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Gênesis

Gênesis 48: Jacó abençoa Efraim e Manassés

Leia Gênesis 48 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

Jacó dorme sobre a pedra e sonha com a escada que sobe ao céu
Jusepe de Ribera, O sonho de Jacó, 1639. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Gênesis 48 narra a bênção de Jacó aos dois filhos de José, Manassés e Efraim. Doente e quase cego, Jacó os adota como filhos seus, o que lhes garante lugar entre as tribos de Israel. Na hora da bênção, ele cruza as mãos e coloca a direita sobre Efraim, o mais novo, anunciando que ele será maior que o irmão.

Contexto de Gênesis 48

Jacó está nos últimos dias de vida no Egito. No capítulo anterior, pediu a José que o sepultasse em Canaã (Gênesis 47). Agora, antes das bênçãos sobre todos os filhos (Gênesis 49), ele dá atenção especial aos filhos de José, nascidos da esposa egípcia Asenet (Gn 41,50 a 52).

Na Bíblia, a bênção de um pai antes de morrer era um ato solene, que transmitia a herança e o futuro da família. Basta lembrar da bênção que o próprio Jacó recebeu de Isaac, em lugar de Esaú (Gn 27). Agora Jacó, já velho, será quem abençoa.

Explicação de Gênesis 48

Versículos 1 a 7: Jacó adota os filhos de José

José recebe a notícia de que o pai está doente e vai visitá-lo com os dois filhos. Jacó reúne as forças e se senta na cama. Começa lembrando a sua experiência de Deus: o Deus Todo-Poderoso lhe apareceu em Luz, na terra de Canaã, abençoou-o e prometeu fazê-lo fecundo, transformá-lo numa multidão de povos e dar aquela terra à sua descendência para sempre. Luz é o antigo nome de Betel, onde Jacó teve o sonho da escada e recebeu depois a renovação da promessa (Gn 28,10 a 19; 35,6 a 12).

Com base nessa promessa, Jacó toma uma decisão: Efraim e Manassés serão dele, como Rúben e Simeão, seus dois primeiros filhos. Na prática, José recebe uma porção dupla, pois os seus dois filhos terão herança como tribos de Israel. Por isso, nas listas posteriores, não aparece uma tribo de José, mas as tribos de Efraim e de Manassés.

Então Jacó lembra, de repente, de Raquel, mãe de José. Ela morreu no caminho, perto de Efrata, e ele a sepultou ali, no caminho de Efrata, que é Belém (Gn 35,16 a 20). A memória da esposa amada surge no momento em que ele adota os netos dela. É um detalhe muito humano.

Versículos 8 a 12: Deus me deixou ver os teus filhos

Jacó vê os rapazes e pergunta quem são. Os seus olhos estavam fracos por causa da velhice, como os de Isaac na cena da bênção em Gênesis 27. José responde que são os filhos que Deus lhe deu no Egito. Jacó os abraça e os beija.

E diz a José uma frase cheia de gratidão: eu não esperava mais ver o teu rosto, e Deus me deixou ver até a tua descendência (Gn 48,11). O pai que se julgava sem futuro recebeu mais do que pedia. José tira os filhos dos joelhos do avô, gesto ligado à adoção, e se prostra com o rosto em terra.

Versículos 13 a 20: as mãos cruzadas

José posiciona os filhos de modo que Manassés, o primogênito, fique diante da mão direita de Jacó, e Efraim, o mais novo, diante da esquerda. A mão direita era a da bênção principal. Mas Jacó estende a direita sobre a cabeça de Efraim e a esquerda sobre Manassés, cruzando os braços de propósito.

Então pronuncia a bênção, que é também uma confissão de fé. Invoca o Deus diante de quem andaram Abraão e Isaac, o Deus que foi o seu pastor desde que nasceu até hoje, e o anjo que o livrou de todo mal. Que ele abençoe os meninos, que neles o nome de Jacó, de Abraão e de Isaac seja lembrado e que eles se multipliquem muito na terra. Chamar Deus de pastor é uma imagem que voltará no Salmo 23 e em Jesus, o Bom Pastor (Jo 10,11). O anjo mencionado aqui é a presença de Deus que protegeu Jacó em toda a sua vida, como em Betel e em Penuel (Gn 28; 32).

