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Hebreus 13: Jesus Cristo, ontem, hoje e sempre

Leia Hebreus 13 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

O sacerdote Melquisedec oferece pão e vinho a Abraão, figura de Cristo Sumo Sacerdote
Dieric Bouts, O Encontro de Abraão e Melquisedec, 1464–1467. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Hebreus 13 encerra a carta com conselhos práticos para a vida cristã: amor fraterno, hospitalidade, cuidado com os presos, respeito ao matrimônio, desapego do dinheiro e obediência aos pastores. No meio desses conselhos está uma frase muito conhecida: Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre. O capítulo fala ainda do altar dos cristãos, do sacrifício de louvor e termina com uma bela bênção.

Contexto de Hebreus 13

Depois de doze capítulos de reflexão profunda sobre Cristo sacerdote, o autor desce ao cotidiano. A fé no sacrifício de Cristo deve se traduzir num jeito novo de viver em comunidade. Só neste último capítulo o texto ganha as características de uma carta: pedidos de oração, notícias sobre Timóteo e saudações finais. O autor chama todo o escrito de “palavra de exortação” (Hb 13,22).

Explicação de Hebreus 13

Versículos 1 a 3: amor fraterno e hospitalidade

Permaneça o amor fraterno. Não vos esqueçais da hospitalidade, pois, graças a ela, alguns, sem saber, acolheram anjos. O autor lembra Abraão, que recebeu três visitantes junto ao carvalho de Mambré (Gn 18), e também Ló (Gn 19). Na Antiguidade, a hospitalidade era vital para os missionários e os cristãos em viagem, que dependiam das casas dos irmãos.

Lembrai-vos dos presos, como se estivésseis presos com eles, e dos maltratados, pois também vós tendes um corpo. Muitos cristãos estavam presos por causa da fé. A compaixão nasce de nos colocarmos no lugar do outro.

Versículos 4 a 6: matrimônio e dinheiro

O matrimônio seja honrado por todos, e o leito conjugal, sem mancha, porque Deus julgará os imorais e os adúlteros. O autor defende a dignidade do casamento e da fidelidade, num ambiente em que havia tanto desprezo pelo corpo quanto desordem moral.

Que a vossa vida seja livre do amor ao dinheiro; contentai-vos com o que tendes. O motivo é a presença de Deus, que prometeu: não te deixarei nem te abandonarei (Dt 31,6). Por isso podemos dizer com o Salmo 118,6: o Senhor é o meu auxílio, não temerei; que me poderá fazer o homem?

Versículos 7 e 8: os primeiros pastores e Cristo que não muda

Lembrai-vos dos vossos dirigentes, que vos anunciaram a palavra de Deus. Considerai o fim da vida deles e imitai a sua fé. Provavelmente o autor pensa em pastores que já tinham morrido, talvez como mártires.

E vem a frase central: “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e sempre” (Hb 13,8). Os pastores passam; Cristo permanece. O mesmo Jesus que eles anunciaram é o que a comunidade continua a seguir. Na Vigília Pascal, ao preparar o círio, o sacerdote traça sobre ele sinais e diz palavras que ecoam este versículo: Cristo ontem e hoje, princípio e fim.

Versículos 9 a 14: o altar e a saída do acampamento

Não vos deixeis levar por doutrinas diversas e estranhas. É bom fortalecer o coração com a graça, e não com alimentos, que de nada valeram aos que deles se ocupavam. Ao que parece, alguns insistiam em regras sobre comidas rituais.

Temos um altar do qual não têm direito de comer os que servem à tenda. Muitos intérpretes católicos, desde a Antiguidade, viram aqui uma alusão à Eucaristia, a mesa do sacrifício de Cristo; outros entendem o altar como a própria cruz. As duas leituras não se excluem, porque a Eucaristia torna presente o sacrifício da cruz.

O autor lembra que, no Dia da Expiação, os corpos dos animais cujo sangue era levado ao santuário eram queimados fora do acampamento (Lv 16,27). Por isso também Jesus, para santificar o povo com o seu sangue, sofreu fora da porta da cidade. Saiamos, pois, ao seu encontro fora do acampamento, carregando a sua humilhação. Não temos aqui cidade permanente, mas procuramos a futura.

Versículos 15 e 16: o sacrifício de louvor

Por meio dele, ofereçamos continuamente a Deus um sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome. E não vos esqueçais da beneficência e da partilha, porque são esses os sacrifícios que agradam a Deus. Depois do único sacrifício de Cristo, os sacrifícios dos cristãos são o louvor, a caridade e a partilha, unidos a ele.

Versículos 17 a 19: obediência e oração pelos pastores

Obedecei aos vossos dirigentes e sede-lhes dóceis, porque eles velam pelas vossas almas, como quem vai prestar contas. Que o façam com alegria, e não gemendo, pois isso não vos seria proveitoso. Há aqui uma responsabilidade dupla: dos fiéis, que acolhem os pastores, e dos pastores, que respondem a Deus pelo rebanho.

