Tempo Comum, 30ª semana Liturgia de hoje
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1 João

1 João 3: somos filhos de Deus, explicação

Leia 1 João 3 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

São João Evangelista jovem, de manto rosado, segura o cálice com a serpente
El Greco e oficina, São João Evangelista, c. 1605. Domínio público, via Wikimedia Commons.

1 João 3 celebra o amor do Pai, que nos chamou filhos de Deus, e promete que um dia o veremos tal como ele é. O capítulo contrapõe os filhos de Deus, que praticam a justiça, aos que vivem no pecado, e usa o exemplo de Caim. Termina pedindo um amor concreto, não de palavras, mas com obras e em verdade.

Contexto de 1 João 3

Em 1 João 2, o autor terminou dizendo que quem pratica a justiça nasceu de Deus. Agora ele desenvolve essa ideia: o que significa ser filho de Deus e como isso se manifesta na vida. A carta continua respondendo a um grupo que se considerava espiritual, mas não dava importância ao pecado nem ao amor fraterno. Para João, a filiação divina se vê em dois sinais: praticar a justiça e amar os irmãos.

Explicação de 1 João 3

Versículos 1 a 3: filhos de Deus

«Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos!» (1Jo 3,1). O autor quase não se contém de admiração. Não é só um título bonito: é realidade. O mundo não nos reconhece porque não reconheceu a Deus.

Já somos filhos, mas ainda não se manifestou o que seremos. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é. É a esperança da visão de Deus face a face (cf. 1Cor 13,12). E quem tem essa esperança se purifica, como ele é puro. A esperança do céu transforma a vida agora.

Versículos 4 a 10: o pecado e as obras do diabo

Quem comete o pecado comete a iniquidade, a rebeldia contra a lei de Deus. Jesus se manifestou para tirar os pecados, e nele não há pecado. Por isso, quem permanece nele não peca, e quem peca não o viu nem o conheceu.

Essas frases parecem contradizer o capítulo 1, que diz que quem afirma não ter pecado se engana (1Jo 1,8). Os verbos gregos ajudam a entender: aqui o autor fala de quem vive no pecado como estilo de vida, de modo habitual e consentido. O cristão ainda cai, mas não faz do pecado a sua casa; luta contra ele e busca o perdão.

Quem pratica o pecado é do diabo, porque o diabo peca desde o princípio. O Filho de Deus se manifestou justamente para destruir as obras do diabo. Quem nasceu de Deus não vive no pecado, porque a semente de Deus permanece nele. Assim se reconhecem os filhos de Deus e os filhos do diabo: quem não pratica a justiça e não ama o irmão não é de Deus.

Versículos 11 a 18: amar com obras e em verdade

A mensagem ouvida desde o princípio é esta: amemo-nos uns aos outros. O contraexemplo é Caim, que matou o irmão (Gn 4,8). Por quê? Porque suas obras eram más e as do irmão eram justas. O ódio nasce muitas vezes da inveja do bem do outro. Por isso, não devemos estranhar se o mundo nos odeia.

Nós sabemos que passamos da morte para a vida porque amamos os irmãos. Quem não ama permanece na morte. Quem odeia o irmão é homicida, como Jesus ensinou ao ligar a raiva ao mandamento de não matar (Mt 5,21-22).

O amor verdadeiro tem um modelo: Jesus deu a vida por nós; também nós devemos dar a vida pelos irmãos. E isso começa no concreto: se alguém tem bens deste mundo, vê o irmão passando necessidade e fecha o coração, como pode o amor de Deus permanecer nele? A conclusão é uma das frases mais citadas da carta: «Não amemos só com palavras e com a língua, mas com obras e em verdade» (1Jo 3,18).

Versículos 19 a 24: Deus é maior que o nosso coração

Pelo amor concreto, sabemos que somos da verdade e podemos tranquilizar o coração diante de Deus. E se o coração nos acusar? Deus é maior que o nosso coração e conhece todas as coisas. É uma palavra de consolo para consciências escrupulosas: o juízo final pertence a Deus, que é misericordioso, e não à nossa autocrítica.

Se o coração não nos acusa, temos confiança diante de Deus, e recebemos o que pedimos, porque guardamos os seus mandamentos. O mandamento resume tudo: crer no nome de Jesus Cristo, seu Filho, e amar-nos uns aos outros. Quem guarda os mandamentos permanece em Deus, e Deus nele. E sabemos que ele permanece em nós pelo Espírito que nos deu.

O que 1 João 3 ensina para a fé católica?

O capítulo é uma base bíblica da doutrina da filiação divina: pelo Batismo, somos realmente filhos de Deus no Filho. É também fundamento da esperança da visão beatífica: no céu, veremos a Deus tal como ele é. A Igreja ensina que essa visão de Deus face a face é a plena felicidade dos santos.

Sobre o pecado, o texto ajuda a entender a diferença entre cair por fraqueza e viver no pecado. O cristão luta contra o mal e conta com a graça e o sacramento da Penitência. A lógica do capítulo se liga ao ensinamento sobre a diferença entre pecado mortal e pecado venial.

Por fim, o versículo 17 é uma das raízes da doutrina social da Igreja: o amor de Deus é inseparável da partilha com quem passa necessidade. As obras de misericórdia não são opcionais para quem crê.

Reflexão para hoje

Você já pensou que é filho de Deus? Não no sentido genérico de criatura, mas de verdade, pelo Batismo. Muita gente vive com a sensação de não valer nada, de não ser amada. João começa o capítulo com um grito de admiração: vejam que grande amor! Essa é a primeira coisa a ouvir antes de qualquer exigência.

Depois vem a parte concreta. Amar com obras: visitar o pai idoso, ajudar o vizinho desempregado, contribuir com a pastoral da caridade, ouvir com paciência. Ninguém precisa dar a vida de uma vez; muitas vezes ela é dada aos poucos, nas pequenas renúncias do dia.

E para quem tem a consciência pesada e não consegue se perdoar, o versículo 20 é um descanso: Deus é maior que o nosso coração.

Para rezar com 1 João 3

  • Eu me sei amado por Deus como filho?
  • Meu amor tem sido mais de palavras ou de obras?
  • Há alguém necessitado perto de mim diante de quem estou fechando o coração?

Sugestão de oração:

Pai, que grande amor me deste ao me chamar teu filho. Purifica-me com a esperança de te ver como tu és. Livra-me da inveja e do ódio de Caim, abre meu coração e minhas mãos para os irmãos necessitados, e, quando minha consciência me acusar, lembra-me de que és maior que o meu coração. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB).

Perguntas sobre 1 João 3

O que significa veremos Deus tal como ele é em 1 João 3,2?

É a promessa de que, no céu, veremos Deus face a face e seremos semelhantes a ele. A Igreja chama essa realidade de visão beatífica, a plena felicidade dos santos.

Se 1 João 3 diz que quem nasceu de Deus não peca, por que o cristão peca?

O autor fala de quem vive no pecado como estilo de vida habitual. O cristão ainda cai por fraqueza, como reconhece 1 João 1,8, mas luta contra o pecado e busca o perdão.

Onde está amar com obras e em verdade?

Em 1 João 3,18, que pede para não amarmos só com palavras, mas com obras e em verdade. O versículo anterior dá um exemplo: ajudar o irmão que passa necessidade.

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