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Romanos 11: a oliveira, o resto fiel e o mistério de Israel

Leia Romanos 11 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

São Paulo, idoso e de barba branca, escreve uma carta à luz junto a um grande livro aberto
Jan Lievens, O Apóstolo Paulo, c. 1627–1629. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Romanos 11 conclui a reflexão de Paulo sobre Israel com uma mensagem de esperança. Deus não rejeitou o seu povo: há um resto fiel, e a recusa de parte de Israel abriu a porta para os pagãos. Com a imagem da oliveira, Paulo ensina humildade aos cristãos vindos do paganismo e anuncia que, no fim, todo Israel será salvo, porque os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis.

Contexto de Romanos 11

Este é o terceiro capítulo do bloco de Romanos 9 a 11. No capítulo 9, Paulo mostrou que a promessa depende da escolha livre de Deus; no 10, que Israel ouviu o Evangelho, mas muitos não creram. Agora responde à pergunta decisiva: Deus abandonou o seu povo? A resposta é um não firme, e o capítulo termina num hino de louvor à sabedoria de Deus.

O texto tem grande importância para a relação entre a Igreja e o povo judeu. O Concílio Vaticano II, na declaração Nostra Aetate, n. 4, apoiou-se nele para ensinar que os judeus continuam amados de Deus por causa dos patriarcas.

Explicação de Romanos 11

Versículos 1 a 10: o resto escolhido pela graça

Deus rejeitou o seu povo? De modo nenhum. O próprio Paulo é israelita, da descendência de Abraão e da tribo de Benjamim. Ele lembra o profeta Elias, que se queixava de ser o único fiel, e a resposta de Deus: ainda havia sete mil que não dobraram os joelhos diante de Baal (1Rs 19,10.18). Assim também agora existe um resto, escolhido pela graça. E se é pela graça, não é pelas obras; do contrário, a graça já não seria graça.

Os demais ficaram endurecidos. Paulo cita Deuteronômio 29,3, Isaías 29,10 e o Salmo 69,23-24 para falar de um torpor espiritual: olhos que não veem e ouvidos que não ouvem. É uma descrição dura, mas o capítulo não termina aí.

Versículos 11 a 16: a queda que trouxe salvação

Tropeçaram para cair de vez? De modo nenhum. Pela falta deles, a salvação chegou aos pagãos, para provocar em Israel um santo ciúme. E se a queda deles foi riqueza para o mundo, quanto mais será a sua plenitude! Paulo, apóstolo dos gentios, honra seu ministério na esperança de salvar alguns de seu povo.

Se a rejeição deles significou a reconciliação do mundo, o que será a sua reintegração, senão a vida dentre os mortos? Paulo usa duas imagens: se as primícias da massa são santas, toda a massa também é; se a raiz é santa, os ramos também o são. A raiz são os patriarcas.

Versículos 17 a 24: a oliveira e os ramos enxertados

A oliveira era um símbolo de Israel (Jr 11,16). Paulo diz que alguns ramos foram cortados e que os pagãos, como ramos de oliveira selvagem, foram enxertados no lugar deles, passando a participar da seiva da raiz. Por isso os cristãos vindos do paganismo não devem se orgulhar: não são eles que sustentam a raiz, mas a raiz que os sustenta.

Os ramos foram cortados por falta de fé, e os enxertados se mantêm pela fé. Portanto, nada de arrogância, mas temor. Paulo convida a considerar a bondade e a severidade de Deus: severidade para com os que caíram, bondade para contigo, se permaneceres nessa bondade. E acrescenta que Deus tem poder para enxertar de novo os ramos naturais, se não permanecerem na incredulidade. A salvação não é uma posse garantida; pede perseverança.

Versículos 25 a 32: todo Israel será salvo

Paulo revela um mistério: o endurecimento de uma parte de Israel durará até que entre a plenitude dos pagãos, e assim todo Israel será salvo. Ele cita Isaías 59,20-21: de Sião virá o libertador, que afastará as impiedades de Jacó. A Igreja vê aqui a esperança de que, antes do fim, Israel reconheça Jesus como o Messias (CIC n. 674). Paulo não dá datas nem detalhes, e é bom não especular além do que ele diz.

