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Salmo 129: muito me perseguiram desde a juventude

Leia Salmo 129 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

O rei Davi toca a harpa cercado de anjos
Hendrick ter Brugghen, O rei Davi tocando harpa entre anjos, 1628. Domínio público, via Wikimedia Commons.

O Salmo 129 é o testemunho de um povo que sofreu muito e não foi vencido. Israel lembra que foi perseguido desde a juventude, que os opressores lavraram as suas costas como um campo, mas que o Senhor, que é justo, cortou as cordas dos ímpios. Na segunda parte, pede que os que odeiam Sião não prosperem, como a erva que seca no telhado.

Contexto do Salmo 129

Na numeração litúrgica, é o Salmo 128. É o décimo dos "cânticos das subidas" (Salmos 120 a 134). O título não indica autor nem situação histórica.

O gênero combina confiança coletiva e súplica contra os inimigos, com alguns traços chamados de imprecatórios (pedidos de que o adversário fracasse). A "juventude" de Israel é o começo da sua história, a escravidão no Egito, como diz o profeta Oseias (Os 11,1). Desde lá, o povo conheceu muitas opressões: povos vizinhos, impérios, exílio. O salmo não fala de um fato específico; resume séculos de sofrimento e de proteção divina. Como no Salmo 124, um líder do canto convida: "que Israel o diga".

Explicação do Salmo 129

Versículos 1 e 2: perseguido, mas não vencido

O salmo começa com uma frase repetida para dar ênfase: muito me perseguiram desde a minha juventude, que Israel o diga; muito me perseguiram desde a minha juventude, mas não prevaleceram contra mim.

É uma constatação ao mesmo tempo dolorosa e cheia de fé. O povo não esconde o sofrimento. Mas olha para trás e percebe que sobreviveu. Muitos impérios que oprimiram Israel desapareceram; o povo de Deus continuou.

Versículos 3 e 4: o arado nas costas e as cordas cortadas

Vem uma imagem impressionante: “Lavraram as minhas costas os lavradores, nelas abriram longos sulcos” (Sl 129,3). As costas de Israel foram tratadas como terra a ser arada. A imagem pode lembrar as marcas de chicote nas costas dos escravos e prisioneiros. É uma forma poética de dizer que o povo foi pisado, humilhado e ferido.

Mas a virada vem logo: o Senhor é justo, ele cortou as cordas dos ímpios. A imagem continua ligada ao campo. O arado era puxado por animais presos com cordas e correias. Se Deus corta as cordas, o arado para. A opressão acaba porque Deus intervém, não por força de Israel.

Versículos 5 a 8: como a erva do telhado

A segunda parte é um pedido: que fiquem envergonhados e recuem todos os que odeiam Sião. Os inimigos aqui não são simplesmente adversários pessoais, mas os que se opõem à cidade de Deus e ao seu povo.

Segue uma comparação tirada da vida da Palestina. As casas tinham telhados planos de terra batida. Depois da chuva, nasciam ali uns tufos de erva, que secavam logo com o sol, porque não tinham raiz profunda. Ninguém colhia aquela erva: o ceifeiro não enchia a mão nem o que amarra os feixes enchia os braços. O salmista pede que o poder dos opressores seja assim: aparente, passageiro, sem fruto.

O último versículo lembra o costume da colheita. Quem passava pelos campos saudava os ceifeiros com uma bênção, como se vê no livro de Rute: Booz diz aos trabalhadores "o Senhor esteja convosco", e eles respondem "o Senhor te abençoe" (Rt 2,4). Para a erva do telhado ninguém diz isso, porque não há colheita a abençoar. A obra dos opressores não recebe a bênção de Deus.

O que o Salmo 129 ensina para a fé católica?

O Salmo 129 ensina que Deus é fiel ao seu povo nas perseguições. O Catecismo descreve entre os traços constantes dos salmos a confiança do crente em meio aos inimigos e às tentações (CIC n. 2589), e lembra que, rezados por Cristo e nele realizados, os salmos são elemento essencial e permanente da oração da Igreja (CIC n. 2597).

A leitura cristã vê aqui a Igreja, perseguida desde os primeiros tempos (At 8,1) e nunca vencida, segundo a promessa de Jesus de que as forças do mal não prevaleceriam contra ela (Mt 16,18). E vê sobretudo Cristo. O servo do Senhor diz no profeta Isaías que ofereceu as costas aos que o feriam (Is 50,6), e Jesus foi flagelado antes da crucifixão (Mt 27,26). As "costas aradas" do salmo tornam-se figura das costas feridas do Senhor.

Quanto aos pedidos contra os inimigos, o cristão os reza à luz do Evangelho. Jesus mandou amar os inimigos e rezar pelos que nos perseguem (Mt 5,44). Por isso a Igreja lê esses versos como pedido de que o mal não triunfe, de que a injustiça seja desmascarada e de que as forças contrárias a Deus fiquem sem fruto, e não como desejo de vingança pessoal. A Igreja reza este salmo na Liturgia das Horas.

Reflexão para hoje

Algumas pessoas podem dizer, com o salmo, "muito me perseguiram desde a juventude". Uma infância difícil, anos de humilhação, doenças que se repetem, sofrimentos que deixaram marcas como sulcos nas costas. O salmo não manda esconder essas marcas. Ele convida a olhar para elas com fé e reconhecer: ainda estou de pé, porque Deus não me abandonou.

O salmo também ajuda a lembrar os cristãos perseguidos hoje, em tantos países, por causa da fé. Rezá-lo é unir-se a eles e pedir que a violência contra eles seque como a erva do telhado.

Por fim, a imagem da erva que seca serve de alerta para nós. Há sucessos que crescem rápido e não têm raiz: o dinheiro mal ganho, o prestígio construído sobre mentiras. O que não tem raiz em Deus não dá colheita. Vale perguntar que tipo de erva está crescendo no telhado da nossa vida.

Para rezar com o Salmo 129

  • Que marcas do passado ainda doem em mim? Consigo ver nelas também a fidelidade de Deus?
  • Lembro-me de rezar pelos cristãos perseguidos no mundo?
  • O que estou construindo tem raiz em Deus, ou é como erva no telhado?

Sugestão de oração:

Senhor justo, tu conheces as marcas que trago. Obrigado porque o mal não prevaleceu sobre mim. Corta as cordas que ainda me prendem e sustenta os teus filhos perseguidos por causa da fé. Faz que eu tenha raízes profundas em ti. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 2589 e 2597; Liturgia das Horas.

Perguntas sobre Salmo 129

Qual é o tema do Salmo 129?

É o testemunho de Israel, que foi muito perseguido ao longo da sua história, mas nunca destruído, porque o Senhor é justo e cortou as cordas dos opressores. A segunda parte pede que os inimigos de Sião não prosperem.

O que significa "lavraram as minhas costas"?

É uma imagem forte do sofrimento: as costas de Israel foram tratadas como um campo arado, com sulcos longos, como marcas de chicote. Os cristãos viram aí também uma figura da flagelação de Jesus.

Um cristão pode rezar os pedidos contra os inimigos do Salmo 129?

Sim, entendendo-os bem. O salmo pede que o mal não triunfe sobre o povo de Deus. O cristão reza isso contra o pecado e as forças do mal, sem desejar o mal às pessoas, pois Jesus mandou amar os inimigos.

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