O Salmo 150 é o último salmo da Bíblia e a grande conclusão do Saltério. Em seis versículos, ele repete o convite louvai a Deus e diz onde louvá-lo, por que louvá-lo e com que instrumentos. A última palavra é um chamado universal: todo ser que respira louve o Senhor. Aleluia.
Contexto do Salmo 150
Este salmo tem o mesmo número na numeração hebraica e na litúrgica. É um hino de louvor puro, sem atribuição de autor e sem pedidos, que começa e termina com Aleluia. Encerra o Hallel final (Sl 146 a 150) e o livro inteiro dos Salmos.
O Saltério é dividido em cinco livros, como lembra o Catecismo (CIC n. 2585). Cada um dos quatro primeiros termina com uma breve fórmula de bênção, chamada doxologia (Sl 41,14; 72,18-19; 89,53; 106,48). O Salmo 150 funciona como a doxologia do quinto livro e de todo o Saltério. Depois de tantas súplicas, lamentos, ações de graças e meditações, tudo termina em louvor.
Explicação do Salmo 150
Versículo 1: onde louvar
O salmo começa: Aleluia. Louvai a Deus no seu santuário, louvai-o no seu firmamento poderoso. Dois lugares são indicados. O santuário é o Templo de Jerusalém, onde o povo se reunia. O firmamento é o céu, morada de Deus. O louvor une a terra e o céu, a assembleia reunida e os anjos. Não há lugar onde Deus não deva ser louvado.
Versículo 2: por que louvar
O motivo é dado em duas linhas: louvai-o pelas suas proezas, louvai-o pela sua imensa grandeza. As proezas são as obras de Deus na criação e na história, tantas vezes recordadas nos salmos anteriores. A grandeza é aquilo que Deus é em si mesmo. Louvamos a Deus pelo que ele faz e pelo que ele é.
Versículos 3 a 5: como louvar
Vem então uma verdadeira orquestra. Louvai-o com o som da trombeta, que na Bíblia é o shofar, chifre de carneiro tocado em ocasiões solenes. Louvai-o com a harpa e a cítara, instrumentos de corda usados pelos levitas. Louvai-o com tamborim e dança, expressões da alegria popular. Louvai-o com cordas e flauta. Louvai-o com címbalos sonoros, louvai-o com címbalos retumbantes.
A lista inclui instrumentos dos sacerdotes, dos levitas e do povo. Todos têm lugar no louvor. A repetição do verbo louvai, cerca de dez vezes no salmo, cria um crescendo, como numa música que vai ficando cada vez mais forte.
Versículo 6: todo ser que respira
O ponto final é o mais amplo de todos: “Todo ser que respira louve o Senhor” (Sl 150,6). O fôlego da vida é dom de Deus, que soprou nas narinas do primeiro homem (Gn 2,7). É justo que cada respiração volte a ele em louvor. O convite não se limita a Israel: alcança todos os povos e todos os seres vivos. E o Saltério termina com a palavra que resume tudo: Aleluia.
O que o Salmo 150 ensina para a fé católica?
O Salmo 150 ensina que o louvor é o destino final da oração e da própria vida. O Catecismo lembra que a coleção recebeu o nome de Louvores (CIC n. 2585) e que a oração dos salmos é sempre animada pelo louvor (CIC n. 2589). Ensina também que o louvor é a forma de oração que mais imediatamente reconhece que Deus é Deus, porque o celebra por ele mesmo, e não só pelo que faz (CIC n. 2639).
O fim do Saltério antecipa o fim da história. O Apocalipse descreve a liturgia do céu, em que todas as criaturas, no céu, na terra e no mar, dão louvor, honra e glória a Deus e ao Cordeiro (Ap 5,13). A vida eterna será um grande Aleluia. Cada Missa, especialmente o Glória e o Santo, é uma participação antecipada nesse louvor.
O salmo também valoriza a música na liturgia. A Igreja ensina que a música sacra é um tesouro de valor inestimável e parte integrante da liturgia solene (CIC n. 1156). O canto e os instrumentos, quando servem à oração, ajudam o povo a louvar a Deus com o corpo inteiro.
Reflexão para hoje
O livro dos Salmos não esconde nada da vida humana: doença, perseguição, pecado, saudade, raiva, medo. Mas termina em louvor. Isso não significa que os problemas desapareceram, e sim que Deus tem a última palavra. Para quem atravessa um tempo difícil, o Salmo 150 é uma promessa: a sua história também vai terminar em Aleluia.
O último versículo é um convite muito simples. Todo ser que respira. Você respira? Então pode louvar. Não é preciso saber cantar, tocar um instrumento ou ter palavras bonitas. Cada respiração pode ser oferecida a Deus. Experimente, em um momento de pausa, respirar devagar e dizer em silêncio: louvado seja Deus.
Para rezar com o Salmo 150
- Há espaço na minha oração para o louvor puro, sem pedir nada?
- Que dons e talentos posso usar para louvar a Deus, na liturgia ou na vida?
- Consigo acreditar que a minha história, mesmo com dores, vai terminar em louvor?
Sugestão de oração:
Senhor, eu te louvo pelas tuas obras e pela tua grandeza. Recebe cada respiração minha como um canto de louvor. Que a minha vida, com suas alegrias e lutas, se una ao louvor do céu e da terra, até o dia em que eu possa cantar contigo o Aleluia eterno. Amém.
Leia também o Salmo 149 ou volte ao início do livro com o Salmo 1. Para rezar os salmos todos os dias, conheça o saltério da Liturgia das Horas.
Fontes
Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 1156, 2585, 2589 e 2639.
Perguntas sobre Salmo 150
Por que o Salmo 150 encerra o livro dos Salmos?
Quais instrumentos são citados no Salmo 150?
O que significa todo ser que respira louve o Senhor?
Está lendo a Bíblia inteira? Acompanhe no Plano de leitura da Bíblia ou reze o texto com a Lectio Divina.