Efésios 5 pede que os cristãos sejam imitadores de Deus e vivam no amor, como Cristo, que se entregou por nós. O capítulo contrasta as trevas e a luz e convida a viver com sabedoria, cheios do Espírito e em ação de graças. A última parte é o texto mais conhecido sobre o matrimônio no Novo Testamento: o amor entre marido e mulher como sinal do amor de Cristo pela Igreja.
Contexto de Efésios 5
O capítulo continua as exortações iniciadas em Efésios 4, onde o autor pediu que os cristãos deixassem o homem velho e se revestissem do homem novo. Agora ele mostra como isso se vive na conduta pessoal e, a partir do versículo 21, nas relações da casa. Na sociedade greco-romana, os filósofos escreviam códigos domésticos com regras para maridos, esposas, filhos e escravos. Efésios retoma esse modelo conhecido, mas o transforma a partir de Cristo. Esse código continua em Efésios 6,1-9.
Explicação de Efésios 5
Versículos 1 e 2: imitadores de Deus
Os cristãos são chamados a ser imitadores de Deus, como filhos amados. Um filho aprende olhando o pai. E o modo de imitar a Deus é viver no amor, como Cristo nos amou e se entregou por nós como oferta e sacrifício de suave odor. A expressão vem da linguagem dos sacrifícios do Antigo Testamento e indica uma oferta agradável a Deus. O amor cristão tem a medida da cruz.
Versículos 3 a 7: o que não convém aos santos
Imoralidade sexual, qualquer impureza ou ganância nem sequer devem ser mencionadas entre os cristãos, como convém a santos. Também não convém a linguagem obscena, as conversas tolas e as piadas grosseiras; em vez disso, a ação de graças. O autor adverte que nenhum imoral, impuro ou ganancioso, que é um idólatra, terá herança no Reino de Cristo e de Deus. A ganância é chamada de idolatria porque coloca o dinheiro no lugar de Deus. Ninguém deve enganar os cristãos com palavras vazias que minimizam esses pecados.
Versículos 8 a 14: filhos da luz
Antes eram trevas, agora são luz no Senhor. O autor não diz apenas que viviam nas trevas, mas que eram trevas; e agora são luz. Por isso devem viver como filhos da luz. O fruto da luz é toda bondade, justiça e verdade. O cristão procura discernir o que agrada ao Senhor e não participa das obras estéreis das trevas, mas as denuncia. O que é feito às escondidas, quando trazido à luz, se torna visível.
O versículo 14 cita um trecho que não está no Antigo Testamento: desperta, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará. Muitos estudiosos pensam que se trata de um hino das primeiras comunidades, talvez cantado no Batismo. Na Igreja antiga, o Batismo era chamado também de iluminação.
Versículos 15 a 20: viver com sabedoria
É preciso cuidar do modo de viver, não como insensatos, mas como sábios, aproveitando bem o tempo, porque os dias são maus. A expressão sugere resgatar o tempo, não deixá-lo se perder. O autor pede que procurem entender a vontade do Senhor. Não se embriaguem com vinho, que leva à devassidão, mas se deixem encher do Espírito. Em vez da euforia do vinho, a alegria do Espírito, que se expressa no canto: salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor de todo o coração. E dando graças sempre e por tudo a Deus Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo.
Versículos 21 a 24: submissos uns aos outros
O versículo 21 é a chave de toda a seção: sejam submissos uns aos outros no temor de Cristo. Antes de falar de maridos e mulheres, o autor pede uma submissão recíproca, que vale para todos. Em seguida, pede que as mulheres sejam submissas aos maridos como ao Senhor, porque o marido é cabeça da mulher como Cristo é cabeça da Igreja, ele, o salvador do corpo.
Esse texto precisa ser lido no seu contexto. Numa sociedade em que a autoridade do marido era tida como natural, o autor não propõe uma revolução social, mas dá um novo sentido às relações a partir de Cristo. São João Paulo II, na carta apostólica Mulieris Dignitatem (n. 24), ensina que essa submissão deve ser entendida como submissão recíproca no temor de Cristo: entre Cristo e a Igreja a submissão é só da Igreja, mas entre marido e mulher ela não é unilateral, é mútua. Nisso está a novidade do Evangelho. Ser cabeça, aqui, não é dominar, mas servir e dar a vida, como Cristo.
