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S. Moisés

Celebrado em 4 de Setembro

Santo do Dia
S. Moisés em pintura de arte sacra
Moses Breaking the Tablets of the Law, by Guido Reni, Guido Reni, between 1624 and 1625. Domínio público, via Wikimedia Commons.

S. Moisés, legislador e profeta

Celebrado em 4 de Setembro

No século XIV a.C., Moisés foi salvo das águas e criado pelo faraó. Foi escolhido por Deus para libertar o Povo de Israel. Seus feitos são narrados no Pentateuco. Por meio deste profeta, Deus deu aos judeus as tábuas da Lei e os guiou rumo à Terra Prometida. Moisés morreu aos 120 anos.

Introdução

No vasto panteão de santos e figuras veneráveis da nossa fé, poucas se destacam com a magnitude e a influência de São Moisés, o legislador e profeta. Celebrado pela Igreja no dia 4 de setembro, Moisés é uma coluna fundamental não apenas para o judaísmo, mas também para o cristianismo, sendo um elo vital na história da salvação. Sua vida, uma saga de providência divina, liderança e profunda comunhão com Deus, serve de inspiração perene para todos os que buscam viver uma fé autêntica e corajosa. Ele não foi apenas um homem que viveu em tempos antigos; foi o instrumento escolhido por Deus para libertar um povo, moldar sua identidade e pavimentar o caminho para a revelação plena que viria em Cristo.

Vida e História

A história de Moisés se desenrola no século XIV a.C., um período de grande opressão para o povo de Israel, que vivia escravizado no Egito. Seu nascimento já foi marcado pela providência divina, pois foi "salvo das águas" de uma morte certa por decreto faraônico. De maneira extraordinária, ele foi "criado pelo faraó", crescendo na corte egípcia, o que lhe proporcionou uma educação e um conhecimento que seriam, sem dúvida, utilizados por Deus em sua missão futura. Essa formação incomum, dividida entre suas raízes hebraicas secretas e a vida na elite egípcia, preparou-o para uma tarefa que exigiria tanto sabedoria estratégica quanto uma profunda conexão com suas origens.

Aos olhos humanos, a escolha de Moisés para liderar a libertação do Povo de Israel poderia parecer improvável. Ele era, a princípio, um homem com suas inseguranças e falhas. No entanto, foi "escolhido por Deus" em um encontro transformador que mudou o curso de sua vida e da história. Recebendo uma vocação inegável, Moisés assumiu a tarefa monumental de confrontar o poder do faraó e conduzir seu povo para fora da escravidão.

Seus "feitos são narrados no Pentateuco", os primeiros cinco livros da Bíblia, que detalham a impressionante jornada do Êxodo. Esta narrativa épica não é apenas um relato histórico, mas uma teofania contínua, onde Deus intervém poderosamente através de Moisés. Ele foi o instrumento através do qual o Senhor manifestou seu poder libertador, superando obstáculos intransponíveis e demonstrando sua fidelidade à sua aliança.

O ponto culminante de sua missão como legislador ocorreu quando "Deus deu aos judeus as tábuas da Lei" por meio dele. No monte Sinai, Moisés recebeu os Dez Mandamentos, o cerne da Lei Divina, que se tornariam a base da moralidade, da justiça e da relação de aliança entre Deus e seu povo. Esses mandamentos não eram meras regras, mas princípios divinos para uma vida justa e santa, uma bússola moral para uma nação em formação.

Além de legislador, Moisés foi o guia incansável que "os guiou rumo à Terra Prometida". Foram décadas de peregrinação pelo deserto, enfrentando não apenas os desafios da natureza, mas também a murmuração e a rebeldia de um povo em construção. Sua liderança, marcada por uma paciência quase inesgotável e uma intercessão constante, foi crucial para manter a fé e a esperança de Israel. Embora não tenha entrado fisicamente na Terra Prometida, sua missão foi plenamente cumprida ao conduzir seu povo até suas fronteiras, preparando-os para herdar o legado da aliança. Moisés viveu uma vida plena e dedicada, falecendo aos "120 anos", um testemunho de sua resiliência e da graça divina que o sustentou por tanto tempo.

Espiritualidade e Virtudes

A espiritualidade de Moisés é um exemplo luminoso de profunda comunhão com Deus, marcada por virtudes que o tornaram um líder excepcional e um santo por excelência. Sua principal virtude foi, sem dúvida, a obediência à vontade divina. Mesmo diante de sua própria hesitação e do desafio colossal, ele respondeu ao chamado de Deus com fé, confiando que Aquele que o enviava também o capacitaria. Esta obediência não era cega, mas fruto de uma relação íntima, de um diálogo contínuo com o Senhor.

A humildade de Moisés é outro pilar de sua santidade. Apesar de ter sido criado na realeza egípcia e ter exercido um poder inigualável sobre seu povo, ele sempre se viu como um servo, um intermediário entre Deus e Israel. Ele não buscava glória pessoal, mas a glória de Deus e o bem de seu povo. Essa humildade permitia que ele se entregasse completamente à direção divina, sem que seu ego interferisse na missão.

