Atos dos Apóstolos 25 conta a chegada do novo governador, Pórcio Festo, que reabre o processo de Paulo. Os chefes de Jerusalém insistem nas acusações, e Paulo, para não ser entregue a eles, apela para o tribunal de César. Pouco depois, o rei Agripa II e Berenice visitam Cesareia, e Festo lhes apresenta o caso de um certo Jesus, morto, que Paulo diz estar vivo.
Contexto de Atos dos Apóstolos 25
Paulo já estava preso havia dois anos em Cesareia (Atos 24). Festo assume o governo da Judeia, provavelmente por volta do ano 59 ou 60; há pequenas diferenças entre os estudiosos sobre a data. Ele precisava conquistar a confiança das autoridades judaicas, e o caso de Paulo era um assunto pendente. Agripa II era bisneto de Herodes, o Grande, conhecia bem a religião judaica e tinha direito de nomear o sumo sacerdote. O capítulo prepara o grande discurso de Atos 26.
Explicação de Atos dos Apóstolos 25
Versículos 1 a 5: Festo em Jerusalém
Três dias depois de assumir a província, Festo sobe de Cesareia a Jerusalém. Os chefes dos sacerdotes e os líderes do povo apresentam as acusações contra Paulo e pedem, como favor, que ele seja levado a Jerusalém. Na verdade, preparam uma emboscada para matá-lo no caminho, como no plano dos quarenta (At 23,12-15). Festo responde que Paulo está sob guarda em Cesareia e que ele mesmo voltará para lá em breve. Os que tiverem autoridade podem descer com ele e acusar o homem, se houver algo errado.
Versículos 6 a 12: o apelo a César
Depois de oito ou dez dias, Festo volta a Cesareia e, no dia seguinte, senta-se no tribunal. Os judeus vindos de Jerusalém cercam Paulo e fazem muitas e graves acusações, que não conseguem provar. Paulo se defende em poucas palavras: não cometeu falta alguma contra a Lei dos judeus, nem contra o Templo, nem contra César. Festo, querendo agradar os judeus, pergunta se Paulo aceita ir a Jerusalém para ser julgado lá, diante dele. Paulo percebe o perigo. Responde que está diante do tribunal de César, onde deve ser julgado, e que o próprio governador sabe que ele não fez mal algum aos judeus. Se tivesse cometido crime digno de morte, não recusaria morrer; mas, se as acusações são vazias, ninguém pode entregá-lo a eles. E então declara que apela para César (At 25,11). Festo consulta seus conselheiros e responde que, se apelou a César, a César irá. O pedido de Paulo usa um direito do cidadão romano e, ao mesmo tempo, abre o caminho para Roma prometido pelo Senhor (At 23,11).
Versículos 13 a 22: Festo expõe o caso a Agripa
Alguns dias depois, chegam a Cesareia o rei Agripa e Berenice para cumprimentar Festo. Como ficam vários dias, Festo lhes apresenta o caso. Conta que encontrou um preso deixado por Félix e que os chefes de Jerusalém pediram sua condenação. Ele respondeu que não é costume dos romanos entregar alguém antes que o acusado tenha os acusadores diante de si e possa se defender. Lucas valoriza esse princípio de justiça do direito romano. Festo diz que esperava acusações de crimes, mas encontrou apenas discussões sobre a religião deles e sobre um certo Jesus, já morto, que Paulo afirma estar vivo. Sem saber como investigar essas questões, propôs o julgamento em Jerusalém, mas Paulo apelou ao imperador. Agripa diz que também gostaria de ouvir esse homem, e Festo marca a audiência para o dia seguinte.
Versículos 23 a 27: a audiência solene
No dia seguinte, Agripa e Berenice chegam com grande pompa e entram na sala de audiências acompanhados dos comandantes militares e dos homens importantes da cidade. Paulo é trazido. Festo apresenta a situação: toda a população judaica pediu a morte desse homem, mas ele não encontrou nada que mereça a morte. Como Paulo apelou ao imperador, decidiu enviá-lo. O problema é que não sabe o que escrever, pois parece sem sentido mandar um prisioneiro sem indicar as acusações. Por isso o trouxe diante deles, sobretudo diante do rei Agripa, para que, depois do interrogatório, tenha algo a escrever. O contraste é forte: de um lado, o poder e a pompa; do outro, um prisioneiro acorrentado que é o verdadeiro protagonista.
O que Atos dos Apóstolos 25 ensina para a fé católica?
A frase de Festo sobre um certo Jesus que morreu e que Paulo diz estar vivo resume, sem querer, o coração do Evangelho. A fé da Igreja não é apenas um conjunto de discussões religiosas; é o anúncio de que Jesus, morto na cruz, ressuscitou e vive (ver o Tempo Pascal).
O capítulo também mostra o valor da justiça e dos direitos humanos. Paulo usa os meios legítimos da lei para se proteger, e Lucas destaca o princípio de que ninguém deve ser condenado sem defesa. A doutrina social da Igreja ensina que a autoridade civil deve servir à justiça e respeitar a dignidade de cada pessoa (ver doutrina social da Igreja e Dignitatis Humanae).
Por fim, aparece a Providência de Deus que se serve até das decisões políticas. A ambição de Festo, o apelo de um prisioneiro e a curiosidade de um rei servem ao plano de levar o Evangelho a Roma.
Reflexão para hoje
Paulo não se deixa manipular. Percebe a armadilha e usa, com calma, os recursos que tem. A fé não nos pede ingenuidade. Em situações de injustiça no trabalho, em processos, em conflitos familiares, podemos buscar orientação, conhecer nossos direitos e agir com prudência, sem perder a confiança em Deus.
Festo queria agradar a todos e acabou confuso. Quem decide para agradar acaba sem saber o que escrever. Vale perguntar: minhas escolhas buscam o que é justo ou o que me deixa bem com os outros?
E a frase de Festo pode ser a nossa pergunta: eu creio, de verdade, que Jesus está vivo? Essa certeza muda o modo como vivo o luto, o sofrimento e o futuro.
Para rezar com Atos dos Apóstolos 25
- Eu creio que Jesus está vivo e presente na minha vida?
- Em que situação preciso agir com mais prudência e menos ingenuidade?
- Tenho tomado decisões para agradar os outros em vez de buscar o que é justo?
Sugestão de oração:
Senhor Jesus, tu estavas morto e agora vives para sempre. Firma em mim a fé na tua ressurreição. Dá-me prudência diante das armadilhas, coragem diante dos poderosos e retidão para buscar o que é justo, e não apenas o que agrada. Conduz a minha história, como conduziste a de Paulo. Amém.
Fontes
Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Concílio Vaticano II, Declaração Dignitatis Humanae.
Perguntas sobre Atos dos Apóstolos 25
Por que Paulo apelou para César?
Quem eram Agripa e Berenice em Atos 25?
O que Festo disse sobre Jesus em Atos 25?
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