O Salmo 126 é um canto de alegria e de esperança. Lembra o dia em que Deus mudou a sorte de Sião, uma libertação tão grande que parecia um sonho, e pede que ele faça isso de novo. Termina com uma imagem do campo que consola há séculos quem sofre: os que semeiam entre lágrimas colherão com alegria.
Contexto do Salmo 126
Na numeração litúrgica, é o Salmo 125. É o sétimo dos "cânticos das subidas" (Salmos 120 a 134). O título não indica autor.
O salmo tem duas partes: uma ação de graças pelo que Deus fez no passado e uma súplica para que ele aja de novo no presente. A expressão do versículo 1, "mudar a sorte" (ou "reconduzir os cativos"), é lida por muitos como lembrança da volta do exílio na Babilônia, depois do decreto de Ciro (Esd 1,1-4). O texto, porém, não diz isso explicitamente, e alguns estudiosos pensam numa restauração mais geral. O certo é que o povo vive uma situação ambígua: já experimentou a libertação, mas ainda precisa ser restaurado.
Explicação do Salmo 126
Versículos 1 a 3: parecia um sonho
Quando o Senhor mudou a sorte de Sião, diz o salmista, ficamos como quem sonha. A notícia era boa demais para ser verdade. Então a boca se encheu de riso e a língua de cantos de alegria.
A alegria foi tão grande que até os outros povos perceberam e disseram: o Senhor fez grandes coisas por eles. E o povo responde, confirmando: o Senhor fez grandes coisas por nós, e por isso estamos alegres. A ação de Deus na história do seu povo é um testemunho que chega até os de fora.
Versículo 4: muda de novo a nossa sorte
Aqui o salmo passa da lembrança para o pedido: Senhor, muda a nossa sorte, como as torrentes do Negueb. O Negueb é a região desértica do sul de Judá. Ali, durante quase todo o ano, os leitos dos rios ficam secos. Quando vêm as chuvas, porém, eles se enchem de repente e a terra seca ganha vida em poucos dias.
A imagem é cheia de esperança: o povo se sente como um deserto, mas sabe que Deus pode transformar tudo de uma vez, como a água que chega no leito seco. A libertação passada não foi o fim; o povo ainda espera uma restauração completa.
Versículos 5 e 6: semear chorando, colher cantando
O salmo termina com uma imagem agrícola: “Os que semeiam entre lágrimas colherão com alegria” (Sl 126,5). Na antiguidade, semear podia ser um momento de angústia. A semente era tirada do pouco que sobrava para comer; se a chuva não viesse, tudo estaria perdido. Semeava-se com fé e, às vezes, com lágrimas.
O último versículo reforça a ideia com movimento: vão andando e chorando, levando a semente para lançar; voltarão cantando, trazendo os seus feixes. A mesma pessoa que saiu triste volta alegre. O sofrimento não é negado, mas não é a última palavra. Deus faz frutificar o que foi semeado na dor.
O que o Salmo 126 ensina para a fé católica?
O Salmo 126 ensina a esperança cristã. O Catecismo lembra que a oração dos salmos recorda as obras de salvação do passado e se estende até a consumação da história (CIC n. 2586). É exatamente o movimento deste salmo: lembrar o que Deus fez para esperar o que ele ainda fará. Veja também o que a Igreja ensina sobre a virtude da esperança.
A frase "o Senhor fez grandes coisas" ecoa no canto de Maria: o Poderoso fez em mim grandes coisas (Lc 1,49). E a imagem da semente lembra as palavras de Jesus: o grão de trigo que cai na terra e morre produz muito fruto (Jo 12,24); a tristeza dos discípulos se transformará em alegria (Jo 16,20); felizes os que choram, porque serão consolados (Mt 5,4). Na leitura cristã, a Páscoa é a grande "mudança de sorte": da cruz nasce a ressurreição.
Na liturgia, o salmo é cantado em alguns domingos, como o 2º Domingo do Advento do Ano C, quando o profeta Baruc anuncia a volta alegre dos filhos de Jerusalém (Br 5,1-9). A Igreja também o reza na Liturgia das Horas.
Reflexão para hoje
Há períodos da vida que são tempo de semear chorando. Pais que educam filhos com esforço e não veem resultado. Quem cuida de um doente por anos. Quem trabalha honestamente e não é reconhecido. Quem reza por alguém que parece não mudar. O salmo diz a todos: nada disso se perde. A semente está na terra.
O salmo também nos ensina a lembrar. Antes de pedir, o povo recorda as "grandes coisas" que Deus já fez. Fazer memória das graças recebidas é um bom remédio contra o desânimo. Escrever, contar em família, agradecer na oração: tudo isso alimenta a esperança.
E a imagem do Negueb vale para os momentos de secura. Quando a fé parece um leito seco, Deus pode mandar a chuva de repente. Às vezes basta uma confissão bem feita, uma palavra amiga, uma Missa vivida com atenção, e a vida volta a florir.
Para rezar com o Salmo 126
- Quais "grandes coisas" Deus já fez na minha vida e na da minha família?
- O que estou semeando hoje entre lágrimas? Consigo confiar a Deus a colheita?
- Há alguma área seca na minha vida em que preciso pedir a chuva de Deus?
Sugestão de oração:
Senhor, fizeste grandes coisas por nós, e por isso estamos alegres. Muda a nossa sorte como a chuva muda o deserto. Recebe as sementes que lanço chorando e faz que um dia eu volte cantando, com os feixes nas mãos. Amém.
Fontes
Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 2586; Lecionário Dominical; Liturgia das Horas.
Perguntas sobre Salmo 126
O que significa "os que semeiam entre lágrimas colherão com alegria"?
A que fato histórico o Salmo 126 se refere?
Quando o Salmo 126 é lido na Missa?
Está lendo a Bíblia inteira? Acompanhe no Plano de leitura da Bíblia ou reze o texto com a Lectio Divina.