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Números

Números 26: o segundo recenseamento de Israel

Leia Números 26 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

O profeta Balaão, sua jumenta e o anjo do Senhor no caminho
Rembrandt, Balaão e a jumenta, 1626. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Números 26 apresenta o segundo recenseamento de Israel, feito nas planícies de Moab, junto ao Jordão, diante de Jericó. Deus manda contar de novo os homens aptos para a guerra, tribo por tribo, porque a geração que saiu do Egito morreu no deserto. O censo prepara a partilha da Terra Prometida e mostra que Deus foi fiel: uma nova geração está pronta para entrar.

Contexto de Números 26

O livro dos Números recebeu esse nome justamente por causa de dois recenseamentos. O primeiro, no capítulo 1, foi feito no deserto do Sinai, no início da caminhada. O segundo, aqui, acontece quarenta anos depois, logo após a praga de Baal-Fegor (Nm 25). Entre um e outro, a geração incrédula, que se recusou a entrar na terra depois do relatório dos exploradores (Nm 14), foi morrendo no deserto.

Este capítulo abre a última parte do livro, voltada para o futuro: leis para a vida na terra, partilha, cidades, herança. É um capítulo de listas, mas cada nome tem sentido: é o povo de Deus que continua.

Explicação de Números 26

Versículos 1 a 4: a ordem do novo censo

Logo depois da praga, o Senhor manda Moisés e Eleazar, o novo sumo sacerdote, filho de Aarão, contarem todos os israelitas de vinte anos para cima, aptos para a guerra. Eleazar aparece no lugar de Aarão, que já morreu (Nm 20). A mudança de liderança acompanha a mudança de geração.

Versículos 5 a 11: Rúben e a memória de Coré

A lista começa por Rúben, o primogênito de Jacó. Ao citar a família de Eliab, o texto recorda Datã e Abiram, que se revoltaram com Coré contra Moisés e Aarão e foram engolidos pela terra (Nm 16). Mas há um detalhe importante: os filhos de Coré não morreram (Nm 26,11). Seus descendentes se tornaram cantores no templo, e vários salmos levam o título de filhos de Coré, como os Salmos 42 e 84. A rebeldia do pai não apagou a vocação dos filhos.

Versículos 12 a 51: as doze tribos

Seguem as demais tribos com seus clãs: Simeão, Gad, Judá, Issacar, Zabulon, Manassés, Efraim, Benjamim, Dã, Aser e Neftali. Para cada uma, o texto dá os descendentes que formam clãs e o número de homens. Algumas notas chamam a atenção:

  • Em Judá, recorda-se que Her e Onã morreram na terra de Canaã (Gn 38). Judá é a tribo mais numerosa, com 76.500 homens, e dela virá Davi e, mais tarde, o Messias.
  • Em Manassés aparece Salfaad, que não teve filhos, só filhas: Maala, Noa, Hegla, Melca e Tersa. Elas serão protagonistas do capítulo 27.
  • Em Aser, cita-se Sara, filha de Aser, uma das raras mulheres nomeadas nas genealogias.
  • Simeão é a tribo que mais diminui em relação ao primeiro censo: de 59.300 para 22.200. Muitos estudiosos relacionam essa queda ao pecado de Fegor, em que o culpado era um chefe simeonita, mas o texto não faz essa ligação de modo explícito.

O total é de 601.730 homens, quase o mesmo do primeiro censo (603.550, em Nm 1,46). O sentido é claro: apesar dos pecados e dos castigos, Deus manteve o seu povo. Quanto aos números muito altos, os estudiosos discutem como entendê-los; alguns pensam que a palavra hebraica traduzida por mil pode indicar também um clã ou unidade militar. A Igreja não precisa resolver essa questão para acolher a mensagem do texto.

