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Colossenses 4: perseverai na oração e saudações finais

Leia Colossenses 4 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

São Paulo olha para o alto, de barba escura e manto vermelho, segurando a espada
Guido Reni, São Paulo, 1633–1634. CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

Colossenses 4 encerra a carta. Paulo conclui os conselhos sobre a vida da casa, pede que os fiéis perseverem na oração e rezem por ele, ensina a falar com sabedoria aos que não creem e envia uma longa lista de saudações. Por esses nomes vemos como era viva a rede de colaboradores do Apóstolo.

Contexto de Colossenses 4

A cidade de Colossos ficava na Frígia, região da atual Turquia, no vale do rio Lico, perto de Laodiceia e Hierápolis. A comunidade não foi fundada diretamente por Paulo, mas por Epafras, seu colaborador, natural da cidade (Cl 1,7; 4,12). A carta se apresenta como escrita por Paulo, junto com Timóteo, quando ele estava preso (Cl 4,3.18). A tradição sempre a atribuiu ao Apóstolo; muitos estudiosos hoje discutem se foi escrita por ele ou por um discípulo próximo, e também há debate sobre o lugar da prisão (Roma, Éfeso ou Cesareia). Para a fé da Igreja, a carta é Palavra de Deus inspirada, qualquer que seja a resposta a essas questões.

O capítulo menciona várias pessoas que aparecem também na carta a Filêmon, como Onésimo, Aristarco, Marcos, Epafras, Lucas, Demas e Arquipo. Por isso as duas cartas são muitas vezes lidas juntas. Elas seriam levadas a Colossos por Tíquico, acompanhado de Onésimo.

Explicação de Colossenses 4

Versículo 1: o dever dos senhores

Este versículo conclui o trecho iniciado no capítulo 3. Aos senhores, Paulo pede que deem aos servos o que é justo e equitativo, sabendo que também eles têm um Senhor no céu. É uma frase curta, mas revolucionária para a época: o senhor não é dono absoluto, ele também presta contas a Deus.

Versículos 2 a 4: perseverai na oração

“Perseverai na oração, vigilantes e em ação de graças” (Cl 4,2). Paulo une três atitudes: constância, atenção e gratidão. Pede também que rezem por ele, para que Deus abra uma porta para a Palavra e ele possa anunciar o mistério de Cristo, por causa do qual está preso. Mesmo acorrentado, a preocupação dele não é a própria liberdade, mas o anúncio do Evangelho. Ele pede que possa falar com clareza, como deve.

Versículos 5 e 6: sabedoria com os de fora

Os de fora são os que não pertencem à comunidade cristã. Paulo pede que os fiéis se comportem com sabedoria diante deles, aproveitando bem o tempo. A palavra deles deve ser sempre agradável, temperada com sal, para saberem responder a cada um. O sal dá sabor e conserva; a palavra do cristão deve ser gentil, mas com conteúdo. Lembra o que Jesus diz em Mateus 5 sobre ser sal da terra.

Versículos 7 a 9: Tíquico e Onésimo

Tíquico, irmão amado, fiel ministro e companheiro de serviço, levará notícias de Paulo e consolará os corações. Com ele vai Onésimo, chamado de irmão fiel e amado, que é um dos colossenses. Muitos identificam este Onésimo com o escravo que Paulo devolve a Filêmon, agora como irmão. Se for assim, é bonito notar que o antigo escravo é apresentado à comunidade com os mesmos títulos de um ministro.

Versículos 10 a 14: saudações dos companheiros

Aristarco, companheiro de prisão de Paulo, envia saudações, e também Marcos, primo de Barnabé. Os colossenses já receberam instruções sobre ele e devem acolhê-lo. Isso é significativo: segundo os Atos, Marcos tinha deixado Paulo numa viagem, o que causou uma separação entre Paulo e Barnabé (At 15,37-39). Agora está de novo ao lado do Apóstolo. A tradição o identifica com o evangelista (veja São Marcos Evangelista). Saúda também Jesus, chamado Justo. Esses três, diz Paulo, são os únicos de origem judaica que trabalham com ele pelo Reino e lhe deram consolo.

