O Salmo 148 é um grande coro cósmico. O salmista convoca toda a criação a louvar o Senhor: primeiro os seres do céu, os anjos, o sol, a lua e as estrelas; depois os da terra, os mares, o fogo e a neve, as montanhas e as árvores, os animais e, por fim, todos os seres humanos, reis e povos, jovens e velhos. Só o nome do Senhor é sublime.
Contexto do Salmo 148
Este salmo tem o mesmo número na numeração hebraica e na litúrgica. É um hino de louvor sem atribuição de autor, que começa e termina com Aleluia, e faz parte do Hallel final do Saltério (Sl 146 a 150).
A estrutura é muito clara. Há duas grandes partes: louvor a partir dos céus (versículos 1 a 6) e louvor a partir da terra (versículos 7 a 14). A ordem das criaturas lembra o relato da criação em Gênesis 1. O Cântico dos três jovens na fornalha, no livro de Daniel (Dn 3,57-88), tem forma parecida: uma longa lista de criaturas convidadas a bendizer o Senhor.
Na tradição latina, os Salmos 148, 149 e 150 eram rezados todos os dias no ofício da manhã. Muitos explicam o nome Laudes, dado a essa oração, pela palavra latina com que esses salmos começam: Laudate, louvai.
Explicação do Salmo 148
Versículos 1 a 4: o louvor dos céus
O salmista começa pelas alturas: louvai o Senhor desde os céus, louvai-o nas alturas. Convoca os anjos e todos os exércitos celestes. Depois o sol e a lua, as estrelas brilhantes, os céus dos céus e as águas que estão acima do céu. Essa última expressão vem da maneira antiga de imaginar o mundo, com reservatórios de água acima do firmamento, de onde caía a chuva (Gn 1,7). O salmista usa a imagem do universo de sua época para dizer que nada fica fora do louvor.
Versículos 5 e 6: porque ele mandou e foram criados
O motivo do louvor é dado em poucas palavras: louvem o nome do Senhor, porque ele mandou e foram criados. Deus criou pela sua palavra, como em Gênesis 1, e fixou as criaturas para sempre, com uma lei que não passa. Para os povos vizinhos de Israel, o sol, a lua e as estrelas eram divindades. Aqui, eles são criaturas que obedecem e louvam.
Versículos 7 a 10: o louvor da terra
A segunda parte começa: louvai o Senhor desde a terra. E a lista é impressionante. Os monstros marinhos e os abismos do mar. O fogo e o granizo, a neve e a neblina, o vento da tempestade que cumpre a sua palavra. As montanhas e as colinas, as árvores frutíferas e os cedros. As feras e os animais domésticos, os répteis e as aves que voam.
Os monstros marinhos e os abismos eram, para os antigos, símbolos do caos e do perigo. Até eles são chamados a louvar. Nada na criação é inimigo de Deus; tudo está sob o seu governo.
Versículos 11 e 12: o louvor da humanidade
Por último, os seres humanos. Os reis da terra e todos os povos, os príncipes e todos os juízes da terra. Os jovens e as moças, os velhos e as crianças. O salmo não exclui ninguém: nem por posição social, nem por sexo, nem por idade. Diante de Deus, o rei e a criança são chamados ao mesmo louvor.
Versículos 13 e 14: só o seu nome é sublime
A conclusão retoma o tema: “Louvem o nome do Senhor, porque só o seu nome é sublime” (Sl 148,13). A sua majestade está acima da terra e do céu. E o último versículo volta ao povo de Israel: Deus exaltou o poder do seu povo, motivo de louvor para todos os seus fiéis, os filhos de Israel, o povo que lhe é próximo. A criação inteira louva, mas há um povo que Deus chamou para perto de si. Aleluia.
O que o Salmo 148 ensina para a fé católica?
O Salmo 148 expressa a doutrina católica sobre a criação. O mundo foi criado para a glória de Deus, isto é, para manifestar e comunicar a sua bondade (CIC n. 293). Cada criatura reflete, a seu modo, um raio da sabedoria e da bondade infinitas de Deus (CIC n. 339). E há uma solidariedade entre todas as criaturas, porque têm o mesmo Criador e estão ordenadas para a sua glória (CIC n. 344).
O ser humano tem um lugar especial nesse coro. As outras criaturas louvam simplesmente existindo; o homem pode louvar com consciência e liberdade, emprestando a sua voz a toda a criação. Na liturgia, a Igreja faz isso em nome do universo. O Catecismo ensina que o louvor é a forma de oração que mais imediatamente reconhece que Deus é Deus (CIC n. 2639).
A espiritualidade cristã sempre amou este salmo. O Cântico das criaturas de São Francisco de Assis, que chama o sol de irmão e a lua de irmã, respira o mesmo espírito, assim como o Cântico dos três jovens que a Igreja reza nas Laudes do domingo, nas semanas I e III do saltério.
Reflexão para hoje
Às vezes passamos por um pôr do sol, uma árvore florida ou um céu estrelado sem perceber. O Salmo 148 nos ensina a olhar a natureza como um coro que canta a Deus o tempo todo. Basta parar e escutar. Uma caminhada pode virar oração.
O salmo também fala de responsabilidade. Se todas as criaturas louvam a Deus, destruir sem necessidade a natureza é silenciar uma voz desse coro. Cuidar da criação, da água, das árvores e dos animais faz parte da fé.
E o versículo 12 é um bonito retrato de família: jovens e moças, velhos e crianças louvando juntos. Rezar em família, com todas as gerações, é viver este salmo em casa.
Para rezar com o Salmo 148
- Que elementos da criação me ajudam a lembrar de Deus e a louvá-lo?
- Como eu trato a natureza no meu dia a dia: com cuidado ou com descaso?
- Minha família reza junta, unindo crianças, jovens e idosos no mesmo louvor?
Sugestão de oração:
Senhor, que tudo criaste com a tua palavra, eu me uno ao louvor do sol e da lua, dos mares e das montanhas, das aves e de todos os povos. Empresta a minha voz a toda a criação, para que ela te louve através de mim. Só o teu nome é sublime. Aleluia. Amém.
Leia também o Salmo 147 e o Salmo 149. Para rezar o louvor da manhã, veja como rezar as Laudes, e para conhecer o ensino da Igreja, a criação segundo a Igreja.
Fontes
Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 293, 339, 344 e 2639; São Francisco de Assis, Cântico das criaturas.
Perguntas sobre Salmo 148
Qual é o tema do Salmo 148?
O Salmo 148 tem relação com o Cântico das criaturas de São Francisco?
Por que o Salmo 148 está ligado às Laudes?
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