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Atos dos Apóstolos

Atos dos Apóstolos 1: a Ascensão de Jesus e Matias

Leia Atos dos Apóstolos 1 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

Pentecostes: o Espírito Santo desce sobre Maria e os apóstolos reunidos no Cenáculo
Anthony van Dyck, Pentecostes, c. 1618–1620. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Atos dos Apóstolos 1 é a ponte entre o Evangelho de Lucas e a vida da Igreja. Jesus ressuscitado promete o Espírito Santo, envia os apóstolos como testemunhas até os confins da terra e sobe ao céu. Os discípulos voltam a Jerusalém, rezam unidos com Maria e escolhem Matias para ocupar o lugar de Judas entre os Doze.

Contexto de Atos dos Apóstolos 1

O livro dos Atos é a segunda parte de uma obra em dois volumes. A tradição da Igreja atribui os dois a Lucas, companheiro de viagem de Paulo. A data exata da composição é discutida pelos estudiosos. O primeiro volume é o Evangelho, que termina com a Ascensão (Lucas 24); o segundo começa retomando essa mesma cena, agora como ponto de partida da missão.

O capítulo 1 funciona como uma preparação. Ainda não há pregação pública nem multidões. Há um pequeno grupo que espera, reza e se organiza. O grande acontecimento virá no capítulo seguinte, em Pentecostes (Atos 2).

Explicação de Atos dos Apóstolos 1

Versículos 1 a 3: o prólogo e os quarenta dias

Lucas se dirige a Teófilo, o mesmo destinatário do Evangelho (Lc 1,3). O nome significa amigo de Deus; não sabemos se era uma pessoa concreta ou um modo de falar a todo leitor que ama a Deus. O autor lembra que no primeiro livro tratou de tudo o que Jesus fez e ensinou. A palavra começou sugere que a obra de Jesus continua: agora ele age por meio da Igreja.

Depois da paixão, Jesus se mostrou vivo aos apóstolos com muitas provas, aparecendo durante quarenta dias e falando do Reino de Deus. O número quarenta lembra os quarenta anos de Israel no deserto e os quarenta dias de Jesus em jejum: é um tempo completo de preparação.

Versículos 4 a 8: a promessa do Espírito e a missão

Jesus manda que os discípulos não se afastem de Jerusalém e esperem a promessa do Pai. João batizou com água, mas eles serão batizados no Espírito Santo dentro de poucos dias. Os apóstolos perguntam se é agora que ele vai restaurar o reino de Israel. Ainda pensam num reino político. Jesus não condena a pergunta, mas corrige o foco: não cabe a eles conhecer os tempos que o Pai fixou.

No lugar de uma data, Jesus dá uma missão. Eles receberão a força do Espírito Santo e serão suas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra (At 1,8). Esse versículo é o roteiro do livro inteiro: os capítulos 1 a 7 se passam em Jerusalém, os capítulos 8 a 12 se abrem para a Judeia e a Samaria, e a partir do capítulo 13 o Evangelho corre o mundo até chegar a Roma.

Versículos 9 a 11: a Ascensão

Dito isso, Jesus é elevado à vista deles, e uma nuvem o encobre. Na Bíblia, a nuvem é sinal da presença de Deus, como no Sinai e na Transfiguração. Dois homens vestidos de branco, figura de mensageiros celestes, perguntam aos galileus por que ficam olhando para o céu. E anunciam que esse mesmo Jesus voltará do mesmo modo como o viram partir.

A Ascensão não é uma viagem pelo espaço. É a entrada da humanidade de Jesus na glória do Pai. A pergunta dos anjos tem também um tom de envio: não é hora de ficar parado olhando para o alto, e sim de voltar à cidade e esperar o Espírito para começar a missão.

Versículos 12 a 14: a oração no cenáculo com Maria

Os apóstolos voltam do monte das Oliveiras para Jerusalém, a uma distância que se podia percorrer num dia de sábado, isto é, cerca de um quilômetro. Sobem à sala de cima onde estavam hospedados. Lucas lista os onze nomes, a começar por Pedro.

Todos perseveravam unânimes na oração, junto com algumas mulheres, com Maria, a mãe de Jesus, e com os irmãos dele. Na linguagem bíblica, irmãos pode indicar parentes próximos. É a última vez que Maria é mencionada pelo nome no Novo Testamento, e a cena é significativa: a mãe que acolheu o Espírito na Anunciação está agora no meio da Igreja que reza à espera do mesmo Espírito.

Versículos 15 a 20: Pedro fala sobre Judas

Num desses dias, Pedro se levanta no meio de cerca de cento e vinte irmãos. É ele quem toma a palavra, como fará em todos os momentos decisivos da primeira parte do livro. Pedro explica que se cumpriu a Escritura a respeito de Judas, que se tornou guia dos que prenderam Jesus. Lucas acrescenta um parêntese sobre o fim trágico de Judas e o campo comprado com o preço da traição, chamado Hacéldama, que quer dizer campo de sangue. O relato de Mateus sobre a morte de Judas é diferente nos detalhes (Mt 27,3-10); as duas tradições concordam no essencial: a traição terminou em desgraça.

