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Apego seguro: o que é, sinais no namoro e como crescer

Apego seguro é a capacidade de confiar sem se perder. Veja os sinais no namoro, como ele aparece na fé e como cultivar essa segurança.

Atualizado em 8 min de leitura
Cristo abençoando as crianças, pintura de Lucas Cranach, o Velho
Danish: Kristus velsigner børnene Christ Blessing the Children, Lucas Cranach the Elder, After 1537. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Apego seguro é o jeito de se relacionar de quem consegue confiar no outro sem perder a si mesmo. A pessoa segura gosta de proximidade, mas não entra em pânico quando o namorado ou a namorada fica um tempo sem responder. Consegue dizer o que sente, ouvir uma crítica sem desmoronar e voltar a conversar depois de uma briga. Não é ausência de problemas: é uma base de confiança que torna os problemas mais fáceis de atravessar.

Se o seu resultado foi "apego seguro", isso é motivo de gratidão, não de vaidade. E se você não teve esse resultado, saiba que ele também pode ser aprendido. Vamos ver como.

O que é o apego seguro?

A teoria do apego, formulada por John Bowlby, mostra que todos nós precisamos de uma "base segura": alguém de quem saímos para explorar o mundo e para quem voltamos quando sentimos medo. Nos estudos de Mary Ainsworth, as crianças com apego seguro sentiam falta da mãe quando ela saía, se acalmavam no reencontro e logo voltavam a brincar.

Em adultos, Cindy Hazan e Phillip Shaver mostraram em 1987 que o amor romântico segue padrões parecidos. Kim Bartholomew e Leonard Horowitz, em 1991, descreveram o estilo seguro como uma combinação de duas convicções: "eu tenho valor e posso ser amado" e "os outros, em geral, são confiáveis".

Leia também: Apego evitativo: o que é, sinais no namoro e como crescer

Quais são os sinais do apego seguro no namoro?

Alguns exemplos do dia a dia ajudam a reconhecer esse estilo:

  • Mensagens: se o outro demora a responder, você pensa que ele deve estar ocupado e segue o seu dia. Se a demora vira padrão, você pergunta com calma.
  • Discussões: você consegue discordar sem humilhar e sem fugir. Depois da briga, alguém dá o primeiro passo para reparar, e muitas vezes é você.
  • Intimidade emocional: você fala dos seus medos e alegrias sem precisar de um "momento perfeito" e acolhe quando o outro se abre.
  • Espaço pessoal: você tem amigos, hobbies e vida de oração própria, e acha bom que o outro também tenha.
  • Ciúme: você sente às vezes, como qualquer pessoa, mas não transforma isso em controle.
  • Limites: você consegue dizer "não" sem medo de perder o outro e aceita um "não" sem se sentir rejeitado.
  • Futuro: você conversa sobre planos com naturalidade, sem pressa ansiosa e sem fugir do assunto.

De onde costuma vir o apego seguro?

Em geral, ele nasce de cuidados "suficientemente bons": pais ou cuidadores que, mesmo com falhas, estavam presentes, respondiam às necessidades da criança e reparavam quando erravam. Não é preciso uma família perfeita. Nenhuma é.

Também existe o que os pesquisadores chamam de apego seguro conquistado. São pessoas que tiveram uma infância difícil e, mais tarde, desenvolveram segurança por meio de relações confiáveis, reflexão sobre a própria história, terapia, amizades e, para muitos cristãos, uma experiência profunda do amor de Deus. Ou seja: segurança não é privilégio de quem "teve sorte".

Leia também: Apego ansioso: o que é, sinais no namoro e como crescer

Como o apego seguro aparece na vida espiritual?

Quem tem apego seguro costuma se relacionar com Deus com mais liberdade. Reza nos dias bons e nos dias ruins. Não acha que precisa "merecer" a atenção de Deus nem foge d'Ele quando erra. Procura a confissão como quem volta para casa.

Isso combina com o que diz a primeira carta de São João: "No amor não há temor; ao contrário, o perfeito amor lança fora o temor" (1Jo 4,18). A segurança emocional e a confiança filial em Deus se ajudam mutuamente.

Mas a segurança também tem riscos espirituais. Quem está bem pode cair na autossuficiência, na falta de compaixão com quem sofre mais ou numa fé morna, sem sede. A segurança é um dom para ser colocado a serviço, não um troféu.

Tendências, virtudes e práticas

TendênciaVirtude a cultivarPrática concreta
Achar que tudo vai se resolver sozinhoPrudênciaMarcar conversas periódicas sobre o namoro, mesmo quando está tudo bem.
Impaciência com quem é mais ansioso ou mais fechadoCaridade e paciênciaPerguntar "do que você precisa agora?" antes de dar conselho.
Autossuficiência espiritualHumildadeManter a confissão frequente e a direção espiritual, mesmo sem crise.
Confiar demais e ignorar sinais de alertaDiscernimentoOuvir amigos maduros e observar se as palavras do outro combinam com as atitudes.
Acomodação no relacionamentoGenerosidadeEscolher um gesto de cuidado por semana na linguagem que o outro mais valoriza.

