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Gênesis

Gênesis 39: José e a mulher de Putifar

Leia Gênesis 39 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

Jacó dorme sobre a pedra e sonha com a escada que sobe ao céu
Jusepe de Ribera, O sonho de Jacó, 1639. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Gênesis 39 mostra José como escravo no Egito, na casa de Putifar. Deus está com ele, e tudo o que faz prospera, até que a mulher do patrão tenta seduzi-lo. José recusa para não pecar contra Deus e foge, deixando o manto na mão dela. Acusado falsamente, vai para a prisão, mas também ali o Senhor continua com ele.

Contexto de Gênesis 39

A história retoma o fio de Gênesis 37, depois do parêntese sobre Judá e Tamar (Gênesis 38). José, vendido pelos irmãos, foi levado ao Egito e comprado por Putifar, oficial do faraó e chefe da guarda. Ele é jovem, pouco mais de dezessete anos, está longe da família, numa terra de outra língua e de outros deuses, e é escravo.

O contraste com o capítulo anterior é proposital. Judá, livre e na própria terra, cedeu ao desejo à beira do caminho. José, escravo e sozinho num país estrangeiro, resiste a uma tentação insistente. A frase que abre e fecha o capítulo dá a chave da leitura: o Senhor estava com José.

Explicação de Gênesis 39

Versículos 1 a 6: o Senhor estava com José

Putifar compra José dos ismaelitas. O texto repete várias vezes que o Senhor estava com José e o fazia prosperar. O próprio patrão percebe e confia nele cada vez mais, até lhe entregar a administração de toda a casa. Por causa de José, o Senhor abençoa a casa do egípcio, em casa e no campo. É o cumprimento da promessa feita a Abraão: por meio da sua descendência, outros povos seriam abençoados (Gn 12,3).

Putifar não se preocupa com mais nada, a não ser com o pão que come. Talvez a expressão indique as regras de alimentação dos egípcios, que não comiam com estrangeiros (Gn 43,32), ou simplesmente a confiança total. O versículo termina dizendo que José era bonito de rosto e de porte, o que prepara a cena seguinte.

Versículos 7 a 10: a tentação e a recusa

A mulher de Putifar põe os olhos em José e o convida a deitar-se com ela. José recusa e explica: o patrão lhe confiou tudo, menos a ela, que é sua esposa. E conclui: “Como poderia eu cometer tamanho mal e pecar contra Deus?” (Gn 39,9). José vê o adultério sob três aspectos: traição de quem confiou nele, ofensa ao matrimônio do outro e, sobretudo, pecado contra Deus.

A mulher insiste dia após dia, e José não apenas recusa como evita ficar perto dela. A virtude não é só dizer não no momento decisivo; é também afastar-se das ocasiões.

Versículos 11 e 12: a fuga

Um dia José entra na casa para trabalhar e não há nenhum dos empregados. A mulher o agarra pelo manto e repete o convite. José deixa o manto na mão dela e foge. É a segunda vez que José perde uma veste: primeiro a túnica tirada pelos irmãos, agora o manto deixado para não pecar. Nas duas vezes, a roupa vai servir de prova falsa contra a verdade.

A Escritura dirá depois aos cristãos: fugi da imoralidade (1Cor 6,18), e a Timóteo: foge das paixões da juventude (2Tm 2,22). José é o exemplo vivo de que, diante de certas tentações, fugir não é covardia, é sabedoria.

Versículos 13 a 18: a falsa acusação

Rejeitada, a mulher transforma o desejo em vingança. Chama os empregados e acusa José de ter tentado violentá-la, mostrando o manto como prova. Fala com desprezo do “hebreu” que o marido trouxe para zombar deles, jogando os servos contra o estrangeiro e culpando o próprio marido. Quando Putifar chega, repete a mesma história.