Sua fé inabalável foi testada repetidamente ao longo dos quarenta anos no deserto. Confrontado com a incredulidade e a rebeldia de Israel, Moisés nunca desistiu de sua missão. Ele acreditava na promessa de Deus, mesmo quando as circunstâncias pareciam desesperadoras. Sua fé era a rocha sobre a qual o povo se apoiava, e sua persistência era a força que os impulsionava adiante.

Moisés também era um modelo de intercessão. Inúmeras vezes, ele se colocou entre Deus e seu povo, suplicando misericórdia e perdão pelas falhas de Israel. Ele sentia profundamente as dores e os pecados de sua gente, e sua oração fervorosa era um escudo protetor. Essa capacidade de se identificar com o povo e de advogar por ele diante de Deus revela um coração pastoral e compassivo.

Seu carisma espiritual residia em sua singular relação com Deus. No Pentateuco, é descrito que Deus falava com Moisés "face a face, como um homem fala com seu amigo". Essa intimidade sem precedentes conferia a Moisés uma autoridade e uma clareza na transmissão da vontade divina que poucos profetas alcançaram. Ele era o canal puro através do qual a Lei e a Aliança foram reveladas, um verdadeiro mediador entre o Céu e a Terra para seu tempo.

Legado e Influência

O legado de São Moisés é imensurável, estendendo-se por milênios e influenciando as maiores religiões monoteístas do mundo. Para o judaísmo, ele é o maior de todos os profetas, o libertador e o legislador, a quem foi confiada a Torá – a Lei Divina que moldou a identidade, a cultura e a fé do Povo Escolhido. A Páscoa judaica, que celebra a libertação do Egito, é um testemunho perene de seus feitos e da poderosa mão de Deus através dele. A aliança do Sinai, mediada por Moisés, permanece o cerne da relação de Israel com o seu Deus.

Para o cristianismo, Moisés é uma figura precursora de Cristo. Muitos Padres da Igreja e teólogos veem Moisés como um "tipo" de Jesus – ambos salvos da morte na infância, ambos libertadores de um povo, ambos legisladores (Moisés com a Lei Antiga, Jesus com a Nova Lei do Amor), e ambos mediadores de uma aliança. A saída do Egito prefigura a libertação do pecado pela Páscoa de Cristo. A maná no deserto aponta para a Eucaristia, o Pão da Vida. A própria transfiguração de Jesus no monte, onde Moisés aparece ao lado de Elias, sublinha a continuidade e o cumprimento da Lei e dos Profetas em Cristo.

A Lei mosaica, com seus Dez Mandamentos, continua a ser a base da moralidade cristã, interpretada e aperfeiçoada pelo ensinamento de Jesus. Sua vida é um testemunho de que Deus escolhe os humildes e os capacita para realizar grandes obras. Embora não tenha fundado ordens religiosas ou realizado milagres específicos que não estejam já inseridos nos "feitos narrados no Pentateuco", sua vida inteira é um milagre de providência e liderança divina. O impacto de Moisés transcende o tempo, servindo como uma ponte entre a antiga aliança e a nova, e sua figura ressoa como um modelo eterno de serviço a Deus e à humanidade.

Reflexão para Hoje

A vida de São Moisés oferece lições profundas e atemporais para a nossa jornada cristã nos dias de hoje. Primeiramente, ele nos ensina sobre a resposta ao chamado de Deus. Moisés hesitou, sentiu-se inadequado, mas obedeceu. Quantas vezes somos chamados a agir em nossa fé, a testemunhar, a servir, mas nos retraímos por medo ou pela sensação de não estarmos à altura? A história de Moisés nos lembra que é Deus quem capacita, e que nossa disponibilidade é mais importante do que nossa autopercepção de capacidade.

Sua experiência no deserto, guiando um povo por quarenta anos, é um poderoso testemunho de perseverança e confiança na providência divina. Nossas vidas também têm seus "desertos" – períodos de provação, incerteza e dificuldades. Moisés nos ensina a não desanimar diante das murmurações (internas ou externas), a manter o olhar fixo em Deus, que é fiel às suas promessas, mesmo que a "Terra Prometida" pareça distante. Ele nos encoraja a interceder pelos outros, a carregar seus fardos e a apresentá-los a Deus em oração.

A recepção da Lei por Moisés nos convida a uma reflexão sobre a importância dos preceitos divinos em nossas vidas. Embora vivamos sob a Nova Aliança da graça, os Dez Mandamentos continuam a ser um fundamento moral essencial. Eles nos chamam a uma vida de retidão, justiça e amor ao próximo e a Deus. Em um mundo que muitas vezes relativiza a verdade e a moral, Moisés nos lembra da solidez dos princípios eternos.

Finalmente, a figura de Moisés como libertador e guia nos inspira a ser instrumentos da libertação de Deus em nosso próprio tempo. Seja lutando contra a injustiça social, promovendo a dignidade humana ou simplesmente libertando corações do cativeiro do pecado através do testemunho e da evangelização, somos chamados a ecoar a missão de Moisés. Que a sua vida nos inspire a ser líderes humildes, fiéis e corajosos, que confiam plenamente em Deus e se dedicam ao serviço de seu povo.

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Fonte: Vatican News ↗

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