Como crescer ainda mais no apego seguro?

  1. Agradeça sem se comparar. Reconheça o que recebeu e lembre que outras pessoas não tiveram o mesmo começo.
  2. Converse com o namorado ou a namorada sobre apego. Pergunte como ele ou ela se sente quando vocês ficam longe, quando discutem e quando estão mais próximos. Escute sem corrigir.
  3. Treine a reparação. Depois de uma discussão, diga com simplicidade: "Errei nisso. Me perdoa?". Isso vale ouro num casamento.
  4. Seja base segura para o outro. Cumpra o que promete, avise quando vai demorar, mantenha a palavra nas pequenas coisas.
  5. Cuide da castidade como confiança. O Catecismo descreve a castidade como integração da sexualidade na pessoa (CIC 2337 a 2345). Ela protege o tempo necessário para conhecer o outro de verdade.
  6. Mantenha uma vida de oração própria. Sua segurança mais profunda não deve depender só do namoro.

Como conviver com alguém de apego seguro?

Se o seu namorado ou namorada tem apego seguro, aproveite essa estabilidade para crescer. Não confunda calma com desinteresse: uma pessoa segura pode não mandar dez mensagens por dia e, mesmo assim, estar muito comprometida.

  • Fale de forma direta sobre o que você precisa. Pessoas seguras costumam receber bem pedidos claros.
  • Não teste o amor do outro com jogos ou provocações. Pergunte.
  • Deixe-se ajudar. Às vezes, a segurança do outro é o espaço onde você pode aprender a confiar.
  • Lembre que o outro também tem limites e dias difíceis. Segurança não é obrigação de estar sempre bem.

Uma oração pela confiança

Pai, obrigado por cada pessoa que me ensinou a confiar. Que eu não guarde para mim o que recebi de graça. Faz de mim um lugar seguro para quem eu amo, firme sem ser duro, presente sem ser possessivo. E quando eu me achar forte demais, lembra-me que tudo vem de Ti. Amém.

Um cuidado importante antes de se rotular

Nenhum teste ou artigo faz diagnóstico. Ter apego seguro como resultado não significa que você nunca vai sentir ciúme, medo ou vontade de fugir. Também não quer dizer que todo namoro com você vai dar certo, nem que o outro está "errado" quando reage diferente.

Se você vive um sofrimento grande em alguma área da vida afetiva, procure um psicólogo, mesmo que o resultado tenha sido seguro. E cultive o acompanhamento espiritual com um sacerdote ou diretor de confiança, que ajuda a ler a própria história à luz de Deus.

Perguntas frequentes

Quem tem apego seguro nunca sofre no namoro?

Sofre, sim. A diferença é que costuma conseguir nomear o que sente, pedir ajuda e se recuperar mais rápido depois de uma crise.

É possível perder o apego seguro?

Experiências muito dolorosas, como uma traição ou um luto, podem abalar a segurança por um tempo. Com apoio e tempo, a maioria das pessoas recupera a confiança.

Uma pessoa segura deve "consertar" um parceiro ansioso ou evitativo?

Não. Ela pode ser apoio e exemplo, mas cada um é responsável pelo próprio crescimento. Um namoro saudável tem dois adultos caminhando, não um salvador e um paciente.

Como saber se o meu apego seguro é conquistado?

Se você se lembra de uma fase em que tinha muito medo ou desconfiança e percebe que hoje se relaciona com mais paz, é possível que tenha conquistado essa segurança. Isso merece gratidão.

Para aprofundar

Fontes

  • BOWLBY, John. Attachment and Loss, vol. 1: Attachment. Nova York: Basic Books, 1969.
  • AINSWORTH, Mary et al. Patterns of Attachment: A Psychological Study of the Strange Situation. Hillsdale: Erlbaum, 1978.
  • HAZAN, Cindy; SHAVER, Phillip. Romantic love conceptualized as an attachment process. Journal of Personality and Social Psychology, v. 52, n. 3, p. 511-524, 1987.
  • BARTHOLOMEW, Kim; HOROWITZ, Leonard. Attachment styles among young adults: a test of a four-category model. Journal of Personality and Social Psychology, v. 61, n. 2, p. 226-244, 1991.
  • PEARSON, Jane et al. Earned- and continuous-security in adult attachment. Development and Psychopathology, v. 6, n. 2, p. 359-373, 1994.
  • MIKULINCER, Mario; SHAVER, Phillip. Attachment in Adulthood: Structure, Dynamics, and Change. Nova York: Guilford Press, 2007.
  • Catecismo da Igreja Católica, n. 2337 a 2345.
  • Bíblia Sagrada, tradução da CNBB.

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote nem, quando necessário, o de um psicólogo.