Versículos 19 e 20: a prisão

Putifar fica furioso e manda José para a prisão onde ficavam os presos do rei. Para um escravo acusado de atacar a mulher do patrão, a pena poderia ser a morte. Alguns comentaristas pensam que a prisão, em vez da execução, indica que Putifar talvez não acreditasse totalmente na esposa; o texto não diz. José, inocente, perde de novo tudo o que tinha conquistado.

Versículos 21 a 23: Deus também na prisão

Mas o Senhor continua com José. Mostra-lhe sua bondade e faz com que encontre favor aos olhos do carcereiro, que coloca nas mãos dele todos os presos e todo o serviço da prisão. O carcereiro não se preocupa com nada, porque o Senhor estava com José e fazia prosperar tudo o que ele fazia. O capítulo termina como começou. A situação mudou de uma casa rica para uma prisão, mas a presença de Deus não mudou.

O que Gênesis 39 ensina para a fé católica?

O capítulo é um dos grandes textos bíblicos sobre a castidade e a fidelidade. José entende que o pecado sexual não é apenas uma questão entre duas pessoas: é uma ofensa a Deus e uma traição ao amor e à confiança. A Igreja ensina que a castidade é a integração da sexualidade na pessoa, vivida segundo o estado de vida de cada um, e que ela exige domínio de si e prudência diante das ocasiões (veja castidade no namoro e o pecado da luxúria).

O texto ensina também que a fidelidade a Deus nem sempre é recompensada de imediato. José faz o bem e acaba na prisão. A Bíblia não promete que o justo nunca sofrerá, mas que Deus estará com ele no sofrimento. Por isso os cristãos viram em José, inocente e acusado falsamente, mais uma figura de Cristo, condenado sem culpa e fiel ao Pai até o fim.

Por fim, a presença de Deus é a grande certeza do capítulo. Deus não está só nos momentos de sucesso. Está no trabalho de um escravo, na tentação e na prisão.

Reflexão para hoje

José viveu a tentação sozinho, longe da família, sem ninguém para vigiá-lo. É assim que muitas tentações chegam hoje: no celular à noite, numa viagem a trabalho, numa amizade que vai passando dos limites. A pergunta de José ajuda a enxergar com clareza: isso que me atrai é um mal contra Deus, contra quem confia em mim e contra mim mesmo?

O exemplo de José também é prático. Ele não ficou testando a própria força. Evitou ficar perto da mulher e, quando foi preciso, fugiu. Para quem luta com um vício ou uma tentação recorrente, a estratégia é a mesma: afastar-se das ocasiões, buscar ajuda, não confiar só na própria resistência.

E há quem sofra por ter feito o certo: perdeu o emprego por não aceitar uma fraude, foi caluniado, foi injustiçado. José na prisão diz a essas pessoas que Deus não as abandonou. A fidelidade tem valor mesmo quando ninguém a reconhece.

Para rezar com Gênesis 39

  • Que ocasiões de pecado eu preciso evitar, em vez de confiar só na minha força?
  • Vejo o pecado também como uma ofensa a Deus e a quem confia em mim?
  • Em que “prisão” da minha vida eu preciso descobrir que o Senhor está comigo?

Sugestão de oração:

Senhor, tu estavas com José na casa de Putifar e na prisão. Dá-me um coração puro e a coragem de fugir do que me afasta de ti. Quando eu sofrer por fazer o bem, sustenta a minha fé e lembra-me que tu estás comigo. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB).

Perguntas sobre Gênesis 39

Quem era Putifar?

Era um oficial do faraó, chefe da guarda, que comprou José como escravo. Ele confiou a José a administração de toda a sua casa, até a falsa acusação feita por sua esposa.

Por que José recusou a mulher de Putifar?

Porque seria trair o patrão que confiava nele, ofender o casamento dele e, sobretudo, pecar contra Deus. José perguntou como poderia cometer tamanho mal e pecar contra Deus.

O que Gênesis 39 ensina sobre a tentação?

Ensina a evitar as ocasiões de pecado e a fugir quando necessário, como José, que deixou o manto e saiu correndo. Ensina também que Deus permanece com quem é fiel, mesmo no sofrimento injusto.

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