Pedro cita dois salmos: um que fala da morada que fica deserta (Sl 69,26) e outro que diz que outro ocupe o seu cargo (Sl 109,8). Não se trata de desejar mal a Judas, mas de entender que o lugar vazio no grupo dos Doze precisa ser preenchido.

Versículos 21 a 26: a escolha de Matias

O número doze não é um detalhe. Ele lembra as doze tribos de Israel e mostra que Jesus quis refundar o povo de Deus sobre esses homens. Por isso o grupo precisa estar completo antes de Pentecostes. O critério é claro: o escolhido deve ter acompanhado Jesus desde o batismo de João até a Ascensão, para ser com os Onze testemunha da ressurreição.

Apresentam dois nomes: José, chamado Barsabás, apelidado Justo, e Matias. Rezam ao Senhor, que conhece os corações, e tiram a sorte. Tirar a sorte era um modo conhecido em Israel de deixar a decisão nas mãos de Deus. A sorte cai sobre Matias, que passa a ser contado com os onze apóstolos. Depois de Pentecostes, o livro não volta a usar esse método: a Igreja passará a discernir guiada pelo Espírito.

O que Atos dos Apóstolos 1 ensina para a fé católica?

O capítulo sustenta o artigo do Credo que professamos todo domingo: subiu aos céus e está sentado à direita do Pai, de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos. Cristo não abandona a Igreja ao subir; ele a envia e promete voltar. A missão da Igreja nasce dessa ordem de ser testemunha, e o Catecismo lembra que os discípulos recebem uma força vinda do alto, a do Espírito Santo, para isso (CIC n. 735).

A cena do cenáculo mostra a Igreja reunida em oração com Maria antes de Pentecostes. O Catecismo vê nela a presença da Mãe de Jesus no alvorecer dos últimos tempos, junto aos Doze assíduos na oração (CIC n. 726). Por isso a Igreja reza com Maria, especialmente na novena antes de Pentecostes.

A escolha de Matias também mostra que o ministério dos apóstolos tem continuidade. Os Doze não são um grupo fechado que desaparece; o serviço que receberam de Cristo é transmitido. É a raiz do que a Igreja chama sucessão apostólica. Os versículos 1 a 11 são lidos na solenidade da Ascensão do Senhor, e o relato da escolha de Matias é lido na festa do apóstolo, em 14 de maio.

Reflexão para hoje

Os apóstolos queriam saber a data. Jesus lhes deu uma tarefa. Muitas vezes fazemos o mesmo: queremos saber quando o problema vai acabar, quando a doença vai passar, quando a vida vai se acertar. A resposta de Jesus continua valendo. Não sabemos os tempos, mas recebemos força para viver o hoje como testemunhas.

A pergunta dos anjos também nos toca. É possível ter uma fé que só olha para o alto e esquece a cidade, a família, o trabalho. A Ascensão não nos tira do mundo; nos devolve a ele com uma esperança nova. O céu é a meta, e a terra é o lugar onde se testemunha.

Por fim, antes de agir, a Igreja rezou. Os discípulos não saíram correndo para pregar; ficaram unidos, perseverantes, com Maria. Em decisões importantes da nossa vida, vale a mesma ordem: primeiro rezar, depois discernir, depois agir.

Para rezar com Atos dos Apóstolos 1

  • Em que área da minha vida eu fico olhando para o céu, esperando uma solução, quando Deus me pede para agir como testemunha?
  • Onde é a minha Jerusalém, o primeiro lugar onde sou chamado a testemunhar Jesus?
  • Reservo tempo para rezar antes das decisões importantes, como fizeram os apóstolos com Maria?

Sugestão de oração:

Senhor Jesus, que subiste ao Pai e não nos deixaste sozinhos, envia sobre nós o teu Espírito. Que, unidos a Maria, saibamos esperar com fé e testemunhar com coragem, em casa, no trabalho e onde nos colocares. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 726 e 735.

Perguntas sobre Atos dos Apóstolos 1

Quantos dias Jesus ficou com os discípulos depois da ressurreição?

Segundo Atos dos Apóstolos 1,3, Jesus apareceu aos apóstolos durante quarenta dias, falando do Reino de Deus. Por isso a Ascensão é celebrada quarenta dias depois da Páscoa, embora no Brasil a solenidade seja transferida para o domingo seguinte.

Por que os apóstolos escolheram Matias?

Para completar o grupo dos Doze depois da traição de Judas. O número doze lembra as doze tribos de Israel, e o escolhido precisava ser testemunha de Jesus desde o batismo de João até a Ascensão.

Maria estava com os apóstolos antes de Pentecostes?

Sim. Atos 1,14 diz que os apóstolos perseveravam unânimes na oração com algumas mulheres e com Maria, a mãe de Jesus. A Igreja vê nessa cena Maria rezando no coração da Igreja nascente.

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