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Mateus

Mateus 17: a transfiguração de Jesus explicada

Leia Mateus 17 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

São Mateus, idoso e de barba branca, recebe o Evangelho de um anjo que aponta o livro, pintura de Guercino
Guercino, São Mateus e o Anjo, 1622. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Mateus 17 narra a transfiguração de Jesus diante de Pedro, Tiago e João, quando seu rosto brilha como o sol e a voz do Pai o declara Filho amado. Na descida do monte, Jesus explica a vinda de Elias, cura um menino que os discípulos não conseguiram libertar, anuncia de novo a sua paixão e trata do imposto do Templo.

Contexto de Mateus 17

O capítulo vem logo depois da profissão de fé de Pedro e do primeiro anúncio da paixão (Mateus 16). Os discípulos ficaram perturbados com a ideia de um Messias que sofre. A transfiguração lhes dá um vislumbre da glória que está do outro lado da cruz. Os personagens do Antigo Testamento que aparecem, Moisés e Elias, representam a Lei e os Profetas, que encontram em Jesus o seu cumprimento.

Explicação de Mateus 17

Versículos 1 a 8: a transfiguração

Seis dias depois, Jesus leva Pedro, Tiago e João a um monte alto, à parte. Ali Ele se transfigura: o rosto resplandece como o sol e as roupas ficam brancas como a luz. A tradição cristã identifica esse monte com o Tabor, na Galileia, embora o Evangelho não diga o nome. Aparecem Moisés e Elias conversando com Jesus. Os dois subiram a um monte para encontrar Deus (Ex 24; 1Rs 19), e agora estão diante do Filho.

Pedro, encantado, propõe fazer três tendas. Talvez pense na festa das Tendas, quando o povo recordava a caminhada no deserto. Enquanto ele fala, uma nuvem luminosa os cobre. Na Bíblia, a nuvem é sinal da presença de Deus, como no Êxodo. Da nuvem vem a voz: “Este é o meu Filho amado, no qual pus o meu agrado. Escutai-o!” (Mt 17,5). São as mesmas palavras do batismo de Jesus (Mateus 3), agora com uma ordem: escutar. Os discípulos caem com o rosto em terra, cheios de medo. Jesus se aproxima, toca neles e diz que se levantem e não tenham medo. Quando erguem os olhos, veem só Jesus.

Versículos 9 a 13: a vinda de Elias

Na descida, Jesus manda que não contem a visão a ninguém até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos. Os discípulos perguntam por que os escribas dizem que Elias deve vir primeiro. Era uma esperança baseada no profeta Malaquias, que anunciava o retorno de Elias antes do dia do Senhor (Ml 3,23). Jesus responde que Elias já veio, mas não o reconheceram e fizeram com ele o que quiseram. Os discípulos entendem que Ele fala de João Batista. Do mesmo modo, o Filho do Homem também vai sofrer.

Versículos 14 a 21: a cura do menino

Ao chegarem junto da multidão, um homem se ajoelha diante de Jesus e pede pelo filho, que sofre crises terríveis e muitas vezes cai no fogo ou na água. Os discípulos não conseguiram curá-lo. Jesus lamenta a geração sem fé e pervertida, manda trazer o menino, repreende o demônio e o menino fica curado. A descrição dos sintomas lembra o que hoje se chama de epilepsia, mas o texto apresenta o caso como ação do mal, e Jesus age como Senhor sobre tudo.

Em particular, os discípulos perguntam por que não conseguiram. Jesus responde: por causa da pouca fé. Com fé do tamanho de um grão de mostarda, a menor das sementes conhecidas na região, poderiam dizer a um monte que se mudasse, e nada lhes seria impossível. Muitas Bíblias trazem também o versículo 21, que fala da oração e do jejum; ele falta em manuscritos antigos importantes e por isso costuma vir entre colchetes ou em nota, mas o ensinamento combina com o paralelo de Marcos (Mc 9,29).

Versículos 22 e 23: o segundo anúncio da paixão

Reunidos na Galileia, Jesus anuncia de novo que o Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens, que o matarão, mas ao terceiro dia ressuscitará. Os discípulos ficam muito tristes. Eles ainda ouvem a morte, mas não conseguem ouvir a ressurreição.