José não gosta e tenta mudar a mão do pai de uma cabeça para a outra. Jacó recusa: eu sei, meu filho, eu sei. Manassés também será um povo e será grande, mas o irmão mais novo será maior do que ele. E abençoa os dois dizendo que Israel usaria os nomes deles para abençoar: que Deus te faça como Efraim e Manassés. Assim ele coloca Efraim antes de Manassés. Mais tarde, Efraim se tornaria uma das tribos mais importantes do norte de Israel, a ponto de o seu nome designar às vezes todo o reino do norte (Os 11,1 a 3).

Versículos 21 e 22: Deus vos fará voltar

Jacó diz a José que vai morrer, mas que Deus estará com eles e os fará voltar à terra dos seus pais. É a mesma promessa de Gênesis 46,4, agora transmitida à geração seguinte. Por fim, Jacó dá a José uma porção a mais do que aos irmãos. A palavra hebraica traduzida por porção (shekem, que quer dizer também ombro ou encosta) é igual ao nome da cidade de Siquém, e muitos veem aqui um jogo de palavras. Foi em Siquém que mais tarde os ossos de José seriam sepultados (Js 24,32), e o Evangelho de João lembra o terreno que Jacó deu a seu filho José perto dali (Jo 4,5).

O que Gênesis 48 ensina para a fé católica?

  • Deus escolhe livremente. Ao longo do Gênesis, Deus escolhe muitas vezes o mais novo: Abel, Isaac, Jacó, José e agora Efraim. Mais tarde escolherá Davi, o menor dos filhos de Jessé (1Sm 16,11 a 13). A eleição é dom, não direito. São Paulo dirá que Deus escolheu o que o mundo considera fraco para confundir os fortes (1Cor 1,27).
  • A bênção e a imposição das mãos. Jacó abençoa impondo as mãos. Esse gesto atravessa a Bíblia, aparece em Jesus, que impunha as mãos sobre as crianças e os doentes (Mc 10,16; Lc 4,40), e continua na Igreja, nos sacramentos e nas bênçãos. Os pais cristãos também podem abençoar os filhos. Veja quem pode benzer objetos e pessoas.
  • Deus guarda a nossa vida. Jacó reconhece um Deus pastor e um anjo que o livrou de todo mal. A Igreja ensina que, do início ao fim, a vida humana é acompanhada pela assistência e intercessão dos anjos (CIC n. 336).

Reflexão para hoje

Jacó, no fim da vida, faz memória. Lembra de Betel, lembra de Raquel, lembra de Deus como pastor desde o seu nascimento. Rezar a própria história é um exercício que faz bem em qualquer idade: olhar para trás e reconhecer onde Deus nos guiou, mesmo quando não percebíamos.

As mãos cruzadas de Jacó também nos desafiam. Muitas vezes queremos que Deus siga a nossa lógica: o mais velho, o mais preparado, o mais visível. Deus surpreende. Ele pode fazer frutificar o que parecia de menor valor. Isso vale para os filhos, para a comunidade e para nós mesmos, quando nos sentimos em segundo lugar.

Por fim, a frase eu não esperava mais ver o teu rosto, e Deus me deixou ver os teus filhos é uma oração de gratidão que muitos avós podem fazer. Abençoar os netos, rezar por eles e contar-lhes o que Deus fez é uma herança mais preciosa que bens materiais.

Para rezar com Gênesis 48

  • Quando olho para a minha história, onde reconheço Deus como meu pastor?
  • Aceito que Deus aja de modo diferente do que eu esperava?
  • Tenho o costume de abençoar os meus filhos ou netos e rezar por eles?

Sugestão de oração:

Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, que foste meu pastor desde o meu nascimento até hoje, obrigado por tudo o que fizeste em minha vida. Abençoa os meus filhos e os filhos dos meus filhos. Que eles cresçam na fé e conheçam o teu amor, que surpreende e escolhe os pequenos. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 336.

Perguntas sobre Gênesis 48

Por que Jacó cruzou as mãos ao abençoar os filhos de José?

Jacó colocou de propósito a mão direita, a da bênção principal, sobre Efraim, o mais novo. Com isso anunciou que Efraim seria maior que Manassés, mostrando a escolha livre de Deus.

Por que não existe uma tribo de José?

Porque Jacó adotou os dois filhos de José, Efraim e Manassés, como filhos seus. Cada um deu origem a uma tribo, e assim José recebeu uma herança dupla.

Quem é o anjo que livrou Jacó de todo mal?

É a presença protetora de Deus que acompanhou Jacó em toda a vida, como em Betel e em Penuel. Na bênção, Jacó o invoca junto com o Deus de seus pais e o Deus que foi seu pastor.

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