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Romanos

Romanos 1: o Evangelho, força de Deus para a salvação

Leia Romanos 1 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

São Paulo, idoso e de barba branca, escreve uma carta à luz junto a um grande livro aberto
Jan Lievens, O Apóstolo Paulo, c. 1627–1629. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Romanos 1 abre a carta mais longa e mais densa de São Paulo. Depois de se apresentar e saudar os cristãos de Roma, o Apóstolo anuncia o tema de toda a carta: o Evangelho é força de Deus para salvar todo aquele que crê. Em seguida começa a mostrar por que a humanidade precisa dessa salvação, descrevendo o que acontece quando o homem se fecha a Deus.

Contexto de Romanos 1

A Carta aos Romanos foi escrita por Paulo, provavelmente em Corinto, por volta dos anos 57 ou 58, quando ele se preparava para levar a Jerusalém a coleta feita entre as igrejas da Grécia. A data exata é discutida, mas a maioria dos estudiosos a situa nesse período. Paulo ainda não conhecia pessoalmente a comunidade de Roma, que não tinha sido fundada por ele. Ela era formada por cristãos vindos do judaísmo e, cada vez mais, por cristãos vindos do paganismo.

Por isso a carta tem um tom de apresentação. Paulo expõe com cuidado o Evangelho que prega, para pedir apoio à missão que planejava fazer na Espanha (Rm 15,24). Desde a Antiguidade a carta foi muito comentada: São João Crisóstomo deixou uma série de homilias sobre ela, e Orígenes escreveu um comentário. Conheça a vida do autor na página de São Paulo, o Apóstolo dos gentios.

Explicação de Romanos 1

Versículos 1 a 7: a saudação de Paulo

Paulo se apresenta com três títulos: servo de Cristo Jesus, chamado para ser apóstolo e separado para o Evangelho de Deus. Ele não fala em nome próprio. Logo em seguida resume o Evangelho: ele foi prometido pelos profetas nas Escrituras e tem como centro o Filho de Deus. Segundo a carne, Jesus nasceu da descendência de Davi; pela ressurreição dos mortos, foi constituído Filho de Deus com poder. O Catecismo lembra esta passagem ao falar do título de Filho de Deus (CIC n. 445).

A missão de Paulo é levar todos os povos à “obediência da fé” (Rm 1,5). A expressão volta no fim da carta (Rm 16,26) e mostra que a fé não é só uma opinião: é entregar-se a Deus com a inteligência e a vontade (CIC n. 143). Os destinatários são chamados “santos”, não porque já fossem perfeitos, mas porque pertencem a Deus pelo Batismo.

Versículos 8 a 15: o desejo de ir a Roma

Paulo agradece a Deus pela fé dos romanos, conhecida no mundo inteiro. Conta que reza sem cessar por eles e que muitas vezes quis visitá-los, mas foi impedido. Quer partilhar algum dom espiritual e, com humildade, também ser confortado pela fé deles. Ele se sente devedor de todos: gregos e bárbaros, sábios e simples. O Evangelho não é propriedade de um grupo.

Versículos 16 e 17: o tema da carta

Estes dois versículos são a chave de toda a Carta aos Romanos. Paulo afirma: “Eu não me envergonho do Evangelho, pois ele é força de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1,16). Primeiro o judeu, por causa das promessas feitas a Israel, e também o grego, isto é, o pagão.

No Evangelho se revela a justiça de Deus. Na linguagem bíblica, a justiça de Deus não é apenas um castigo: é a fidelidade de Deus às suas promessas e a ação pela qual ele torna justo o pecador. Paulo cita o profeta Habacuc: o justo viverá pela fé (Hab 2,4). O Catecismo usa esta frase ao falar da virtude da fé (CIC n. 1814).

Versículos 18 a 23: a ira de Deus e a recusa da verdade

Antes de explicar como Deus salva, Paulo mostra a situação de quem não conhece Cristo. Ele fala da ira de Deus, uma imagem bíblica para dizer que Deus não é indiferente ao mal. O problema dos pagãos não é falta de toda luz: as coisas invisíveis de Deus, seu poder eterno e sua divindade, podem ser percebidas pela inteligência através das obras da criação. O Catecismo cita esta passagem para ensinar que o homem pode chegar ao conhecimento de Deus a partir do mundo criado (CIC n. 32).

Mesmo assim, muitos não glorificaram a Deus nem lhe deram graças. Trocaram a glória do Deus imortal por imagens de homens e de animais. A raiz do pecado, para Paulo, é essa ingratidão: o homem recusa reconhecer que tudo recebe de Deus. O texto lembra o Livro da Sabedoria, capítulo 13, que também critica quem não reconhece o Criador nas criaturas.

