2 Coríntios 2 continua a explicação de Paulo sobre sua relação com os coríntios. Ele fala da carta que escreveu com muitas lágrimas, pede que a comunidade perdoe e acolha de novo alguém que tinha causado grande tristeza e apresenta os apóstolos como o bom odor de Cristo espalhado pelo mundo.
Contexto de 2 Coríntios 2
O capítulo dá sequência ao final do capítulo 1, onde Paulo explicava por que não foi a Corinto como havia prometido. Entre a Primeira e a Segunda Carta houve uma visita difícil e uma ofensa grave contra Paulo ou contra seus enviados. A comunidade, depois de uma carta severa do apóstolo, tomou providências contra o ofensor. Agora Paulo trata do que fazer com essa pessoa.
Não sabemos com certeza quem era o ofensor. Alguns antigos o identificaram com o homem que vivia em união incestuosa, citado em 1 Coríntios 5. Muitos estudiosos atuais pensam que se trata de outra pessoa, que ofendeu Paulo diretamente. A carta “entre lágrimas” também pode ser uma carta que se perdeu. O texto não permite certezas.
Explicação de 2 Coríntios 2
Versículos 1 a 4: a carta escrita entre lágrimas
Paulo decidiu não fazer outra visita em clima de tristeza. Se ele entristecesse os coríntios, quem poderia alegrá-lo, senão eles mesmos? Por isso preferiu escrever. Ele conta que escreveu aquela carta em meio a grande aflição e angústia de coração, com muitas lágrimas. O objetivo não era magoar, mas mostrar o amor imenso que tem por eles.
Aqui vemos o coração de pastor de Paulo. A correção dura nasce do amor, não da raiva. Ele sofre ao corrigir, como um pai que sofre ao chamar a atenção de um filho.
Versículos 5 a 11: perdoar e reafirmar o amor
Paulo fala de alguém que causou tristeza, não só a ele, mas de certo modo a toda a comunidade. Ele evita citar o nome e exagerar. A punição aplicada pela maioria já foi suficiente. Agora é hora de perdoar e consolar essa pessoa, para que ela não seja engolida por uma tristeza excessiva.
Paulo pede que a comunidade reafirme seu amor pelo ofensor. Diz que também ele perdoa, na presença de Cristo, aquilo que tiver para perdoar. E dá uma razão espiritual: para que Satanás não tire vantagem sobre nós, pois conhecemos suas intenções. O inimigo pode usar uma disciplina sem misericórdia para destruir alguém, levando-o ao desespero, ou para dividir a comunidade com rancor. Sobre esse tema, veja o que a Igreja ensina em anjos e demônios na doutrina católica.
Este trecho mostra que a correção na Igreja tem um fim: a conversão e a volta do irmão. Quando ela é alcançada, o perdão deve vir sem demora.
Versículos 12 e 13: a inquietação em Trôade
Paulo conta que foi a Trôade, cidade portuária no noroeste da Ásia Menor, para anunciar o Evangelho. Ali uma porta se abriu para a pregação. Mesmo assim, não teve paz, porque não encontrou Tito, que tinha levado notícias de Corinto. Então se despediu e partiu para a Macedônia. A história do reencontro com Tito só será retomada no capítulo 7. Entre um ponto e outro, Paulo faz uma longa reflexão sobre o ministério apostólico.
O detalhe é muito humano. O apóstolo, mesmo diante de uma boa oportunidade de missão, está preocupado com os seus. O amor pela comunidade pesa no seu coração.
Versículos 14 a 17: o cortejo triunfal e o bom odor de Cristo
De repente, Paulo irrompe em ação de graças: Deus nos conduz sempre em seu triunfo em Cristo. A imagem vem dos desfiles romanos de vitória, em que o general vitorioso entrava na cidade seguido pelo cortejo e por perfumes queimados ao longo do caminho. Os estudiosos discutem se Paulo se vê como alguém que marcha com o vencedor ou como um prisioneiro conduzido no cortejo. De todo modo, quem vence é Cristo, e o apóstolo faz parte do seu triunfo.
Por meio dos apóstolos, Deus espalha por toda parte o perfume do conhecimento de Cristo. Paulo diz: “Somos o bom odor de Cristo” (2Cor 2,15). Para os que se salvam, esse perfume é aroma de vida. Para os que se perdem, aroma de morte. A mesma mensagem é acolhida por uns e recusada por outros. O Antigo Testamento falava dos sacrifícios como perfume agradável a Deus (Gn 8,21; Lv 1,9). Agora, a vida do apóstolo entregue a Cristo é esse perfume.
Diante de uma missão tão alta, Paulo pergunta: quem está à altura disso? E responde que não age como muitos que comercializam a Palavra de Deus. A palavra que ele usa lembra o pequeno comerciante que adulterava o vinho para lucrar mais. Paulo fala com sinceridade, da parte de Deus, diante de Deus, em Cristo. A resposta completa à pergunta virá no capítulo 3: nossa capacidade vem de Deus.
O que 2 Coríntios 2 ensina para a fé católica?
O capítulo ensina que a disciplina na Igreja é medicinal: tem como meta a cura e a reconciliação do pecador. Quando há arrependimento, a comunidade deve perdoar e acolher. Essa lógica está no coração do sacramento da Confissão, em que Deus, pelo ministério da Igreja, perdoa e devolve o filho à comunhão.
Também mostra que o pastor deve unir verdade e caridade. Paulo não ignora o mal, mas também não quer esmagar quem errou. E alerta que o demônio procura semear divisão e desespero.
Por fim, a imagem do bom odor de Cristo lembra que todo batizado é chamado a anunciar Cristo com a própria vida. O Evangelho não é mercadoria. Quem o anuncia deve fazê-lo com pureza de intenção, sem buscar vantagem própria.
Reflexão para hoje
Às vezes, alguém nos fere de verdade, na família, na paróquia ou no trabalho. Paulo também foi ferido. Mas, quando o outro reconhece o erro, ele pede que não fiquemos remoendo a ofensa. O perdão não apaga a verdade do que aconteceu, mas impede que o rancor tome conta do coração e destrua a convivência.
Também é bom pensar no modo como corrigimos. Uma correção feita com amor, como a de Paulo, procura o bem do outro. Uma correção feita com raiva procura humilhar. Antes de chamar a atenção de um filho, de um colega ou de um irmão de comunidade, vale perguntar: quero que ele melhore ou quero apenas descarregar minha irritação?
E há a imagem do perfume. O perfume não faz barulho, mas se percebe. Um cristão que vive com honestidade, alegria e bondade espalha o bom odor de Cristo sem precisar de muitos discursos.
Para rezar com 2 Coríntios 2
- Há alguém que já se arrependeu e que eu ainda não perdoei de coração?
- Quando corrijo alguém, faço isso com amor e respeito, ou com dureza e mágoa?
- Minha vida espalha o bom odor de Cristo em casa e no trabalho?
Sugestão de oração:
Senhor Jesus, que perdoastes os que vos feriram, dai-me um coração capaz de perdoar e de acolher quem se arrependeu. Livrai-me do rancor e das armadilhas do inimigo. Fazei da minha vida um perfume agradável, que leve aos outros o vosso amor. Amém.
Fontes
Bíblia Sagrada (tradução da CNBB).
Perguntas sobre 2 Coríntios 2
Quem era o ofensor de que Paulo fala em 2 Coríntios 2?
O que significa ser “o bom odor de Cristo”?
Por que Paulo pede que a comunidade perdoe o ofensor?
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