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Segunda leitura para casamento: Paulo, Pedro e João

Romanos, Coríntios, Efésios, Colossenses, Pedro, João e Apocalipse: o que cada leitura do Novo Testamento ensina aos esposos.

8 min de leitura
São Paulo Apóstolo com o livro de suas cartas e a espada, pintura atribuída a Murillo
Saint Paul, Attributed to Bartolomé Esteban Murillo, 17 th century. Domínio público, via Wikimedia Commons.

A segunda leitura para casamento vem do Novo Testamento, e o Ritual do Matrimônio oferece catorze opções: cartas de São Paulo (Romanos, Coríntios, Efésios, Filipenses, Colossenses), a Carta aos Hebreus, a Primeira Carta de Pedro, a Primeira Carta de João e o Apocalipse. Elas mostram como o amor dos esposos se vive à luz de Cristo. Veja o que cada uma diz e como escolher.

O que muda do Antigo para o Novo Testamento?

As leituras do Antigo Testamento mostram o casamento no projeto da criação. As do Novo mostram o que Cristo acrescenta: o matrimônio entre batizados passa a ser sacramento, sinal do amor de Cristo pela Igreja (CIC 1601 e 1616). Por isso essas cartas falam menos de "como encontrar o cônjuge" e mais de como amar no dia a dia: paciência, perdão, respeito, oração, generosidade.

A numeração entre colchetes é a da edição típica do Ritual (nn. 188 a 201). As formas breves e a delimitação dos versículos podem variar: confira no Ritual da sua paróquia. Quando há duas leituras antes do Evangelho, esta é a segunda; quando há uma só, os noivos podem escolher uma destas no lugar da do Antigo Testamento.

Leia também: Primeira leitura para casamento: Gênesis, Tobias e Cântico

As cartas aos Romanos e aos Coríntios

Rm 8,31b-35.37-39 [188]

Se Deus é por nós, quem será contra nós? Paulo enumera tribulações, angústias e perigos e conclui que nada pode separar o cristão do amor de Deus manifestado em Cristo. É uma leitura de confiança. Bom para casais que já passaram por dificuldades ou que querem pôr o casamento nas mãos de Deus.

Rm 12,1-2.9-18 [189]

O amor seja sem fingimento. Paulo dá conselhos muito concretos: adiantar-se em honrar o outro, ser alegre na esperança, paciente na tribulação, perseverante na oração, praticar a hospitalidade, alegrar-se com quem se alegra e chorar com quem chora. Há uma forma breve (vv. 1-2.9-13), útil se o leitor tiver pouca experiência.

Rm 15,1b-3a.5-7.13 [190]

Quem é forte deve suportar as fraquezas do outro, sem buscar só o próprio agrado. Paulo pede ao Deus da constância e da consolação que dê a todos o mesmo sentir e termina com um voto: que o Deus da esperança os encha de alegria e paz. A frase central é acolher-se uns aos outros como Cristo nos acolheu.

1Cor 6,13c-15a.17-20 [191]

O corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor. O corpo do cristão é membro de Cristo e templo do Espírito Santo. Paulo termina pedindo: glorificai a Deus no vosso corpo. É uma leitura sobre a dignidade do corpo e da sexualidade, que no casamento é dom mútuo.

1Cor 12,31 a 13,8a [192]

O hino ao amor, provavelmente a leitura mais conhecida em casamentos. O amor é paciente, é bondoso, não é invejoso, tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta e jamais passará. Tem um artigo próprio: 1 Coríntios 13 no casamento.

Efésios, Filipenses e Colossenses

Ef 4,1-6 [193]

Paulo pede que vivam de modo digno da vocação recebida, com humildade, mansidão e paciência, suportando-se uns aos outros com amor e conservando a unidade do Espírito no vínculo da paz. É um retrato simples do que torna uma casa habitável.

Ef 5,2a.21-33 [194]

É a leitura do Novo Testamento que fala mais diretamente do matrimônio. Começa com um pedido aos dois: sede submissos uns aos outros no temor de Cristo (Ef 5,21). Depois pede às mulheres que respeitem os maridos e aos maridos que amem as esposas como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela. Termina chamando o casamento de grande mistério, em relação a Cristo e à Igreja (Ef 5,32).

Muita gente estranha a palavra "submissas". São João Paulo II, na carta Mulieris Dignitatem (n. 24), explica que a chave é o versículo 21: a submissão é recíproca, por amor a Cristo, e o marido recebe a exigência mais pesada, a de amar até dar a vida. O Catecismo usa este texto para mostrar que o matrimônio cristão é sinal da aliança entre Cristo e a Igreja (CIC 1616). Há uma forma breve (vv. 2a.25-32), centrada no amor do marido e no mistério de Cristo e da Igreja; o padre pode orientar qual usar.