Versículos 52 a 56: como a terra será repartida

Deus explica o critério da partilha: às tribos maiores, uma herança maior; às menores, uma herança menor. Ao mesmo tempo, a terra será dividida por sorteio. Os dois critérios se completam: a justiça leva em conta as necessidades, e o sorteio lembra que a terra é dom de Deus, não conquista de quem é mais forte. Essa partilha será realizada no livro de Josué (Js 13 a 19).

Versículos 57 a 62: os levitas

Os levitas são contados à parte, a partir de um mês de idade, porque não recebem terra: são consagrados ao culto. O texto recorda a família de Moisés, Aarão e Maria (Miriam), filhos de Amram e Jocabed, e a morte de Nadab e Abiú, que ofereceram um fogo profano diante do Senhor (Lv 10). São 23.000 levitas.

Versículos 63 a 65: só Caleb e Josué

O capítulo termina com uma constatação solene: entre todos os contados, não havia nenhum dos que tinham sido recenseados no deserto do Sinai. Cumpriu-se a palavra de Deus em Nm 14: todos morreram no deserto, exceto Caleb, filho de Jefoné, e Josué, filho de Nun, os dois exploradores que confiaram em Deus.

O que Números 26 ensina para a fé católica?

Deus é fiel às suas promessas mesmo quando o homem é infiel. A geração do deserto não entrou na terra, mas a promessa feita a Abraão não falhou: passou aos filhos. A Carta aos Hebreus usa justamente essa história para exortar os cristãos a não endurecer o coração e a entrar no repouso de Deus pela fé (Hb 3,7 a 4,11).

Também aprendemos que cada pessoa conta para Deus. As longas listas de nomes mostram que o povo de Deus não é uma massa anônima, mas famílias concretas, com história. A Igreja, novo povo de Deus, é feita de pessoas chamadas pelo nome no Batismo.

Por fim, os levitas, que não recebem terra porque o Senhor é a sua parte, ajudam a entender o ministério na Igreja. O Catecismo lembra que Deus escolheu a tribo de Levi, separada para o serviço litúrgico (CIC n. 1539), e que a liturgia da Igreja vê no sacerdócio de Aarão e no serviço dos levitas uma prefiguração do ministério ordenado (CIC n. 1541).

Reflexão para hoje

Ninguém gosta de ler listas. Mas quem já montou a árvore genealógica da família sabe a emoção de ver os nomes dos avós e bisavós. Números 26 é a árvore genealógica de um povo que sobreviveu ao deserto. Cada nome diz: Deus cuidou de nós.

O capítulo também tem um lado sério. Uma geração inteira ficou fora da terra porque não confiou. Isso nos lembra que as nossas escolhas têm consequências para nós e para os que vêm depois. Ao mesmo tempo, os filhos de Coré mostram que ninguém está condenado pela história da família: a graça pode recomeçar em cada geração.

Vale olhar para a própria família. Que fé estamos transmitindo? Os nossos filhos e netos vão entrar na terra da promessa, ou vão herdar de nós só o cansaço do deserto?

Para rezar com Números 26

  • Por quais nomes da minha família quero agradecer a Deus hoje?
  • Em que área da vida eu ainda resisto a confiar, como a geração do deserto?
  • Que herança de fé estou deixando para quem vem depois de mim?

Sugestão de oração:

Senhor, que conheces cada um pelo nome, obrigado pela minha família e por todos os que me transmitiram a fé. Perdoa as nossas incredulidades e não permitas que endureçamos o coração. Conduz os nossos filhos à terra da tua promessa. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica.

Perguntas sobre Números 26

Quantos israelitas foram contados no segundo censo de Números 26?

Foram contados 601.730 homens de vinte anos para cima, aptos para a guerra, além de 23.000 levitas contados à parte.

Por que Deus mandou fazer um segundo censo?

Porque a geração do primeiro censo havia morrido no deserto. O novo recenseamento conta a geração que vai entrar em Canaã e serve de base para a partilha da terra.

Quem do primeiro censo entrou na Terra Prometida?

Segundo Números 26,65, só Caleb e Josué, os exploradores que confiaram em Deus. Moisés também morreria antes de entrar na terra.

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