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Ordem de entrada no casamento católico

Quem entra primeiro, quem acompanha a noiva e se padrinhos entram em cortejo: veja o que é do Ritual, o que é costume e o que varia por diocese.

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Cortejo nupcial de Rebeca, pintura de Fulvio Piazza na igreja da Incoronata, em Lodi
Corteo nuziale di Rebecca. Foto: Fulvio Piazza, licença CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

A ordem de entrada no casamento católico não é fixada pela Igreja em todos os detalhes. O Ritual do Matrimônio prevê duas formas: o padre acolhe os noivos na porta e a procissão segue até o altar do modo costumeiro do lugar, ou o padre os acolhe já perto do altar. O cortejo mais comum no Brasil (pais e noivo, padrinhos, damas e pajens, noiva com o pai) é costume, e algumas dioceses o limitam.

O que o Ritual do Matrimônio prevê?

A segunda edição típica do Ritual, base da tradução brasileira, descreve duas formas para os ritos iniciais do casamento:

  • Primeira forma: o sacerdote, com os ministros, vai até a porta da igreja, acolhe os noivos e os saúda. Em seguida, a procissão com o grupo dos noivos vai até o altar do modo costumeiro do lugar, durante o canto de entrada. O Ritual não detalha quem compõe esse grupo.
  • Segunda forma: os noivos vão até o lugar preparado para eles, e o sacerdote os acolhe ali, perto do altar.

A expressão "do modo costumeiro" é o que dá espaço ao cortejo brasileiro. A Igreja não define quantos padrinhos entram, se a noiva vem com o pai ou se há damas. O que ela pede é que os ritos sigam os livros litúrgicos aprovados e os costumes legítimos (cân. 1119), e cada diocese pode dar normas próprias.

Leia também: Padrinhos de casamento na Igreja: quantos e quem

Qual é o cortejo de costume no Brasil?

Não existe ordem única. Uma das sequências mais citadas, descrita pelo portal Casamentos.com.br, é esta:

  1. Noivo com a mãe.
  2. Mãe da noiva com o pai do noivo.
  3. Padrinhos e madrinhas, em pares.
  4. Floristas.
  5. Noiva com o pai.
  6. Damas ou pajens com as alianças, na hora da troca.

O mesmo portal apresenta outras ordens, em que padrinhos entram antes dos pais, por exemplo. Também é comum o noivo descer alguns passos para receber a noiva do pai antes do altar. Tudo isso é costume familiar e regional, não norma litúrgica.

Variações frequentes

  • Noiva com outra pessoa: se o pai é falecido ou ausente, a noiva pode entrar com a mãe, um irmão, um avô, um padrinho ou sozinha.
  • Noivos juntos: a Diocese de Erie (EUA), em material sobre a procissão de entrada, lembra que o rito não supõe a noiva entrando sozinha e sugere os dois noivos entrando juntos, ou cada um com os pais.
  • Segunda forma do Ritual: o casal já está perto do altar quando a celebração começa, sem cortejo da noiva.
  • Casamento comunitário: a paróquia define uma entrada simples para todos os casais.

Quando a situação familiar é delicada

Pais separados, um dos pais falecido, padrasto ou madrasta presentes: o cortejo pode gerar tensão. Como a Igreja não fixa quem acompanha os noivos, há liberdade para resolver com caridade. Algumas saídas comuns são o noivo ou a noiva entrar entre o pai e a mãe, os pais entrarem juntos antes do noivo mesmo separados, ou um momento de silêncio e oração pelos falecidos na oração dos fiéis, combinado com o padre. Conversem com a família antes, e não no dia.

O que algumas dioceses brasileiras determinam?

Aqui está o ponto que mais muda de um lugar para outro. Dois exemplos de normas publicadas:

DioceseO que orienta
Diocese de Ponta Grossa (PR), Diretório Litúrgico-PastoralEntram os pais, o noivo, dois pajens e a noiva. Não há entrada das testemunhas. O Ritual não prevê entrada própria das alianças: elas vêm com os noivos ou com os pajens. Proíbe drones, animais, plaquinhas e balões.
Diocese de Luz (MG), Diretrizes Pastorais Sacramentais (2014)Ao tratar da equipe de liturgia, menciona a orientação sobre as entradas dos noivos com seus pais e mães (n. 261). Não haja entrada especial para as testemunhas, padrinhos e madrinhas, que ocupam seus lugares antes do início (n. 262). O cerimonial é responsabilidade da paróquia, não de empresas (n. 263).

Outras dioceses permitem o cortejo de padrinhos, com ou sem limite de número. Por isso, antes de contratar cerimonialista ou ensaiar com a família, pergunte na secretaria paroquial se existe norma diocesana sobre a entrada.

Padrinhos e testemunhas não são a mesma coisa

O Código exige duas testemunhas para a validade do casamento (cân. 1108). Os "padrinhos" em grande número são costume brasileiro. Mesmo onde o cortejo de padrinhos é permitido, as duas testemunhas que assinam o registro precisam ser definidas. A Diocese de Luz pede que se evitem exageros quanto ao número (n. 247) e lembra que, para assinar a ata, bastam duas testemunhas (n. 268).

Leia também: Votos de casamento católico: o consentimento

Como montar a ordem de entrada com a paróquia?

  1. Peçam as normas da paróquia por escrito, ou anotem na reunião com o padre ou a equipe de liturgia.
  2. Escolham a forma de entrada do Ritual: acolhida na porta ou perto do altar.
  3. Definam quem acompanha cada noivo, pensando também em situações familiares delicadas.
  4. Confirmem se padrinhos entram e quantos, e quais duas pessoas assinarão como testemunhas.
  5. Combinem crianças e alianças: se damas e pajens entram, em que momento, e quem fica responsável pelas alianças.
  6. Escolham as músicas de cada entrada com a equipe de canto, conforme as normas da diocese.
  7. Ensaiem no horário que a paróquia oferecer, com todos os que vão entrar.

Lembrem que um cortejo longo aumenta a duração da cerimônia e exige mais músicas. Num dia com vários casamentos, isso pode esbarrar no tempo que a paróquia reserva para cada celebração.

Perguntas frequentes

O noivo entra antes ou depois dos padrinhos?

Depende do costume local e da paróquia. Nas sequências mais citadas no Brasil, o noivo entra com a mãe no início do cortejo, antes dos padrinhos.

A noiva é obrigada a entrar com o pai?

Não. É costume, não norma da Igreja. A noiva pode entrar com outra pessoa, sozinha ou junto com o noivo, conforme o que a paróquia admite.

As alianças podem ter entrada especial?

Em algumas dioceses, não. Ponta Grossa, por exemplo, lembra que o Ritual não prevê entrada própria das alianças, que devem vir com os noivos ou com os pajens.

Quantos padrinhos podem entrar no cortejo?

A Igreja exige apenas duas testemunhas. O número de padrinhos e se eles entram em cortejo depende da diocese e da paróquia.

Para aprofundar

Fontes

Código de Direito Canônico (cân. 1108 e 1119); Ritual do Matrimônio, segunda edição típica (1990) e tradução brasileira (Paulus, 1993); Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, boletim do Comitê de Liturgia sobre a segunda edição (2015); Arquidiocese de Seattle, resumo da Ordem de Celebração do Matrimônio; Diocese de Erie (EUA), material sobre a procissão de entrada; Diocese de Ponta Grossa, Diretório Litúrgico-Pastoral, citado pela Paróquia Nossa Senhora da Luz de Irati; Diocese de Luz, Diretrizes Pastorais Sacramentais (2014); Casamentos.com.br, roteiro da cerimônia religiosa.

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.