Versículos 24 a 32: as consequências da idolatria

Três vezes Paulo repete que Deus “entregou” os homens aos desejos do seu coração. Não é que Deus empurre alguém para o mal: ele respeita a liberdade de quem o rejeita, e o pecado traz em si o seu próprio castigo. Quem troca a verdade de Deus pela mentira acaba desordenando também a própria vida.

Nos versículos 26 e 27, Paulo menciona as relações sexuais entre mulheres e entre homens como exemplo dessa desordem. Seu objetivo não é apontar um grupo, mas mostrar que, quando o Criador é esquecido, também o sentido do corpo e da sexualidade se obscurece. Apoiada na Escritura e na Tradição, a Igreja ensina que os atos homossexuais são contrários à lei natural e não podem ser aprovados (CIC n. 2357). Ensina com a mesma clareza que as pessoas com tendência homossexual devem ser acolhidas com respeito, compaixão e delicadeza, sem nenhum sinal de discriminação injusta, e que, como todo cristão, são chamadas à castidade, sustentadas pela oração e pela graça dos sacramentos (CIC n. 2358 e 2359). Em seguida Paulo amplia a lista: inveja, homicídio, fraude, maledicência, orgulho, desobediência aos pais, falta de misericórdia. Ninguém pode ler esse catálogo como se falasse só dos outros. É o retrato de uma humanidade que se afastou de Deus, e o capítulo 2 vai mostrar que ninguém está isento.

O que Romanos 1 ensina para a fé católica?

  • O Evangelho é Jesus Cristo. Descendente de Davi e Filho de Deus com poder pela ressurreição, ele é o centro da fé e da pregação da Igreja.
  • A fé é obediência. Crer é entregar-se livremente a Deus que se revela, com a inteligência e a vontade (CIC n. 143).
  • Deus pode ser conhecido pela razão. A Igreja ensina, com base neste capítulo, que a criação revela o Criador (CIC n. 32). Fé e razão não são inimigas, como mostra a página sobre fé e razão.
  • O pecado começa na ingratidão. Quando Deus deixa de ser adorado, algo criado ocupa o seu lugar, e a vida humana se desorganiza.

Reflexão para hoje

Paulo diz que não se envergonha do Evangelho. Muitos de nós, às vezes, temos vergonha de fazer o sinal da cruz no restaurante, de dizer no trabalho que fomos à Missa ou de defender a fé numa conversa de família. O Apóstolo, que conhecia prisões e açoites, sabia que o Evangelho não depende da nossa força, mas da força de Deus.

O capítulo também convida a olhar para os ídolos de hoje. Ninguém mais faz estátuas de animais para adorar, mas é fácil colocar no centro da vida o dinheiro, o prestígio, o celular, o corpo ou a própria opinião. O primeiro passo para sair disso é simples e exigente: agradecer. Quem agradece a Deus todos os dias reconhece que não é o dono de tudo.

Para rezar com Romanos 1

  • Em que situações eu tenho vergonha de mostrar que sou cristão?
  • O que ocupa hoje, na prática, o lugar de Deus na minha vida?
  • Tenho o hábito de agradecer a Deus pelas coisas simples do dia?

Sugestão de oração:

Senhor Deus, criador do céu e da terra, eu te agradeço por tudo o que recebo de ti. Dá-me a coragem de não me envergonhar do Evangelho e a humildade de te reconhecer como o único Senhor da minha vida. Que eu viva da fé no teu Filho, Jesus Cristo. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 32, 143, 445, 1814 e 2357 a 2359.

Perguntas sobre Romanos 1

O que significa “o justo viverá pela fé” em Romanos 1,17?

Paulo cita o profeta Habacuc para dizer que a vida verdadeira diante de Deus nasce da fé em Jesus Cristo. Na leitura católica, essa fé é viva e se entrega a Deus inteiramente, abrindo-se à graça que transforma a pessoa.

Romanos 1 diz que é possível conhecer Deus sem a Bíblia?

Sim. Paulo ensina que o poder e a divindade de Deus podem ser percebidos pela inteligência através da criação. O Catecismo (n. 32) usa esta passagem, mas lembra que a Revelação é necessária para conhecer Deus plenamente.

Por que Paulo diz que Deus “entregou” os homens ao pecado?

É uma forma bíblica de dizer que Deus respeita a liberdade de quem o rejeita. Quem se afasta de Deus sofre as consequências do próprio pecado, que desorganiza a vida pessoal e social.

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