O autor pede orações: rezai por nós. Diz ter a consciência tranquila e o desejo de proceder bem em tudo, e pede orações para voltar logo a eles.

Versículos 20 e 21: a bênção final

Segue uma das bênçãos mais bonitas do Novo Testamento. O Deus da paz, que fez subir dentre os mortos o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue de uma aliança eterna, nosso Senhor Jesus, vos torne aptos para todo bem, para fazerdes a sua vontade. Que ele realize em nós o que lhe agrada, por Jesus Cristo, a quem seja a glória para sempre. Amém.

É a única vez que a carta fala explicitamente da Ressurreição de Jesus, e o faz com a imagem do Bom Pastor. Toda a teologia da carta está resumida aqui: a aliança, o sangue, a Ressurreição e a vida que agrada a Deus.

Versículos 22 a 25: saudações

O autor pede que acolham com paciência esta palavra de exortação, que escreveu brevemente. Informa que o irmão Timóteo foi posto em liberdade e que, se ele vier logo, irá com ele visitá-los. Envia saudações aos dirigentes e a todos os santos. Os da Itália também mandam saudações. Essa expressão pode indicar que o autor escrevia da Itália ou que estava com cristãos vindos de lá; os estudiosos discutem. A carta termina: a graça esteja com todos vós.

O que Hebreus 13 ensina para a fé católica?

O capítulo mostra que a fé em Cristo sacerdote se torna vida concreta. A caridade fraterna, a hospitalidade e a visita aos presos estão entre as obras de misericórdia que a Igreja sempre recomendou. Veja o exame de consciência sobre caridade e vida comunitária.

O versículo 4 afirma a dignidade do matrimônio e da fidelidade conjugal. A Igreja vê o casamento como sacramento, sinal do amor de Cristo pela Igreja. Leia sobre o sacramento do Matrimônio.

Os versículos 7, 17 e 24 mostram que já havia na comunidade dirigentes responsáveis pela pregação e pelo cuidado das almas. A Igreja reconhece nesses ministérios o início da estrutura que ela conservou pela sucessão apostólica.

Por fim, o altar dos cristãos e o sacrifício de louvor iluminam a Missa. A palavra Eucaristia significa ação de graças. Nela, a Igreja oferece o sacrifício de Cristo e, unida a ele, oferece também o louvor dos lábios e a caridade das obras.

Reflexão para hoje

Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e sempre. Num mundo em que tudo muda rápido, empregos, tecnologias, relacionamentos, opiniões, essa frase é um ponto firme. O Jesus que consolou os nossos avós é o mesmo que nos acompanha hoje e que acompanhará os nossos filhos.

Os conselhos do capítulo cabem numa semana comum. Receber bem uma visita, visitar um parente doente, rezar pelos presos, ser fiel no casamento, não deixar que o dinheiro mande na vida, rezar pelo padre da paróquia. A santidade, para a Carta aos Hebreus, passa por essas coisas simples.

E a frase sobre não termos aqui cidade permanente ajuda a viver com leveza. Cuidamos da casa, do trabalho e da família com dedicação, mas sem nos apegar como se fossem eternos. A nossa pátria definitiva é outra.

Para rezar com Hebreus 13

  • Como tenho vivido a hospitalidade e o cuidado com os que sofrem?
  • O dinheiro ocupa um lugar maior do que deveria na minha vida?
  • Rezo pelos pastores da Igreja e pelo padre da minha comunidade?

Sugestão de oração:

Senhor Jesus, o mesmo ontem, hoje e sempre, sê o ponto firme da minha vida. Dá-me um coração hospitaleiro, fiel e desapegado. Que eu te ofereça cada dia o louvor dos lábios e a caridade das obras. Grande Pastor das ovelhas, guarda os pastores da tua Igreja e torna-me apto para fazer a vontade do Pai. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Missal Romano (Vigília Pascal).

Capítulo anterior: Hebreus 12. Veja também Hebreus 1, o início da carta, e Gênesis 18.

Perguntas sobre Hebreus 13

O que significa Hebreus 13,8?

Significa que Jesus Cristo não muda: é o mesmo que os primeiros pastores anunciaram, o mesmo que a Igreja segue hoje e o mesmo que reinará para sempre.

Quem acolheu anjos sem saber, segundo Hebreus 13,2?

O autor alude sobretudo a Abraão, que recebeu três visitantes em Mambré (Gn 18), e também a Ló (Gn 19). O texto incentiva a hospitalidade.

Qual é o altar de que fala Hebreus 13,10?

Muitos intérpretes católicos veem aqui uma alusão à Eucaristia; outros pensam na cruz de Cristo. As leituras se completam, porque a Eucaristia torna presente o sacrifício da cruz.

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