Fl 4,4-9 [195]

Alegrai-vos sempre no Senhor. Não vos inquieteis com nada, mas apresentai a Deus os vossos pedidos em oração, e a paz de Deus guardará os vossos corações (Fl 4,6-7). Paulo termina pedindo que ocupem o pensamento com tudo o que é verdadeiro, nobre, justo e amável. É uma leitura serena, boa para casais que vivem com ansiedade a preparação do casamento.

Cl 3,12-17 [196]

Revesti-vos de misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência; suportai-vos e perdoai-vos como o Senhor vos perdoou. Acima de tudo, o amor, que é o vínculo da perfeição. Depois, a paz de Cristo no coração, a Palavra morando entre vós, o canto e a ação de graças. O texto descreve a vida de uma família cristã quase como um programa de convivência.

Leia também: 1 Coríntios 13 no casamento: o hino ao amor

Hebreus, Pedro e João

Hb 13,1-4a.5-6b [197]

Permaneça o amor fraterno; não esqueçais a hospitalidade; lembrai-vos dos presos e dos que sofrem. O matrimônio seja honrado por todos. Vivei sem apego ao dinheiro, contentes com o que tendes, porque o Senhor prometeu não abandonar. A leitura fala de fidelidade e de uma casa aberta aos outros.

1Pd 3,1-9 [198]

Pedro fala às esposas da beleza interior, que vale mais do que os enfeites, e aos maridos pede que tratem a esposa com consideração e a honrem como coerdeira da graça da vida, para que as orações dos dois não encontrem obstáculo. Termina com todos: unidade de sentimentos, compaixão, humildade, não pagar o mal com o mal. Fala diretamente do matrimônio. Lida isolada, a primeira parte pode soar dura; o conjunto mostra respeito mútuo e oração em comum.

1Jo 3,18-24 [199]

Não amemos só com palavras, mas com obras e de verdade. João une a fé em Jesus ao mandamento de amar e diz que quem guarda os mandamentos permanece em Deus. Boa escolha para casais que querem destacar o amor concreto, de gestos.

1Jo 4,7-12 [200]

Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus. "Deus é amor" (1Jo 4,8). Deus nos amou primeiro e enviou o seu Filho; se Deus assim nos amou, devemos amar-nos uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus, mas se nos amamos, Deus permanece em nós. É curta, clara e fácil de proclamar.

Ap 19,1.5-9a: as núpcias do Cordeiro

João ouve uma multidão no céu cantando aleluia, porque chegaram as núpcias do Cordeiro e a sua esposa se preparou. O anjo manda escrever: felizes os convidados para o banquete das núpcias do Cordeiro. É a imagem com que a Bíblia termina: a união de Cristo com a Igreja como uma festa de casamento (CIC 1602). Combina com o Evangelho das bodas de Caná.

Como escolher a segunda leitura?

  • Leiam a passagem inteira na Bíblia, não só o resumo. Vejam se os dois se reconhecem nela.
  • Busquem sintonia com o Evangelho. Cl 3 ou Ef 4 com Mt 7 (casa sobre a rocha); 1Jo 4 com Jo 15; Ap 19 com Jo 2.
  • Garantam uma leitura sobre o casamento. Se nem o Evangelho nem a primeira leitura falarem do matrimônio, escolham Ef 5 ou 1Pd 3, que são as do Novo Testamento que tratam dele diretamente.
  • Pensem no leitor. Rm 12 longa e Ef 5 longa exigem fôlego. 1Jo 4 e Fl 4 são mais simples.

A lista completa, com Antigo Testamento, salmos e Evangelhos, está em Leituras para casamento católico.

Perguntas frequentes

Posso tirar a parte de Efésios 5 que fala de submissão?

Os noivos não cortam versículos por conta própria. O Ritual prevê uma forma breve (Ef 5,2a.25-32); peçam ao padre para avaliar qual usar.

Qual segunda leitura é mais curta?

Ef 4,1-6 e 1Jo 4,7-12 estão entre as mais curtas e fáceis de ler.

Todo casamento tem segunda leitura?

Não. Muitas paróquias fazem uma leitura só antes do Evangelho. Quantas haverá é combinado com o celebrante.

Para aprofundar

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica (§§ 1601, 1602 e 1616); São João Paulo II, carta apostólica Mulieris Dignitatem (1988), n. 24; Ritual do Matrimônio, segunda edição típica (1990), lecionário, nn. 188 a 201; índice do lecionário do Matrimônio do Liturgy Office (Inglaterra e País de Gales).

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.