Versículos 25 a 30: maridos, amai vossas mulheres
Se às mulheres foram dedicados três versículos, aos maridos são dedicados muito mais, e com uma exigência enorme: “Maridos, amai vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela” (Ef 5,25). Cristo se entregou para santificar a Igreja, purificando-a com o banho da água acompanhado da palavra, uma clara referência ao Batismo. Ele quer a Igreja gloriosa, sem mancha nem ruga, santa e irrepreensível.
Os maridos devem amar suas mulheres como ao próprio corpo. Quem ama a esposa ama a si mesmo, porque ninguém odeia a própria carne, mas a alimenta e cuida dela, como Cristo faz com a Igreja, porque somos membros do seu Corpo.
Versículos 31 a 33: o grande mistério
O autor cita o Gênesis: por isso o homem deixará pai e mãe, se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne (Gn 2,24). E acrescenta: este mistério é grande, e eu o digo em referência a Cristo e à Igreja. A união de homem e mulher, desde a criação, apontava para a união de Cristo com a humanidade. O capítulo termina resumindo: cada marido ame a esposa como a si mesmo, e a esposa respeite o marido.
O que Efésios 5 ensina para a fé católica?
Este capítulo é a principal base bíblica para a doutrina do matrimônio como sacramento. O Catecismo cita Efésios 5,25-26 ao explicar o matrimônio no Senhor (CIC n. 1616) e afirma em seguida que toda a vida cristã tem a marca do amor esponsal entre Cristo e a Igreja (CIC n. 1617), e retoma Efésios 5,25.32 ao resumir a doutrina do matrimônio (CIC n. 1659). A palavra grega mistério foi traduzida em latim por sacramentum. O casamento cristão é sinal visível e eficaz do amor de Cristo. Veja mais em o sacramento do matrimônio na Igreja Católica.
O capítulo também fala da oração. O Catecismo cita Efésios 5,19 ao tratar do canto e dos hinos na oração cristã (CIC n. 2641), e Efésios 5,20 entre os textos que exortam a orar e dar graças em todas as ocasiões (CIC n. 2633). A liturgia da Igreja é feita de salmos, hinos e ação de graças, como pede o versículo 19.
Reflexão para hoje
Efésios 5 não é um texto para um cônjuge usar contra o outro. É um convite para os dois. Ao marido, pede o amor de quem se entrega como Cristo na cruz: paciência, cuidado, presença, renúncia ao próprio conforto. À esposa, pede o respeito e a confiança. E aos dois, antes de tudo, a submissão recíproca, que quer dizer buscar o bem do outro antes do próprio.
Para quem não é casado, o capítulo também fala. A pergunta do versículo 15 vale para todos: estou aproveitando bem o tempo? Muitas horas se perdem em distrações que não edificam. E o convite a dar graças sempre e por tudo pode transformar o dia: agradecer pela comida, pelo trabalho, pela saúde, até pelas dificuldades que nos fazem crescer.
Por fim, o versículo 14 é um despertador. Há áreas da vida em que estamos dormindo, acomodados no pecado ou na indiferença. Cristo quer nos iluminar.
Para rezar com Efésios 5
- Na minha família, eu busco servir o outro ou ser servido?
- Estou aproveitando o tempo que Deus me dá, ou deixando que ele se perca?
- Pelo que eu posso dar graças a Deus hoje, mesmo nas dificuldades?
Sugestão de oração:
Senhor Jesus, que amaste a Igreja e te entregaste por ela, ensina-nos a amar como tu. Abençoa os casais, para que sejam sinal do teu amor fiel. Desperta-me do sono da indiferença, enche-me do teu Espírito e faze que eu dê graças ao Pai sempre e por tudo. Amém.
Fontes
Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 1616, 1617, 1659, 2633 e 2641; São João Paulo II, carta apostólica Mulieris Dignitatem, n. 24.
Perguntas sobre Efésios 5
Efésios 5 manda a mulher obedecer ao marido em tudo?
Por que Efésios 5 chama o casamento de grande mistério?
O que significa desperta, tu que dormes, em Efésios 5,14?
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