue uma descrição muito humana: não entendo o que faço, porque não faço o que quero, mas o mal que detesto. O querer o bem está ao meu alcance, mas não a capacidade de realizá-lo. “Não faço o bem que quero, mas pratico o mal que não quero” (Rm 7,19).

Paulo diz que, quando isso acontece, já não sou eu que ajo, mas o pecado que habita em mim. Não é uma desculpa para tirar a responsabilidade, e sim a constatação de uma divisão interior. A razão reconhece o bem, mas há uma força que puxa para o lado contrário.

Versículos 21 a 25: quem me libertará?

Paulo descobre uma lei dentro de si: quando quer fazer o bem, o mal se apresenta. No homem interior ele se compraz na Lei de Deus, mas nos seus membros vê outra lei que luta contra a lei da razão. Então grita: infeliz de mim, quem me libertará deste corpo de morte?

A resposta vem imediatamente: graças a Deus, por Jesus Cristo, nosso Senhor. A libertação não vem do esforço sozinho nem da Lei, mas de Cristo. O capítulo 8 vai desenvolver essa resposta, mostrando a vida no Espírito. O último versículo resume a tensão: com a razão sirvo à Lei de Deus, mas com a carne, à lei do pecado.

O que Romanos 7 ensina para a fé católica?

  • A Lei de Deus é boa. A Igreja nunca desprezou o Antigo Testamento nem os mandamentos. A Lei antiga é santa e prepara o Evangelho (CIC n. 1963 e 1964).
  • A concupiscência permanece nos batizados. O Concílio de Trento, no Decreto sobre o pecado original (sessão V), ensina que no batizado permanece a concupiscência, uma inclinação ao mal que vem do pecado e leva ao pecado. Trento esclarece que, quando Paulo às vezes a chama de pecado, a Igreja nunca entendeu que ela seja verdadeiro pecado no batizado, mas uma inclinação deixada para a luta. Ela não prejudica quem não consente e resiste com a graça de Cristo.
  • A libertação vem de Cristo. Sem a graça, a vontade humana é fraca para fazer o bem de modo constante. Com a graça, a luta pode ser vencida.

Para entender melhor as inclinações que todos sentimos, veja os pecados capitais e as virtudes opostas.

Reflexão para hoje

Quem nunca prometeu a si mesmo que não ia mais perder a paciência com os filhos e, no mesmo dia, gritou de novo? Quem nunca decidiu rezar todas as manhãs e desistiu na primeira semana? Romanos 7 nos mostra que essa experiência não é sinal de que somos casos perdidos. É a condição humana marcada pelo pecado, que até o grande São Paulo descreveu com honestidade.

A saída não está em fingir que somos fortes, mas em clamar como Paulo: quem me libertará? E responder com ele: Jesus Cristo. Na prática, isso significa recorrer à oração, à confissão frequente e à Eucaristia, não como prêmios para os perfeitos, mas como remédio para quem está lutando. A página sobre a importância da confissão frequente fala exatamente disso.

Para rezar com Romanos 7

  • Em que área da minha vida mais sinto que “não faço o bem que quero”?
  • Eu tento vencer sozinho ou peço a ajuda de Cristo?
  • Como vejo os mandamentos de Deus: como peso ou como caminho bom?

Sugestão de oração:

Senhor Jesus, tu conheces a minha luta. Quero o bem e muitas vezes faço o mal que não quero. Não me deixes desanimar. Liberta-me pela tua graça, fortalece a minha vontade e ensina-me a amar a tua Lei. Graças a ti, meu Senhor. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 1963 e 1964; Concílio de Trento, Decreto sobre o pecado original (sessão V, 1546).

Perguntas sobre Romanos 7

Quem é o “eu” de Romanos 7?

Há debate entre os intérpretes desde os primeiros séculos. Pode ser a humanidade sob a Lei antes de Cristo, a experiência passada de Paulo ou o cristão que ainda sente a fraqueza da carne. Em todo caso, o texto mostra que só Cristo liberta.

Por que Paulo diz que não faz o bem que quer?

Ele descreve a divisão interior causada pelo pecado: a razão reconhece o bem, mas uma inclinação contrária puxa para o mal. A Igreja chama essa inclinação de concupiscência, que permanece no batizado como ocasião de luta.

A Lei de Moisés é má segundo Romanos 7?

Não. Paulo afirma que a Lei é santa e o mandamento é santo, justo e bom. O problema é o pecado, que se aproveita da Lei, e a fraqueza humana, que só a graça de Cristo cura.

Está lendo a Bíblia inteira? Acompanhe no Plano de leitura da Bíblia ou reze o texto com a Lectio Divina.