Quanto ao Evangelho, diz Paulo, eles são adversários por causa de vós; quanto à eleição, são amados por causa dos patriarcas. E vem uma frase decisiva: “os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis” (Rm 11,29). Deus não volta atrás. Paulo conclui que Deus encerrou todos na desobediência para usar de misericórdia para com todos. O Catecismo cita este versículo ao falar da misericórdia de Deus diante do pecado (CIC n. 1870).

Versículos 33 a 36: ó profundidade da riqueza de Deus

Depois de três capítulos de reflexão difícil, Paulo não termina com uma explicação, mas com um louvor: ó profundidade da riqueza, da sabedoria e do conhecimento de Deus! Como são insondáveis os seus juízos e impenetráveis os seus caminhos! Ele cita Isaías 40,13 e o livro de Jó (Jó 41,3): quem conheceu o pensamento do Senhor? Quem lhe deu primeiro para receber em troca?

A última frase resume toda a fé: dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele a glória para sempre. Diante do mistério, a resposta mais adequada é a adoração.

O que Romanos 11 ensina para a fé católica?

  • Deus não rejeitou o povo judeu. A Igreja ensina que os judeus continuam amados de Deus por causa dos patriarcas, porque Deus não se arrepende dos seus dons nem do seu chamado, e que os judeus não devem ser apresentados como rejeitados ou amaldiçoados por Deus (Nostra Aetate, n. 4). Leia mais em Nostra Aetate.
  • A Igreja tem raízes em Israel. Os cristãos foram enxertados na oliveira da aliança. Por isso a Igreja conserva o Antigo Testamento e reza os Salmos todos os dias.
  • A graça é gratuita e pede perseverança. O resto é escolhido pela graça, e quem foi enxertado deve permanecer na bondade de Deus. Ninguém deve presumir da própria salvação.
  • A misericórdia é para todos. Deus permite a desobediência para manifestar a misericórdia a todos (CIC n. 1870).
  • A esperança final. A Igreja aguarda o dia em que todo Israel será salvo, mistério ligado ao fim dos tempos.

Reflexão para hoje

A imagem da oliveira é um remédio contra o orgulho espiritual. Às vezes, quem se converteu ou participa ativamente da paróquia pode começar a olhar com superioridade para quem está afastado. Paulo diz: não te orgulhes, porque não és tu que sustentas a raiz. Tudo o que temos de fé é enxerto, é presente.

Também há aqui uma esperança para nossas famílias. Se Deus não desistiu de Israel, não desiste de ninguém. Aquele parente que hoje parece fechado para a fé continua amado. A história ainda não terminou. Nossa parte é rezar, amar e confiar, sabendo que os caminhos de Deus são insondáveis.

Para rezar com Romanos 11

  • Eu me vejo como um ramo enxertado que depende da raiz, ou como alguém que sustenta a própria fé?
  • Por quem eu deixei de ter esperança e preciso voltar a rezar?
  • Consigo louvar a Deus mesmo quando não entendo os seus caminhos?

Sugestão de oração:

Ó Deus, como é grande a tua sabedoria e como são misteriosos os teus caminhos! Eu te agradeço por me enxertares na oliveira da tua aliança. Guarda-me do orgulho e da presunção. Tem misericórdia de todos os povos e reúne-nos um dia no teu Reino. A ti a glória para sempre. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 674 e 1870; Concílio Vaticano II, declaração Nostra Aetate, n. 4.

Perguntas sobre Romanos 11

O que significa a oliveira em Romanos 11?

A oliveira representa o povo da aliança, com raiz nos patriarcas de Israel. Os pagãos que creem em Cristo foram enxertados nela, por isso a Igreja reconhece suas raízes judaicas e deve viver com humildade.

O que quer dizer “todo Israel será salvo”?

Paulo anuncia como mistério que, depois da entrada da plenitude dos pagãos, Israel acolherá a salvação. A Igreja vê aqui a esperança de que o povo judeu reconheça Jesus como Messias, sem fixar datas.

Deus rejeitou o povo judeu segundo Romanos 11?

Não. Paulo afirma com clareza que Deus não rejeitou o seu povo e que seus dons e seu chamado são irrevogáveis. O Concílio Vaticano II retomou esse ensino na declaração Nostra Aetate.

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