Versículos 24 a 27: o imposto do Templo

Em Cafarnaum, os cobradores do imposto do Templo perguntam a Pedro se o Mestre paga a didracma. Era uma contribuição anual dos judeus adultos para manter o Templo de Jerusalém, ligada ao que se lê em Ex 30,13. Pedro diz que sim. Em casa, Jesus pergunta: os reis cobram impostos dos filhos ou dos estranhos? Dos estranhos, responde Pedro. Então os filhos estão isentos, conclui Jesus. Como Filho de Deus, Ele não deve imposto à casa do Pai. Mesmo assim, para não escandalizar, manda Pedro pescar: na boca do primeiro peixe encontrará uma moeda, um estáter, que valia o imposto de duas pessoas. Pedro paga por Jesus e por si.

O que Mateus 17 ensina para a fé católica?

A transfiguração revela quem é Jesus: verdadeiro Deus e verdadeiro homem, cuja glória divina brilha na sua humanidade. O Catecismo liga este mistério à profissão de fé de Pedro e ao anúncio da paixão: a partir desse momento, Jesus começa a mostrar que deve sofrer, e a glória do Tabor prepara os discípulos para isso (CIC n. 554). A cena manifesta também a Trindade: o Pai na voz, o Filho transfigurado, e a nuvem luminosa que a tradição associa ao Espírito Santo. Saiba mais em a Santíssima Trindade explicada.

A Igreja celebra a festa da Transfiguração do Senhor em 6 de agosto, e o relato de Mateus é proclamado no segundo domingo da Quaresma do Ano A. A transfiguração é também o quarto dos mistérios luminosos do Rosário. O episódio do menino ensina a força da fé e da oração, e o do imposto mostra Jesus livre, mas atento a não escandalizar os outros.

Reflexão para hoje

Todos nós temos momentos de Tabor: uma Missa em que o coração se aquece, um retiro, uma graça clara. E todos temos a vontade de Pedro, de ficar ali para sempre. Mas Jesus desce do monte e nos leva junto, porque a vida acontece lá embaixo, onde há um pai aflito, um filho doente, uma multidão que espera.

A ordem do Pai é simples: escutai-o. Escutar Jesus é ler o Evangelho com calma, rezar em silêncio, deixar a sua palavra corrigir os nossos planos. Quando o medo nos derruba, Ele faz o mesmo que fez com os discípulos: toca, levanta e diz para não temer.

A fé pequena como grão de mostarda nos lembra que Deus não pede uma fé perfeita, mas verdadeira. Os discípulos falharam não por falta de técnica, mas por falta de confiança. O que nos parece um monte impossível pode ser removido quando confiamos de verdade.

Para rezar com Mateus 17

  • Qual foi um momento em que senti a presença de Deus de modo especial? Como ele me ajuda hoje?
  • O que significa, na minha rotina, escutar Jesus?
  • Que monte na minha vida preciso entregar a Deus com fé?

Sugestão de oração:

Senhor Jesus, Filho amado do Pai, deixa-me ver a tua luz para que eu não desanime diante da cruz. Ensina-me a escutar a tua voz e a descer do monte para servir. Aumenta a minha fé pequena, para que eu confie em ti quando tudo parece impossível. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 554.

Perguntas sobre Mateus 17

O que aconteceu na transfiguração de Jesus?

Diante de Pedro, Tiago e João, Jesus mostrou um pouco da sua glória: o rosto brilhou como o sol e as roupas ficaram brancas como a luz. Moisés e Elias apareceram, e a voz do Pai o declarou Filho amado, mandando que o escutassem.

Por que Moisés e Elias aparecem na transfiguração?

Eles representam a Lei e os Profetas, isto é, todo o Antigo Testamento. Sua presença mostra que Jesus é o cumprimento de tudo o que Deus havia prometido a Israel.

O que significa ter fé do tamanho de um grão de mostarda?

O grão de mostarda era a menor semente conhecida na região. Jesus ensina que basta uma fé pequena, mas verdadeira, para que Deus realize coisas que parecem impossíveis.

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