Epafras, o fundador da comunidade, luta por eles nas orações, pedindo que sejam perfeitos e firmes na vontade de Deus. Ele se esforça muito por eles e pelos de Laodiceia e Hierápolis. Por fim, saúdam Lucas, o médico amado, que a tradição reconhece como autor do terceiro Evangelho e dos Atos (veja São Lucas Evangelista), e Demas.

Versículos 15 a 17: Laodiceia, Ninfa e Arquipo

Paulo pede que saúdem os irmãos de Laodiceia, Ninfa e a igreja que se reúne em sua casa. Os primeiros cristãos não tinham templos: reuniam-se nas casas de fiéis que as ofereciam. Depois de lida, esta carta deve ser lida também em Laodiceia, e os colossenses devem ler a que virá de lá. Isso mostra que as cartas apostólicas circulavam e eram lidas nas assembleias, origem da leitura das cartas na Missa. A carta aos laodicenses não chegou até nós, e os estudiosos discutem se seria outra carta conhecida. Por último, um recado a Arquipo: que cumpra bem o ministério que recebeu no Senhor.

Versículo 18: a assinatura de Paulo

As cartas eram em geral ditadas a um secretário. No fim, Paulo escreve a saudação com a própria mão, como sinal de autenticidade. E acrescenta: lembrai-vos das minhas cadeias. A graça esteja convosco.

O que Colossenses 4 ensina para a fé católica?

O capítulo ensina a comunhão dos santos na prática: os fiéis rezam uns pelos outros, até pelo Apóstolo. A Igreja continua a viver isso quando pede orações, intercede pelos irmãos e reza pelos que anunciam o Evangelho.

Mostra também que a oração cristã é perseverante e cheia de gratidão. O Catecismo, ao falar da oração contínua, recorda o convite de Paulo a orar sem cessar e dar graças sempre (CIC n. 2742). E aparece a Igreja reunida nas casas, a leitura pública das cartas apostólicas e a diversidade de ministérios confiados a pessoas concretas, como Arquipo.

Por fim, a lista de nomes revela uma Igreja feita de colaboradores, com reconciliações, como a de Marcos, e com fraquezas: em outra carta, Demas será lembrado por ter abandonado Paulo (2Tm 4,10).

Reflexão para hoje

Perseverar na oração é difícil. A rotina cansa e às vezes parece que nada acontece. Paulo pede vigilância e gratidão: estar atento e agradecer pelo que já recebemos. Uma oração curta, mas fiel todos os dias, vale mais do que grandes propósitos esquecidos. A oração da manhã pode ser um bom começo.

O conselho sobre a palavra temperada com sal serve para conversas em casa, no trabalho e nas redes sociais. Quando falamos da fé, a gentileza abre portas e a agressividade as fecha. Falar com sal é falar com verdade e com sabor de bondade.

A história de Marcos também consola. Quem falhou uma vez pode voltar a ser útil no Reino. Ninguém está definitivamente fora do serviço de Deus por causa de um erro do passado.

Para rezar com Colossenses 4

  • Minha oração é perseverante, vigilante e agradecida?
  • Como tem sido a minha forma de falar com quem não partilha a minha fé?
  • Por quais pessoas que anunciam o Evangelho eu posso rezar hoje?

Sugestão de oração:

Senhor, dá-me perseverança na oração e um coração agradecido. Abre portas para a tua Palavra e abençoa os que a anunciam. Que as minhas palavras sejam temperadas com bondade e verdade. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica.

Perguntas sobre Colossenses 4

Quem eram Tíquico e Onésimo em Colossenses 4?

Tíquico era colaborador de Paulo e levou a carta à comunidade. Onésimo era um colossense, provavelmente o escravo de quem Paulo fala na carta a Filêmon, agora apresentado como irmão.

O que significa palavra temperada com sal?

É uma palavra agradável e com conteúdo, que dá sabor e sabe responder a cada pessoa. Paulo pede que os cristãos falem com gentileza e sabedoria com os que não creem.

Existe uma carta de Paulo aos laodicenses?

Colossenses 4,16 menciona uma carta que viria de Laodiceia, mas ela não chegou até nós. Os estudiosos discutem se seria uma carta perdida ou outra carta conhecida.

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