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Números 28: o sacrifício perpétuo e as festas de Israel

Leia Números 28 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

O profeta Balaão, sua jumenta e o anjo do Senhor no caminho
Rembrandt, Balaão e a jumenta, 1626. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Números 28 começa um calendário de ofertas que Israel deve apresentar a Deus ao longo do ano. O capítulo trata do sacrifício perpétuo, oferecido toda manhã e toda tarde, das ofertas do sábado e da lua nova, da Páscoa com a semana dos pães sem fermento e da festa das Primícias, ou das Semanas. É um capítulo de normas de culto, que mostra como a vida inteira do povo devia girar em torno de Deus.

Contexto de Números 28

Os capítulos 28 e 29 formam um único bloco. Israel está nas planícies de Moab, prestes a entrar na terra, e Deus organiza o culto que o povo deverá celebrar quando estiver instalado. Já havia normas sobre as festas em Êxodo 23 e Levítico 23; aqui o foco está na quantidade de animais e de ofertas de cada celebração. O texto é técnico, mas revela uma ideia simples: o tempo pertence a Deus, cada dia, cada semana, cada mês e cada ano.

Explicação de Números 28

Versículos 1 e 2: o pão de Deus

Deus manda que Israel cuide de apresentar a oferta no tempo marcado. A Lei chama essas ofertas de alimento ou pão de Deus e de perfume agradável. É uma linguagem humana e simbólica: Deus não precisa comer, como lembra o Salmo 50,12-13. O que o agrada é o coração que se entrega por meio do sinal.

Versículos 3 a 8: o sacrifício perpétuo

Todos os dias devem ser oferecidos dois cordeiros de um ano, sem defeito, em holocausto: um de manhã e outro ao entardecer. Cada um é acompanhado de uma oferta de flor de farinha amassada com azeite e de uma libação, isto é, uma bebida derramada no santuário. O texto chama esse culto de holocausto perpétuo, o mesmo instituído no Sinai (Ex 29,38-42).

O holocausto era queimado por inteiro sobre o altar: nada ficava para quem oferecia. Expressava a entrega total a Deus. Feito de manhã e à tarde, envolvia o dia inteiro, como se Israel dissesse: começamos e terminamos o dia diante de ti.

Versículos 9 e 10: o sábado

No sábado, além do sacrifício perpétuo, oferecem-se mais dois cordeiros com suas ofertas. O dia do descanso é também o dia de um culto mais intenso. O sábado não é só pausa no trabalho, é tempo dedicado ao Senhor.

Versículos 11 a 15: a lua nova

No início de cada mês, quando aparecia a lua nova, Israel oferecia dois novilhos, um carneiro e sete cordeiros, com as ofertas de cereais e as libações, e ainda um bode como sacrifício pelo pecado. O calendário de Israel seguia a lua, e cada mês começava consagrado a Deus, com um pedido de perdão.

Versículos 16 a 25: a Páscoa e os pães sem fermento

No dia catorze do primeiro mês celebra-se a Páscoa do Senhor, memória da libertação do Egito (Ex 12). No dia quinze começa a festa dos pães sem fermento, que dura sete dias. O primeiro e o sétimo dia são de assembleia santa, sem trabalho servil. Em cada um dos sete dias, oferecem-se dois novilhos, um carneiro, sete cordeiros e um bode pelo pecado, além do sacrifício perpétuo.

Versículos 26 a 31: a festa das Primícias

No dia das primícias, quando se apresenta a Deus a oferta nova da colheita, na festa das Semanas, há também assembleia santa e as mesmas ofertas da Páscoa. Essa festa, celebrada sete semanas depois da Páscoa, era chamada em grego de Pentecostes, isto é, quinquagésimo dia. Foi nesse dia de festa que o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos em Jerusalém (At 2,1).

O que Números 28 ensina para a fé católica?

A Igreja lê estas leis como preparação. O Catecismo ensina que a Lei antiga é uma preparação para o Evangelho e oferece imagens e símbolos para exprimir a vida segundo o Espírito (CIC n. 1964). Os sacrifícios repetidos todos os dias mostravam, ao mesmo tempo, o desejo de comunhão com Deus e a sua insuficiência. A Carta aos Hebreus explica que esses sacrifícios não podiam tirar os pecados, mas Cristo, com uma única oferta, levou à perfeição os que são santificados (Hb 10,11-14).

As festas também se cumprem em Cristo. Ele é a nossa Páscoa, imolado por nós (1Cor 5,7), e o Pentecostes cristão é o dom do Espírito, primícias da nova criação. Desde os primeiros séculos, os cristãos viram na Eucaristia a oferta pura anunciada pelo profeta, apresentada em todo lugar (Ml 1,11): não mais muitos animais, mas o único sacrifício de Cristo tornado presente no altar.

O sacrifício da manhã e da tarde tem um eco bonito na oração da Igreja. A Liturgia das Horas tem as suas duas horas principais nas Laudes, de manhã, e nas Vésperas, à tarde. O Salmo 141,2 pede que a oração suba como incenso e as mãos erguidas sejam como a oferta da tarde. O ritmo do culto de Israel continua, transformado, na oração cristã.

Reflexão para hoje

Uma lista de novilhos e cordeiros parece distante da nossa vida. Mas a lógica do capítulo é muito atual: Deus quer estar no começo e no fim do dia, no dia de descanso, no começo de cada mês e nas grandes festas. A fé não é um compartimento; é um ritmo.

Uma oração curta ao acordar e outra antes de dormir, a Missa do domingo, as festas do ano litúrgico: tudo isso é o nosso sacrifício perpétuo. Não oferecemos animais, mas a vida, o trabalho, o cansaço e as alegrias, unidos à oferta de Cristo na Eucaristia.

Para rezar com Números 28

  • Como começo e termino os meus dias: com Deus ou só com o celular?
  • O domingo é para mim um dia do Senhor ou apenas uma folga?
  • Que parte da minha vida ainda não ofereci a Deus por inteiro?

Sugestão de oração:

Senhor, que a minha oração suba diante de ti como o incenso e que as minhas mãos erguidas sejam a oferta da tarde. Recebe o meu dia, do começo ao fim, unido ao sacrifício do teu Filho. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica.

Perguntas sobre Números 28

O que era o sacrifício perpétuo em Números 28?

Era o holocausto diário de dois cordeiros, um de manhã e outro ao entardecer, com oferta de farinha, azeite e libação. Consagrava cada dia inteiro a Deus.

Qual a relação entre a festa das Semanas e Pentecostes?

A festa das Semanas, ou das Primícias, era celebrada cinquenta dias depois da Páscoa e por isso chamada Pentecostes em grego. Nessa festa o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos (At 2,1).

Os católicos ainda precisam cumprir esses sacrifícios?

Não. As leis de culto do Antigo Testamento se cumpriram em Cristo, que se ofereceu uma vez por todas. A Igreja celebra esse único sacrifício na Eucaristia.

Está lendo a Bíblia inteira? Acompanhe no Plano de leitura da Bíblia ou reze o texto com a Lectio Divina.